<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373</id><updated>2012-02-16T06:05:03.960-08:00</updated><title type='text'>America latina tour</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>29</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-109707371724603176</id><published>2009-04-08T15:59:00.000-07:00</published><updated>2009-04-08T16:01:04.605-07:00</updated><title type='text'>Cuba - parte 3</title><content type='html'>Peço desculpas,mas envio só uma versão resumida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuba - parte 3&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estilita&lt;br /&gt;Como numa boa novela, o melhor ficou pro final. Infelizmente, nesse caso, o texto vai terminar sem soluções fáceis.&lt;br /&gt;Minha primeira opção de hospedagem em Havana era a casa de Nicolas e Rosy, em que fiquei no ano anterior, mas já estava lotada. E posso afirmar que fico feliz que estivesse. Porque foram eles que me indicaram a casa de Estilita, 85 anos e militante do Partido Comunista desde antes da revolução. Foi divertidíssimo estar com ela. Quando a velhinha ficou sabendo que eu era simpatizante de Castro, então, ficou enlouquecida de felicidade. Já me entregou uma montanha de recortes do Granma, que estava reproduzindo os discursos que Fidel fez ou escreveu em 1959 - uma fora de comemorar os 50 anos da revolução. Ela guarda todinhos, e mantém aquele monte de papéis rampeados penduradosna parede, ao lado do calendário.&lt;br /&gt;No primeiro da estada, Estilita me perguntou a que horas eu voltaria para casa na noite. Disse que achava que pela 1h, mas cheguei às 4h. Ficou meio azeda e no dia seguinte meu café da manhã estava marcado para 9h. Acodei no horário combinado e ela não tinha nada pronto, disse que achava que eu não ia aparecer tendo chegado tão tarde. Mas ao cumprir com o prometido, ganhei a velha outra vez. Já conversamos sobre os artigos do Granma, ela me falou do presunto que eu tava comendo, que era brasileiro, disse que eu já podia transitar por onde quisesse na casa. Estilita é uma daquelas velhinhas de pegar e amassar, de tão querida. É toda cheia de graça, como ao dizer, sempre que ia sair, que deveria (ou no caso, deveríamos, já que normalmente eu saia com o camarada Pedro) “me divertir muito e gastar pouco”. E me recomendou não dar qualquer dinheiro a ninguém. “Aqui ninguém morre de fome”, disse, reforçando o que já me haviam afirmado outros, outras vezes.&lt;br /&gt;Estilita tem uma longa história no partidão. Começou a militar em 1953, na clandestinidade. Quando ainda vivia na província de Villa Clara, onde também estavam seus pais, já participava de encontros em que grupos se reuniam para assistir televisão em um barraco, para inteirarem-se do que estava contecendo no mundo e discutir alternativas. Ela contou que seu pai também era militante, embora procurasse ocultar isso dos filhos. Ela só confirmou que ele era comuna quando foi alertada sobre seu possível desaparecimento. O pai de Estilita, quando eclodiu a revolução, tratava de arrumar dinheiro e meios de fazê-lo chegar à Sierra Maestra. Foi assassinado por um oficial do exército que lhe devia uma grana. Estilita disse que o crime nunca foi bem elucidado, mas quando ela encontrou esse oficial, anos depois, ele respondeu que ela deveria ficar calada ou teria o mesmo destino que seu velho. Precisa confissão maior que essa?&lt;br /&gt;Estilita busca estar bem informada. Ainda que os jornais impresso e televisivo não tragam lá muitas coisas, ela se esforça. É fã de Evo Morales. Principalmente pela sua descendência Aimará. E diz que espera que a tão falada integração latinoamericana aconteça. Um dia me perguntou se eu achava que havia solução para nossos problemas e para enfrentar os Estados Unidos. Respondi que eu acreditava que só seria possível se nos aproximássemos e dificultássemos mais as coisas para eles. Ela não entendeu direito e já foi largando: “Com os americanos eu não me integro de jeito nenhum”. Ai reforcei que era integração entre “nosostros”. E ela gostou. “Ya conoci el capitalismo y el socialismo. Y siempre voy a defender el socialismo”, disse. O triste, segundo ela, é que pouca gente acredite que todos possam viver em maior igualdade.&lt;br /&gt;Um dia, Alejandro, um vizinho, estava na casa e começamos a conversar. Queria saber mais sobre o Brasil, se o filme Cidade de Deus traduzia a realidade, e começou a se queixar de que Cuba produz muito pouco. Estavam, por exemplo, felizes que haviam chegado algumas batatas à cidade, e assim estavam matando a saudade de comer batatas fritas. Aí começou a perguntar sobre uma série de produtos e sobre se o Brasil os tinha internamente: manga, maça. Laranja, trigo, soja, feijão, arroz, fumo, cacau, carne, ovos, etc. E eu respondendo, sucessivamente: sim, sim, sim, sim...Até que chegou num ponto em que ele me perguntou como, se temos tudo isso, há tanta desigualdade no Brasil. “Y porque aún son um país pobre?”. Grande pergunta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-109707371724603176?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/109707371724603176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=109707371724603176' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/109707371724603176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/109707371724603176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2009/04/cuba-parte-3.html' title='Cuba - parte 3'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-1583114486407882833</id><published>2009-03-12T09:47:00.000-07:00</published><updated>2009-03-12T09:48:27.773-07:00</updated><title type='text'>Cuba - parte 2</title><content type='html'>Quero só fazer mais um comentário sobre as novelas brasileiras. Especificamente sobre a clássica Escrava Isaura. Lázaro nos contou que no ano em que a novela passou, coincidiu que os capítulos finais foram transmitidos no período do carnaval cubano, que acontece em julho. Resultado? Foi a única vez em que as ruas ficaram sem foliões. Pelo menos até acabar o capítulo da novela, a cidade ficava deserta. Feito o comentário, vamos a...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;...Juan&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Eu e Pedro conhecemos Juan por intermédio de Lázaro, na noite em que ficamos até a madrugada no boteco. Se apresentou como sendo rastafári e como um grande fã de cinema, inclusive do brasileiro. Batemos um bom papo, ele descrevendo filmes nacionais que tinha visto - e dos quais não lembrava o nome - e eu adivinhando os títulos. Adorou Cidade de Deus, o recente filme do Barreto sobre o ônibus 174 (exibido no festival de cinema latinoamericano de Cuba) e Quem matou Pixote. O cara viu bastante coisa mesmo.&lt;br /&gt;Pois bem, não falamos muito na noite porque ele alternava um bate-papo com umas bailadas com uma cubana. Mas o reencontramos caminhando pela rua, perto do Capitólio. Convidou-nos para irmos com ele para um centro cultural, ouvir salsa. Fomos. No caminho, compramos uma cerveja que uma mulher vendia a preços bem mais baixos. Isso porque ela enchia as garrafas em casa, onde tinha um barril cheio. É a história das ilegalidades. Ali uma moça, muito bonita, diga-se, já pediu para ele me perguntar se eu não tinha interesse nela. Meu, é evidente que tinha, um mulherão daqueles não tem como não ter interesse, mas declinei o convite e seguimos cainhando.&lt;br /&gt;Antes de irmos ao centro cultural, porém, nos levou na casa dele. Foi meio assustador. Entramos por uma porta que dava para um pátio escuro, onde havia pequenas casinhas e apartamentos. Uma péssima impressão, mas nada que no Brasil não se encontre bem pior. O susto maior foi quando entramos no apartamento, cujo acesso era por meio de uma estreitíssima escada caracol. Num lugar de uns 40 meros quarados estavam oito pessoas. Uns quatro na cama, outros em cadeiras ou na cozinha, que ficava na mesma peça. O banheiro era separado por uma cortininha e a água era armazenada em alguns latões e em um tonel. Não sei de onde estava vindo, mas tava lá. A descarga não funcionava. Tinha baratas andando em meio às escovas de dentes.&lt;br /&gt;Mas todo mundo muito simpático e fizeram até cafezinho pra gente. Depois vieram as explicações de quem morava com quem e onde, o que aliviou um pouco a má impressão, já que estávamos com a idéia de que viviam todos empilhados, empilhados. Detalhe é que junto, no apartamento de baixo, que Juan compartilha cm um irmão, vive um cachorro dobermann (risos).&lt;br /&gt;Habitação é um problema que Cuba está buscando resolver, mas com dificuldades. Dois motivos pesam bastante para agravar o tema. O primeiro, a incidência anual de furacões e tornados na Ilha, que deixam pessoas desabrigadas e explica muitos dos casebres que se vislumbram principalmente na região oriental de Cuba, normalmente mais afetadas pelas intempéries.&lt;br /&gt;O outro motivo, é que depois da revolução as casas foram distribuídas entre as famílias que moravam nelas e/ou desapropriadas e entregues a outras. Com isso, por muito tempo houve um descuido com relação a ampliar a oferta de habitação no país. Assim, uma das reclamações dos jovens é não terem seu espaço para morar quando querem deixar suas casas. O problema é que as coisas caminham lentamente pela dificuldade de acesso a materiais de construção. Pelo que nos explicaram, o governo adota o seguinte modelo para viabilizar a habitação aos cidadãos que querem uma nova casa: trabalhar em mutirões comunitários, que tratam de erguer prédios públicos e residências. entre essas edificações feitas pelos grupos de trabalho estará a casa do sujeito que ajudou a construí-las. Como no caso da universidade, em que se exige o cumprimento de um período de trabalho ao governo, uma forma de incentivar a participação e promover a valorização dos recursos repassados pelo Estado aos cidadãos.&lt;br /&gt;Voltando a Juan, na seqüência, fomos ao centro cultural e digamos que ali deu para ter uma idéia ainda melhor de côo os cubanos se divertem. Música, muita música, dança, muita dança, e rum. Aliás, a sensação do momento em Cuba é um rum em caixinha longa vida, que é baratíssimo e o povo toma que nem água. Devem ter fígado de aço. Sério, é uma paulada. O povo se diverte, todo mundo falando alto, trocando de par no salão, enfim, bonito de se ver.&lt;br /&gt;E alí conhecemos Dario, um cara que aparenta uns 40 anos mas já carrega 60 nas costas. Disse que Juan era um mau caráter, um jineteiro, que envergonhava os cubanos fazendo isso. Juan deve ser mesmo, nas horas vagas, mas normalmente trabalha como soldador. Dario disse que gosta muito da cultura afrobrasileira, se apresentou como rasta e afirmou que Juan não o é. E finalmente encontramos um cubano que não gosta das novelas brasileiras. “Elas não mostram nada do que é a realidade do Brasil, assim como as mexicanas não mostram a realidade do México. Então, não me interessam”, disse, seguindo com um discurso de necessidade de integração latinoamericana, da solidariedade que existe entre os cubanos, etc.&lt;br /&gt;O papo foi supervisionado por Juan que depois me perguntou o que Dario tinha me dito. Acho que tomou um susto quando contei a verdade e começou a se justificar. Depois, fomos buscar uma amiga alemã dele, que está com o namorado cubano preso. Não perguntem o motivo porque não nos falaram. Na seqüência, demos uma de perdidos e dissemos que nos veríamos mais tarde, o que não aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cinema e Ópera&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O acesso à cultura, para os cubanos, é baratíssimo. Sai quase de graça e os lugares como cinemas e teatros costumam registrar filas gigantescas. No cinema, por exemplo, eu e o Pedro entramos na fila achando que não ia servir todo mundo, até entrar no gigantesco salão em que, sem brincadeira, devem servir umas 500 ou 600 pessoas.&lt;br /&gt;Fomos ver o filme Los Dioses Rotos. Película cubana e recentemente lançada. O filme é até surpreendente pelo conteúdo crítico ao regime. É uma história sobre jineteiros, prostituição, drogas, violência. Baseado em um livro de um autor cubano. O divertido é o comportamento do público. É torcida de futebol. Quando aparece uma cena de sexo – aliás, saímos eu e metade do cinema apaixonados pela Sandra, a personagem principal do filme – é engraçadíssimo. Gente gritando, outros delirando, outros gargalhando. Tenho a teoria de que, como a pornografia é proibida em Cuba (revista de mulher pelada, só na clandestinidade) há uma grande inocência, ainda, em relação ao tema.&lt;br /&gt;Também fomos à opera. Só para se ter uma idéia, o preço do ingresso mais baixo para os cubanos, era de 2 pesos em moeda local ou seja, US$ 0,08. A peça apresentada foi A Flauta Mágica, de Mozart, com uma montagem moderninha, bem interessante, apesar de algumas gracinhas sem a menor graça. A adaptação deixa claro quem é quem na história: quem são os EUA, quem é Fidel, quem é o povo cubano, etc. Bem interessante e também com algumas partes críticas, como quando o personagem principal tem a boca lacrada e diz, com ênfase, que o cadeado é estrangeiro, numa clara alusão à censura nacional. E o legal é que dá para comer pipoca no teatro (kuakuakuakua).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As coisas que irritam&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Os cubanos definitivamente não têm problema de auto-estima. É comum, quando se conversa com alguém, que você logo escute um “para que usted sepa”. E isso vale para tudo quanto é assunto, do futebol brasileiro – que alguns crêem conhecer mais que a gente – ao compositor de Garota de Ipanema.&lt;br /&gt;Sobre a música mencionada, aliás, descobrimos uma novidade. Um músico de rua, que veio tocar pra gente, é claro, perguntou se sabíamos quem a tinha composto. Não deu nem tempo de responder. Ele disse que ninguém sabe, que é um grande mistério, que a musa inspiradora era uma qualquer, assim como o compositor é um anônimo. Pobre Vinícius. Pobre Tom. Pobre João.&lt;br /&gt;Outra coisa é o assédio de jineteiros. Normalmente os cubanos não são invasivos. Os que são, realmente estão querendo mais que uma conversa. E às vezes pode ser meio chato se livrar deles, principalmente em Havana. Quando regressei de Santa Clara à capital, um cara me ofereceu hospedagem. Eu disse que já tinha e aí o cidadão começou a caminhar ao meu lado. Conversávamos, até que perguntei onde ele estava indo. A resposta: “onde você quiser ir”. Dei uma risada e disse que a partir de aquele momento eu ia sozinho. O cara ficou desconsertado. Mas aceitou a dispensa.&lt;br /&gt;E existem os grandes enigmas da humanidade. Um deles não se relaciona aos cubanos, especificamente, mas a todos os latinoamericanos. Quando você diz que é o do Brasil logo vem uma enxurrada de palavras soltas. Primeiro, um “Ohhhh, Brasil!” Depois, “Samba!”. Depois, “Futbol!”. Depois, “Carnaval!”. E em raros casos, “Caipirinha!”. O enigma é: por que isso só acontece com brasileiros? Quando é um alemão, ninguém sai falando “chucrute, cerveja e mulher com pêlo no sovaco”. Ou se é italiano, não dispara palavras como “vinho, espaguete e Pavarotti”.&lt;br /&gt;Outro enigma: por que os cubanos são tão curiosos? Sério, fazem perguntas que não servem pra nada. Exemplo? Você pára na rua e pergunta para um guarda se há uma casa de câmbio por perto. Ele responde, perguntando: “você vai sacar com cartão ou trocar dinheiro?”. Qualquer que seja a resposta que você der, provavelmente ele vai dizer que não sabe. Ou seja, perguntou pelo simples hábito de perguntar. &lt;br /&gt;Cuba é um país-prodígio quando se analisam seus indicares educacionais. Mas na educação do dia-a-ida, nos hábitos, eles ainda precisam avançar um pouco. E mais de uma pessoa reforçou isso. Eles são meio afobados para muitas coisas e muito mansos para outras. São afobados na hora de comprar nos mercadinhos, em que vão atropelando. E são umas moças na hora em que estão sendo atendidos, por exemplo, na central telefônica, em que, aparentemente, forma empregados apenas os campeões da paciência ou da lentidão. É raro alguém reclamar. E mais: cada pessoa só faz uma coisa de cada vez, ou seja, se o cara está contado o dinheiro do caixa, pode cair um prédio do lado dele que ele não desvia a atenção. Fica ali, concentrado até terminar. Depois, só depois, vai ver se sobrou alguma coisa do prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois remeto a parte 3.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-1583114486407882833?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/1583114486407882833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=1583114486407882833' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/1583114486407882833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/1583114486407882833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2009/03/cuba-parte-2.html' title='Cuba - parte 2'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-8735104517254719932</id><published>2009-03-10T07:00:00.001-07:00</published><updated>2009-03-10T08:02:08.431-07:00</updated><title type='text'>Cuba - Parte 1</title><content type='html'>&lt;p&gt;ADVERTÊNCIA: O TEXTO A SEGUIR PODE SER EXTREMAMENTE CHATO PARA QUEM NÃO SE INTERESSA PELO DIA-A-DIA CUBANO E NÃO TOLERA UMAS DESLIZADAS EMOTIVAS. PEÇO DESCULPAS POR ALGUMAS REPETIÇÕES DE TEMA.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;La isla&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Um amigo chega para o outro e diz: “Sabe tudo aquilo que nos contaram sobre o socialismo? Boa parte é mentira.” Ao que o outro responde: “Pois descobri uma coisa ainda mais aterradora, camarada. Sabe tudo aquilo que nos falaram do capitalismo? É tudo verdade.”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Ilha Cuba não é a perfeição que querem fazer crer seus adoradores e nada daquilo que falam seus detratores, como bem definiu meu irmão, quando estivemos aqui pela primeira vez. Mas como não sou tucano para ficar no muro, desço para o lado esquerdo, onde sempre estive e quero continuar a estar. Sou um adorador desse país que há 50 anos mudou a história da América Latina – quizás del mundo! - e que carrega, desde então, o espírito revolucionário que está longe da cova e começa a alastrar-se novamente a outras partes das terras descobertas por Colombo. É por conservar esse espírito e contagiar outros povos com ele, que Cuba ocupa, no cenário mundial, um papel inversamente proporcional ao seu tamanho geográfico. Os fatos que se desenrolam aqui, nessa pequena Ilha caribenha, ganham sempre uma atenção e um interesse gigantescos. Não é para menos. Cuba é sinônimo de esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pés-no-chão&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ao desembarcar no Aeroporto Internacional José Martí você já sente que está em Cuba. E é pelo cheiro. Na sala de espera das bagagens, depois de passar pela imigração, o inconfundível odor dos puros serve como verdadeiro anúncio da chegada. Da primeira vez que passei por aqui cheguei a pensar que era uma indução psicológica minha, mas desta vez, tive a certeza de que não.&lt;br /&gt;O movimento no maior aeroporto da Ilha não é pífio se comparado com o que existe em outras partes, como São Paulo, por exemplo. O número de vôos que passam por aqui é pequeno e, por isso mesmo, o ambiente é tranqüilo. Há uma demora grande para pegar as bagagens. Depois de recolhe-las na esteira é preciso sair em busca dos cubanos conversíveis, os CUCs, moeda que é utilizada pelos estrangeiros. Um CUC vale 10% mais que o dólar.&lt;br /&gt;Sempre há, também, na área de desembarque uma multidão de gente oferecendo taxis. Eu aceitei a oferta de um desses viventes que disputa a atenção dos visitantes. Por 25 CUCs (um roubo) e “una propinita” me levou até a Rua Bruzon, número 103, pertinho da Praça da Revolução, onde fiquei hospedado nos primeiros dias desse regresso. No caminho, percorrido a bordo de um Lada Laika caindo aos pedaços mas com um rádio com mp3 novinho, o cenário é um pouco deserto e há placas exaltando os 50 anos da Revolução. Muros pintados com dizeres de estímulo ao orgulho cubano estão em várias partes também. Gente jogando beisebol e futebol pelas áreas verdes completam o cenário. São uns 25 minutos de corrida. Passando a estação de ônibus principal, de onde saem os ônibus da Astro, a empresa estatal que liga o país de ponta-a-ponta, entramos na primeira à direita, andamos mais três quarteirões e pronto. Chegamos à casa da família Goicotchea.&lt;br /&gt;Desci do táxi e toquei a campainha. Nada de vir alguém. Escutava um barulho como se a estivessem abrindo, mas ninguém aparecia. Até que Rolando, o dono da casa, grita da sacada: “Gustavo, la puerta esta abierta”. O sistema de abertura automático é uma cordinha que vai do trinco até a sala de estar, de onde ele a puxa. Meu anfitrião estava animadíssimo e um pouco embriagado. Subi as estreitas escadas e ele me apresentou rapidamente a habitação, os cômodos por onde poderia transitar, o telefone – de onde, segundo ele, era permitido ligar até para a China se eu quisesse – e pergunta se eu tenho roupas para vender. Rolando é bastante nervoso, fala alto como poucos, mas boa gente. O problema é que quer comprar tudo de seus hóspedes. No dia seguinte quis comprar meu celular, queria saber se eu trazia um MP3, enfim, é um homem de negócios. Nada contra, não fosse o fato de que sua conversa se limitasse a isso.&lt;br /&gt;Amor à segunda vista&lt;br /&gt;Em Havana, a primeira impressão não é a que fica. O centro da cidade e seus arredores pode ser impactante para quem esta acostumado à vida em um ambiente de consumo, ostentação e acesso fácil às mercadorias.&lt;br /&gt;A sujeira pelas ruas (que no centro é agravada pela falta de vegetação), combinada à aparência decadente de muitas das fachadas das casas, provoca uma sensação estranha, de desconforto até. E ela só vai se desmanchar para quem está disposto a ir um pouco mais a fundo e caminhar tranquilamente pelas ruas da maior cidade caribenha. Tranquilamente não se refere somente à velocidade com que se caminha por elas, mas também à segurança, já que aqui roubos quase inexistem. Isso, em grande parte, por conta dos Comitês de Defesa da Revolução, que estão em cada quarteirão e que também servem como vigilantes. Outra razão para tranqüilidade é o fato de que por aqui você não vai olhar para o lado e enxergar outdoors da Coca-Cola (ainda que existam algumas lojs que a vendam), da Pepsi, da Ford, etc., e, incrivelmente, não vai ver nenhum MacDonalds, Burguer King ou Pizza Hut. Ufa, que alívio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Partagás&lt;br /&gt;Na entrada do antigo prédio que abriga mais famosa fábrica de tabacos cubanos, a Partagás, que fica bem no centro da cidade, atrás do majestoso Capitólio, uma cena curiosa. Um turista que chegava com um cigarro garro na mão deu marcha ré enquanto o segurança lá de dentro dizia: “Señor, por favor, adelante”. O visitante apagou o cigarro na calçada. O cubano da portaria abriu um sorrisão. “Señor, aqui és permitido fumar”.&lt;br /&gt;Aliás, não só aqui. Cuba é um paraíso para os fumantes. Quem se sente perseguido por leis antitabaco pode desembarcar aqui com a certeza de ter liberdade para tragar sossegado em 90% dos lugares. Até dentro dos quartos dos hotéis e das casas de famílias há cinzeiros. Na casa Goicotchea, um cinzeiro “profissional”, desses que existem nos shopping centers brasileiros, está na sala de estar e sempre cheio de bitucas. Mas eu falava de...a fábrica de charutos.&lt;br /&gt;Na primeira viagem que fiz a Cuba, as férias coletivas impediram que a conhecesse por dentro. E vale muito a pena fazê-lo. O tour, oferecido em várias línguas, sai por CUC 10 e dura mais ou menos meia hora. Na fábrica trabalham 600 pessoas. A rotatividade é pouca, normalmente acontece somente quando alguém pede para sair ou se aposenta. Para ingressar, os funcionários passam por uma escola em que durante nove meses aprendem o que é preciso para que os puros sigam sendo um dos destaques de Cuba. Os salários giram em torno de 35 CUC ao mês, ou 700 pesos locais, o que segundo nossa guia é suficiente para viver. “Aqui no pagamos por la escuela y ni por la salud”, justifica.&lt;br /&gt;Na Partagás são oito horas de trabalho diário. Existem quatro andares dedicados às diversas tarefas que se cumprem até que os puros cheguem às caixas de madeira. No térreo está a loja para vender os habanos. No primeiro piso, aproximadamente 250 pessoas, a maioria mulheres, faz a seleção das folhas de fumo. As separam e sacam a nervura central. Assim, cada folha resulta duas separadas. São classificadas pelo tamanho e com base nisso empregadas para a fabricação de um ou outro tipo de charuto específico. As folhas seguem para o andar de cima, onde são classificas por função, ou seja, aquelas que serão o miolo do charuto (são três tipos) e a que vai envolvê-lo. Depois, passam para os funcionários que efetivamente enrolam os puros. Cada um tem sua responsabilidade e faz um tipo de cigarro (quase todas as marcas cubanas são feitas e os Cohibas, por exemplo, são os mais fortes e por isso possuem uma composição específica) do início ao fim. Por dia, a meta é de 80 a 130 charutos por funcionário. No mesmo andar, uma equipe verifica todos os cigarros com relação ao tamanho e à espessura, descartando aqueles que não se encaixam no padrão. Quem pisa demais na bola é penalizado no salário. Os restos de tabaco nas mesas são reaproveitados para a produção de cigarros.&lt;br /&gt;Já enrolados, os puros vão para o setor em que são encaixotados. Nessa parte, há uma porção de senhoras selecionando-os de acordo com sua cor. Dos mais escuros aos mais claros. A idéia é dar uniformidade à composição das caixas de charutos, ainda que a cor não seja tão importante para o sabor. Depois os habanos são novamente ordenados por tonalidades que, confesso, para mim, parecerem sempre a mesma. Só com olho bem treinado para distinguir e colocar em ordem. Finalmente, há os trabalhadores que colocam os anéis de fabricação e os que carimbam as caixas com códigos que permitem identificar a procedência e a data de fabricação. A ex-fumantes o passeio não é recomendável. O forte cheiro de tabaco no ar, combinado à atmosfera agradável do lugar – em que muitos funcionários estão fumando – , provoca uma tremenda vontade de acender um charuto na hora!&lt;br /&gt;Todos os habanos feitos aqui são destinados ao mercado internacional. Os funcionários podem levar três por dia para casa, com um abatimento no salário. A maior parte o faz e tenta vender os puros na rua, “clandestinamente”, aos turistas.&lt;br /&gt;Durante nossa caminhada os alto-falantes espalhados pelo prédio não param nem por um minuto. Dá até uma certa irritação, que se desfaz quando se descobre a sua função. O que está sendo lido é uma novela, um livro, elegido entre vários pelos funcionários. Um senhor, sentado em uma cadeira sobre um palco fica ali, interpretando o texto do romance para distrair a quem está ocupado trabalhando. “El es muy respectado por los demás”, diz a guia. Mas não é trabalho de um homem só e nem só de leitura de livros. Pela manhã, durante 45 ou 50 minutos, alguém também faz a leitura do jornal do dia, para que todos estejam informados, tarefa repetida à tarde.&lt;br /&gt;Sempre há alguém de bom humor para puxar assunto, como uma das funcionárias que enrola os habanos e que, ao descobrir, espantada, que eu sou brasileiro – achou que eu fosse alemão ou suíço – me pediu mais de uma vez para que eu a levasse para o Brasil. “Me encantan las playas Brasileñas”, argumentou. “Pero playas tienen aqui”, respondi. “Las playas brasileñas son más hermosas. Y quiero bailar la samba”, completou. Quando eu já estaba de saída ela me disse que ficaria me esperando (risos).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Brasil-il-il-il&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Quando se entra a um mercadinho cubano, a impressão é de que está faltando alguma coisa. E é abundância, certamente. As coisas são ofertadas mas em pequenos volumes. E me arrisco a dizer que desse pequeno volume, pelo menos 50% é de produtos brasileiros. Bolachas, pães, manteiga, carne, shampoo, enfim, um bom número de produtos leva o carimbo Made in Brazil.&lt;br /&gt;Mas não é esse o produto nacional que faz a cabeça dos cubanos. Aqui, sucesso mesmo são as novelas brasileiras. Se no nosso País já é terrível agüentar as longas tramas, que podem chegar a quatro, cinco meses, imagine aqui, em que elas são transmitidas somente três vezes por semana. Duram um ano...O engraçado é que não há intervalos comerciais, então o programa passa voando. No momento está passando Páginas da Vida. À arde também há uma novela brasileira, mas é um “Vale a pena ver de novo”.&lt;br /&gt;Além disso, como em que qualquer canto do planeta, há dois temas que, infelizmente, perseguem qualquer um que se define como tupiniquim: futebol e carnaval. Em relação ao primeiro, adoram dizer que somos os melhores do mundo, citam vários nomes de jogadores, mas especialmente os de Ronaldinho Gaúcho e Kaká. Aqui, o futebol ainda perde longe para o baseball em popularidade, mas está crescendo. Há transmissões ao vivo do campeonato nacional, bem como de jogos internacionais. Fiquei sabendo o resultado do amistoso entre Brasil x Itália por meio de um sujeito que me parou na rua ao ver a camiseta da seleção de vôlei do Brasil. Disse que sempre vê os jogos da seleção, seja no gramado, seja nas quadras.&lt;br /&gt;Sobre nossa festa popular, não sabem muito. Limitam-se a dizer que é o melhor do mundo e que gostariam de ver de perto mulatas sambando. Aqui, carnaval só rola em Julho.&lt;br /&gt;Outro assunto que surgiu algumas vezes foi Lula. Os poucos que falam do nosso presidente o fazem com admiração e ressaltam o fato de que nossos países mantêm boas relações. No dia seguinte à minha chegada peguei uma carona-remunerada com um senhor que sem cerimônia deixou o trabalho para levar-me onde eu precisava. No caminho, disse que as relações entre Cuba e Brasil são ótimas, que somos países irmão e que muitos brasileiros estudam medicina ali. Outro me parou numa lancheria para dizer que amava samba e que o que aproxima nossos povos é a alegria de viver. Ainda que não tenhamos tantos motivos assim para sorrir (nós, entenda-se, principalmente, os brasileiros), ele pode estar certo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Universidade&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Boa parte da primeira semana passei na Universidade de Havana. Foi uma cagada, diga-se. Cheguei em busca da professora Francisca Lopez, que era meu contato. Minha intenção era saber se havia a possibilidade de ingressar no Mestrado. Por fim, o mestrado em Estudos Interdisciplinares da América Latina e do Caribe não foi aberto e possivelmente não será mais. Mas me ofereceram outro, de História Contemporânea. A resposta definitiva, deles e minha ficou para o dia seguinte. Fui tomado por um certo pânico. Surgiram uma série de dúvidas na minha cabeça até que, apoiado por amigos, decidi por ficar. Decisão que durou apenas 24 horas, até fazer todas as contas e perceber que, sem ingresso nenhuma de grana, já que aqui trabalhar é quase impossível para estrangeiros, e graças ao impacto dessa merda de crise mundial – em relação a qual não tivemos responsabilidade nenhuma. mas afundamos junto - não posso ficar. Entre setembro do ano passado, quando estava inicialmente prevista a minha inda e agora, o dólar subiu 40%. Se alguém me garantisse que ficaria assim, que não subiria mais, assinava a matrícula. Mas como essa pessoa não existe e não sou mais filho de ficar pedindo dinheiro, empacotei o sonho e o enfiei na mala. O bonde passou e acho que, desse vez, definitivamente.&lt;br /&gt;Santiago&lt;br /&gt;A viagem de Havana a Santiago dura 14 horas. O bom é que ônibus atravessa Cuba, quase de ponta-a-ponta, durante a noite, o que torna o trajeto um pouco menos penoso. No ônibus, conheci um espanhol muito gente boa, Adan, que vive em Valladolid. O cara tem a vida feita. Não trabalha. Tem um baita apartamento que aluga e com a renda mantém seus vícios, que são os de viajar e fazer arte (que vão das plásticas aos documentários – disse que tem um novo filme sobre uma comunidade do Senegal de que vou gostar). Buenas, rendeu um bom papo e um a troca de endereços e promessas de visitas mútuas para continuar a prosa.&lt;br /&gt;Sobre Santiago de Cuba, o que posso dizer é o seguinte: pegue toda a amabilidade dos cubanos de Havana e toda a beleza da capital, multiplique por dois, e aí uma idéia do que é a cidade. Um espetáculo. Também com o mesmo ar decaído, mas com um povo extremamente simpático. É comum te abordarem na rua. É preciso ficar com o pé um pouco atrás, porque os jineteros atuam com força aqui. Mas a maior parte das pessoas quer mesmo é conversar e, se possível, ajudar. Por exemplo, eu estava num orelhão tentando ligar para Havana, para avisar a velhinha, Arely, de que não ia poder estudar por aqui e que assim não reservasse mais o apartamento que eu ia alugar. Não conseguia de jeito nenhum. Vieram duas pessoas me ajudar, e como com o cartão não estava dando certo, um me deu dinheiro! Sim, eu não tinha moeda local e o cara me deu dinheiro para eu telefonar.&lt;br /&gt;Quanto aos jineteros, não é nada que a paciência para dizer diversas vezes a palavra “não” deixe resolver. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Raul&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sobre prostituição rolou um longo papo com Raul, um motorista de táxi ilegal que me levou à Sierra Maestra (ele vai reaparecer mais adiante). O cara é uma figuraça e o assunto surgiu quando ele me contava suas aventuras pela Rússia, onde viveu por sete anos e, segundo ele mesmo, se divertiu aos montes. A curiosidade dele era saber quanto custa uma prostituta no Brasil. E emendou a pergunta sobre se eu já tinha achado uma “nobia cubana”. Eu disse que não e que não pensava no assunto no momento.&lt;br /&gt;Aí veio toda uma aula de como conquistar as cubanas na “Casa da Trova”. Digamos que não aprendi nenhuma grande lição, mas mais sobre como funciona o esquema aqui. Bem, os turistas ao ingressarem nos hotéis ou casas particulares fazem seu registro e, sempre que levam alguém ao apartamento, precisam dar os dados das pessoas também. Os caras nas casas e hotéis cobram mesmo a identificação, porque pode sobrar para eles, principalmente se a mulher for menor de idade. Se em um período de poucos meses uma mesma mulher (ou homem) é registrada(o) na companhia de mais de um estrangeiro, precisa prestar esclarecimentos à polícia. Se continua, a pena vai de multa à cadeia, e o dono do estabelecimento que não registra os hóspedes pode acabar inclusive no meio da rua, sem casa ou negócio. Ou seja, deve haver fidelidade ao companheiro eventual. Um mesmo par pode registrar-se um milhão de vezes, sem qualquer problema.&lt;br /&gt;Sobre as mulheres e homens que vão atrás dos estrangeiros, Raul garante que existe uma boa parte que não está interessada em fazer programa, mas em criar um relacionamento. Mas os interesses dos turistas normalmente são outros...os italianos por exemplo, tem uma reputação que não é das melhores aqui. Vêm única e exclusivamente pelo sexo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Encontrei Jesus&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Quando cheguei ao terminal da Viazul, em Havana, para pegar o ônibus a Santiago, a senhora que vende os bilhetes me perguntou se eu já tinha onde ficar. Disse que não e ela se ofereceu para arrumar alojamento para mim. Aqui as coisas funcionam assim. Sempre há alguém que conhece outro alguém que pode ajudar. E fiz uma ótima escolha ao aceitar a oferta.&lt;br /&gt;Cheguei em Santiago e Jesus estava me esperando com um cartaz. Junto com ele, um filho adotivo, Gilberto, que é músico. O carro é um jipe que estão reformando gradualmente. No dia anterior haviam colocado os vidros e trocado o motor por um novo, tirado de um Lada Niva. Tá ficando belezura e a cada dia o incrementam um pouco mais. Como não há uma oficina autorizada, se recorre aos vizinhos. Essa é outra característica cubana: todo mundo sabe um pouco de tudo, de carpintaria, de eletricidade e, é claro, de mecânica. No dia anterior ao em que saí da casa deles, haviam instalado um alarme para quando engatam a ré, que simplesmente acordava a vizinhança inteira...&lt;br /&gt;A casa da família é adorável, cheia de cômodos, sendo que o meu ficava num terraço. Baita quarto e a comida que servem na casa é disparado a melhor que desfrutei em Cuba. São todos muito amáveis, brincalhões, faladores. Marisol, a esposa, estava lesionada, havia caído no dia anterior e andava com uma cinta para manter o corpo firme. Jesus é professor de História que largou a educação para se dedicar exclusivamente a receber hóspedes, no que está indo muito bem. A casa está sempre cheia. Durante minha estada conheci Katrina, uma neozelandesa muito gente fina que está de férias e viajando por Cuba e México. Me deu boas dicas de lugares para conhecer.&lt;br /&gt;Logo que cheguei Jesus passou todas as instruções. Incluindo as referentes a trazer mulheres para a casa. Era obrigatório que fosse maior de idade e que se registrasse Eu disse para que não se preocupasse com isso que não traria ninguém. Ficou feliz da vida e disse que era a melhor escolha.&lt;br /&gt;No início da primeira noite em que estava em Santiago, nos convidaram (eu e Katrine) para irmos à sorveteria Copellia, a melhor da cidade, para degustar um helado. As filas, que eram muitas, impediram a estada por lá. Felizmente, o anfitrião possui um fornecedor direto da fábrica. Assim, optamos por voltar à casa e os refrescar com um sorvete conversando. Certamente, o melhor dessa estada foi o fato de que Jesus e Mari gostam de conversar e estão dispostos a responder tudo aquilo que lhes perguntam. E assim, com sorvete Copellia e rum (o pouco que restava no pequeno tonelzinho de madeiro secular que Jesus adquiriu de um marceneiro que trabalha na fábrica da bebida na cidade), o papo rolou solto.&lt;br /&gt;Começou com uma conversa sobre os preços em Cuba, já que aleguei não poder estudar aqui em razão da crise internacional e da alta do dólar. E pedi se efetivamente não havia alguma maneira de trabalhar. “Morrerias de fome”, afirmou Jesus. Disse que ainda que conseguisse um trabalho, que é coisa rara para estrangeiro, receberia em moeda local, o que não daria para meu sustento. A única alternativa, segundo ele, é encontrar uma grande companhia estrangeira com sede aqui e receber em dólares ou euros.&lt;br /&gt;O anfitrião fez comparativos entre o período que antecedeu o colapso soviético e hoje. A inflação, nos últimos anos foi galopante para os cubanos. Se em 1989, era possível ir a um restaurante com a família e satisfazer a todos com uns 30 pesos, hoje, o valor chega a 250. O mesmo vale para as bebidas, que subiram vertiginosamente. E há uma certa confusão com relação à moeda, já que algumas coisas,como o óleo de cozinha, por exemplo, só podem ser compradas com os CUCs. A cesta básica ofertada pelo governo a todas as famílias, hoje, é suficiente para aproximadamente duas semanas do mês. Para o resto do período, é preciso desembolsar os salários que, como em qualquer parte do mundo, cresceram bem menos que os preços.&lt;br /&gt;Diante disso, não podia deixar de perguntar se o povo sentia orgulho da revolução ou era propaganda do governo. A resposta foi a de que o povo não quer mudança de governo e nem de regime. Quer é que se resolvam os problemas que existem. Mas isso está demorando um pouco em razão das dificuldades econômicas enfrentadas por Cuba. Assim, evidentemente surgem os desgostoso, mas, segundo Jesus, a maior parte é completamente ignorante sobre o que se passa em países vizinhos, como a Guatemala, em que a pobreza é extrema. A maior parte dos cubanos acredita que a vida no capitalismo é uma maravilha e não reconhece alguns benefícios que o governo cubano concede e que não se encontra em muitas partes do mundo, como a saúde e a educação.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Que inveja&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A saúde aqui é realmente algo de deixar qualquer primeiro mundista de queixo caído. Há um médico policlínico para cada 120 casas. Ele é quem presta os primeiros atendimentos, quando necessário. O povo tem algumas obrigações, como, por exemplo, as mulheres a de fazer exames ginecológicos anualmente, sem falta. Esse policlínico, se identificar alguma necessidade especial de atendimento, dá uma ordem de consulta ao paciente, para que durante a mesma semana ele seja atendido por um especialista. A cada dia da semana, uma especialidade é abordada. Todo atendimento, todos os medicamentos e toda a internação, caso seja necessário, são gratuitos.&lt;br /&gt;Mulheres grávidas recebem atenção especial. Todos os meses recebem a visita de um médico ou vão a ele para tomar medidas, peso, etc. Também recebem do governo um kit especial com suplementos vitamínicos e minerais durante toda a gestação. Em casos de haver alguma probabilidade de aborto, são atendidas em casa, dispensadas do trabalho e, se for preciso, podem ficar internadas durante os nove meses de gravidez em hospitais criados especialmente para essa finalidade. São realizados todos os tipos de exame para identificar qualquer anomalia no feto. Se o problema é detectado, a gestante é consultada sobre se quer ou não fazer um aborto. Se diz que não, o governo a encaminha para acompanhamento psicológico, onde vai receber todo o tipo de instrução sobre as dificuldades de criar uma criança com problemas e, assim, fica ainda aberta a possibilidade de decidir por não ter o filho. A conseqüência é que, realmente, não se vê praticamente deficientes físicos ou mentais em Cuba.&lt;br /&gt;Com relação à Aids, a doença também não é um problema grande no país. Há constantes anúncios e programas educativos na televisão, instruindo sobre o uso de preservativos. Jesus garante que são raríssimos os casos de jovens cubanos que não se protegem hoje em dia, e que os casos não devem passar de 3 por mil (vou checar). A essa informação pública, soma-se ainda o trabalho nas escolas, em que a educação sexual também está presente no currículo. Como o acompanhamento à saúde é constante, o governo possui um mapeamento preciso do número de casos, informando inclusive a quantidade de infectados por cidade do país.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Educação&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Os analfabetos praticamente inexistem em Cuba. E a grande parte dos cubanos tem 12 anos de estudo. O ingresso na universidade depende do desempenho no que chama de preparatório e também de atividades paralelas, como engajamento em movimentos sociais e políticos. Os de melhor desempenho e de melhor “conduta” têm mais chances de entrar no curso que desejam. Normalmente, o estudante recebe uma lista com dez opções de graduação e dentre estas seleciona as quatro que mais interessam a ele. Há também o ensino técnico como opção e os que estão mais atrasados normalmente são encaminhados ao exército onde também recebem instrução e preparação para seguirem carreiras graduadas. “Desajustados, ou seja, jovens que abandonam o estudo e enveredam por outros caminhos, como alcoolismo, podem receber inclusive dinheiro do governo para voltarem às salas de aula. A maior parte dos cursos universitários tem duração de cinco ou seis anos.&lt;br /&gt;Ao concluírem a graduação, os estudantes têm uma obrigação social: trabalhar para revolução, onde o governo desejar, durante dois ou três anos. Ou seja, se são necessários engenheiros para atuar em construção de recursos fundamentas ao país em Santiago, são deslocados para lá. O trabalho social inclui, ainda, o voluntariado em casos de furacões ou outros desastres, em que os jovens são acionados a contribuir para a solução dos problemas.&lt;br /&gt;Taí uma boa medida que podia ser adotada pelo governo brasileiro. Estudou em federal, tem de trabalhar elo benefício comum por pelo menos dois anos. Acho que ajudaria a resolver, e muito, o problema de cotas, já que certamente ia ter muita gente preferindo pagar uma universidade particular a trabalhar para o governo em algum canto remoto do País.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;“Morrir por la patria es vivir”&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A frase faz parte do hino cubano e foi usada por Fidel para finalizar um texto escrito por ele no dia em que Fulgêncio Batisa deu o golpe de Estado em 1952. Foi em Santiago que Castro cresceu e começou a mudar a história de Cuba, com o ataque ao Quartel de Moncada, em 26 de Julio de 1953. Data que depois deu nome ao movimento guerrilheiro comandado por ele e que até hoje é um símbolo nacional. A tentativa de tomar o Quartel de Moncada é o fracasso que deu certo.&lt;br /&gt;A data do ataque não foi escolhida à toa. Por aqui o carnaval é celebrado na segunda quinzena de julho e os jovens rebeldes a elegeram justamente porque o clima seria de distração. A cagada da ação foram os sapatos. Sim, foram os sapatos civis utilizados pelos revoltosos que os denunciaram quando, utilizando uniformes militares, começaram a infiltrar-se no quartel. O alarme foi dado e o fator surpresa, fundamental para o sucesso da ação, foi perdido. No confronto, diz-se, morreram apenas seis partidários do comandante, mas nas horas que se seguiram, o número passou de 50. Os jovens capturados foram torturados e assassinados. As fotos são de arrepiar, principalmente as daqueles que tiveram os olhos extraídos.&lt;br /&gt;Os governistas, para justificar as mortes, espalharam os corpos pelo pátio do quartel e ao lado de cada um puseram um fuzil. Para completar o cenário, dispararam várias vezes contra as paredes do prédio e alegaram que os rebeldes não haviam dado outra opção que não a da troca de balas. O engraçado – triste, na verdade - é que vários uniformes de jovens mortos estão expostos. E nenhum apresenta perfurações de bala.&lt;br /&gt;Fidel acabou preso uma semana depois, apesar de alguns jornais terem noticiado que havia morrido em combate. O oficial que o prendeu não o levou ao Quartel de Moncada, mas a um posto policial, motivo pelo qual o futuro Comandante-em-chefe se safou da morte e o militar acabou condenado a 10 anos de prisão.&lt;br /&gt;Fidel fez sua própria defesa diante do tribunal, com o famoso discurso “A história me absorverá”. Vale a pena lembrar: “Condenadme, la historia me absolvira”.&lt;br /&gt;Como todos sabem, Castro saiu 20 meses depois da prisão, ainda que inicialmente condenado 15 anos de cárcere. As pressões populares fizeram Fulgêncio pensar melhor. Ou pelo menos ele achava que era melhor. Castro foi para o México, fez um tour pelos Estados Unidos arrecadando fundos com cubanos que haviam fugido da Ilha, comprou o Granma, armas e, em 1956, voltou. Dessa vez para triunfar. Viva Fidel!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Bayamo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;De Santiago tomei um ônibus a Bayamo. Viagem rápida, de três horas. Fui para a casa de Luiz e Amarilis, recomendada por amigos dos meus hóspedes anteriores. A casa deles é uma preciosidade de tão bem arrumada e a história para que chegasse a esse status, segundo o próprio dono, daria para preencher uma bíblia. Pelo pouco que fiquei sabendo, ele não exagerou.&lt;br /&gt;Sobre a casa, em síntese: pertencia a dois bêbados que a destruíram e depois foi trocada pela casinha pequena, mas muito conservada de Luiz (é preciso que o governo aceite a troca, baseada na avaliação dos imóveis); eles dormiram durante dois anos no piso da cozinha para deixar os quartos livres para hóspedes; a casa foi seno ajeitada aos poucos e achavam que não iam conseguir repará-la por inteiro,até que um dia um rico porto-riquenho apareceu e, sem pedir nada em troca, deu 2 mil dólares para que concluíssem a reforma.&lt;br /&gt;Luiz e Amarilis, antes de se tornarem arrendadores eram, ambos, engenheiros agrônomos, profissão do meu pai. Amarilis trabalhava numa fazenda do governo enquanto Luiz era um bastante respeitado entomologista. A vida mudou em 1994, no auge do Período Especial. À época, o governo cubano disse que quem queria deixar o país e ir aos Estados Unidos deveria comunicar esse desejo. E Luiz o fez. No dia seguinte, estava proibido de ingressar no seu lugar de trabalho, por ser um inimigo da pátria. O pior é que foi um impulso, já que pouco tempo depois ele tinha certeza de que queria ficar. Até recebeu um convite para voltar num subemprego, mas disse que por orgulho não aceitou. Assim, começou a produzir doces para vender na rua e depois postou nos picolés (240 por dia, segundo ele). Até que, por fim, decidiu ser arrendador e conseguiu a licença. Esse é um outro grande capítulo para a Bíblia de José, certamente. Mas confesso que me emocionei em ver o quanto ele sentia estar longe do seu antigo trabalho e dos experimentos que realizava.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Um adendo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Aqui, as residências qualificadas para receber estrangeiros possuem nas portas um símbolo azul. São duas setas, uma maior apontando pra cima e uma outra para baixo, que indicam sua aptidão como “arrendadores”.&lt;br /&gt;O processo para ser arrendador não é simples. Primeiro é preciso entrar com um pedido num órgão do governo que se dedica a isso. Em seguida, a residência é inspecionada para saber se há efetivamente, condições de receber visitantes. Depois é necessário apresentar um atestado de não-antecedentes criminais de todas as pessoas com mais de 18 anos que vivam na casa. A última etapa é feita novamente pelo governo e consiste em uma visita a vizinhos para buscar informações sobre sua conduta, relacionamento com os outros moradores, casos de alcoolismo ou drogas, etc. Jesus ( o de Santiago) disse que optar por ser arrendador não é uma coisa simples, também, porque implica o pagamento de diversas taxas ao governo. Uma delas, mensal e fixa, é de 230 CUCs (há quem diga 150 CUC), independentemente do desempenho dos negócios. Segundo ele, as altas taxas não tem como único objetivo alimentar os cofres do governo, mas também evitar a acumulação de riqueza por parte de poucos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;De volta a Bayamo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Bem, diante dos fatos que narrei antes, não era de estranhar que Luiz e Amarilis tenham críticas ao regime. Ele fez uma relação de queixas sobre coisas que acredita terem de mudar, principalmente para que Cuba avance. Reclamou dos impostos, reclamou que quase tudo que se faz é ilegal (sobre isso, leia adiante), que é necessário que ocorra uma flexibilização em algumas áreas e idéias, etc. “O problema é que o governo nos mostra uma xícara e diz que é preta, mas todos nós estamos vendo que é vermelha, entende? Não adianta me falar uma coisa se eu estou vendo outra. O povo quer ser recompensado pelo seu trabalho, quer ver as coisas melhorarem, o ideal sozinho já não vale”.&lt;br /&gt;Diante das críticas, o interrompi. “Desculpe, mas quando Fidel morrer, você vai festejar ou chorar?” Segundos de silêncio. “Llorar”. E aí a conversa engatou por outro rumo. “Aun que tengamos problema, Fidel siempre fue un hombre que lucho por un proyecto, por Cuba y por los Cubanos”. No dia em que anunciaram que Fidel estava muito mal de saúde, ele disse ter ficado o tempo todo com um nó na garganta.&lt;br /&gt;Por mais críticas que possa ter em relação ao governo, afirmou saber que é um privilegiado em muitos aspectos e acredita que Cuba dá exemplo inclusive a muitos países desenvolvidos. “Não é fácil para uma pessoa de outro país imaginar seu governo mandando um professor atender um aluno, um único aluno, que more na Sierra Maestra ou em qualquer parte de Cuba, para dar aulas particulares a ele, totalmente bancado pelo Estado. E isso acontece aqui”, disse. Me arrepiei inteiro quando ele disse isso. Ele percebeu minha emoção e disse que a entendia perfeitamente, porque a ele isso também tocava muito. Falou dos seus filhos (uma moça de 17 e um rapaz de 16) que estão numa escola interna da região, e de como eles, ao contrário de muitos outros jovens latinoamericanos, estão tendo a oportunidade de aprender com qualidade e poderão ser, por exemplo, médicos, o que custa muito em outras nações. Também elogiou a rigidez do regime em relação à exigência de que as crianças estejam na escola. Aqui, deixar o filho fora da sala de aula dá cadeia mesmo.&lt;br /&gt;Assim como deixar de cumprir com outras obrigações, como levar as crianças para vacinar ou, ainda, o já mencionado acompanhamento às gestantes. “Se uma mulher grávida falta a uma consulta, no mesmo dia tem alguém batendo aporta dela para buscá-la. Aqui em Cuba, se você precisar viver uma ida inteira ligado a aparelhos num hospital, vai fazê-lo e ninguém, terá de pagar um centavo por isso”, descreve.&lt;br /&gt;Reforçou, ainda , que uma cisa que aparentemente os cubanos não perderão é o sentimento de solidariedade. “Aqui se alguém precisa de alguma coisa é ajudado pelos vizinhos, pelo bairro. Se eu precisar de um telefone para ligar seja lá para onde for, certamente alguém vai surgir para me socorrer e resolver o problema”.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sierra Maesta&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Bayamo é a melhor opção de parada para quem quer conhecer o lugar em que os barbudos se refugiaram e de onde comandaram a revolução Contra Batista. Hoje, a área é um Parque Nacional, e nas proximidades há outros. Um deles – não pude visitar porque me faltava tempo ($) –, o Parque Nacional do Desembarque do Granma, que foi onde os guerrilheiros atracaram o barco que dá nome ao lugar e tiveram o primeiro embate com os governistas. Neste conflito morreram 70 pessoas do exército que Castro trouxe na embarcação - que na verdade tinha capacidade só para 25. Conta a lenda que ao reagruparem-se os poucos sobreviventes, Fidel disse: “se somos 12, a revolução está ganha.”&lt;br /&gt;Esse fracasso inicial é explicado pelo atraso na chegada do Granma a Cuba, motivada pelo mal tempo e pela decisão de Fidel de regressar com o navio para encontrar um dos combatentes que havia caído no mar. Com esses problemas, os ataques a postos policiais em Santiago, que serviriam para distrair a atenção dos militares, acabaram servindo é para alertá-los sobre o que estava acontecendo.&lt;br /&gt;Os sobreviventes seguiram para a Sierra, escolhida como reduto justamente em razão da dificuldade para o acesso por parte dos militares e a crença de que os camponeses, que viviam em uma miséria de dar medo, apoiariam a causa. Outros fatores que interferiram na decisão foi o do que os governistas necessitariam de tempo para enviar suas tropas, que concentravam-se em Havana, e o bom suprimento de água no alto das montanhas, o que impediria o governo de contaminar o suprimento.&lt;br /&gt;Hoje, o acesso à Sierra Maestra é pavimentado. O problema é que os meios de transporte até ela praticamente inexistem, obrigado quem quiser chegar ao local a pagar caro por táxi, ingresso e guia (que acompanha só no último trecho). Em Santo Domingo, um pequenino povoado que fica no pé da Sierra Maestra, é preciso desembarcar do táxi para comprar a entrada e receber a indicação de quem será o acompanhante. Os primeiros cinco quilômetros morro acima podem ser feitos a pé ou de carro. Pedi para ir caminhando, mas o guia suplicou para que fossemos de táxi (que precisa obrigatoriamente ter tração 4 x 4). Como não havia nenhum ficamos um tempo esperando, até que surgiu um caminhão russo, cheio de gente na caçamba. Era o pessoal da Rádio Rebelde, de Havana, que estava ali para desfrutar um prêmio concedido aos melhores funcionários do ano: conhecer o local em que foi fundada a rádio, pelos guerrilheiros, em 24 de fevereiro de 1958. Os barbudos a utilizaram para difundir as conquistas revolucionárias, instrumento fundamental para dar confiança ao povo e ganhar a sua simpatia. Deu certo. Afinal, os camponeses da região aderiram de forma massiva ao movimento e serviram como vigilantes que alertavam sobre a chegada de inimigos.&lt;br /&gt;Na carroceria do caminhão subimos cinco quilômetros. Em alguns trechos você não sabe se aprecia a paisagem ou se borra de medo, já que as subidas são tão íngremes que parece impossível que aquela baita máquina, carregada de gente, vai dar conta. Mas subiu. Da parada, são mais três quilômetros caminhando pela mata até chegar a área em que se assentaram os combatentes.&lt;br /&gt;Nessa parte do caminho, para minha satisfação – e mais ainda do pessoal da rádio – encontramos um Tocororo, a ave nacional de Cuba, que é coisa rara de se ver. Também proseei bastante com algumas das jornalistas da rádio que, apesar das queixas sobre o salário, se mostraram bastante satisfeitas por trabalharem nela e serem adeptas das causas revolucionárias. Junto estava o “Caminante de la Radio Rebelde”, um cidadão que, no ano passado, atravessou Cuba caminhando só para ir às comemoração pelo cinqüentenário da emissora. Apesar de mala, o sujeito era interessante por conhecer quase todos os programas da rádio nos últimos 35 anos. Para ter uma idéia, ele cantava jingles e vinhetas que ninguém mais conhece.&lt;br /&gt;A subida é sossegada e bonita. Foram feitas algumas paradas porque havia gente com mais idade e alguns com mais peso. Quando se chega a uma altura de uns 900 metros se vê uma pequena cabana, com telhado de folhas secas de coqueiros. Foi a primeira montada pelos guerrilheiros e que, depois de ser o quartel-general principal, serviu para diversas funções, de cozinha a postos de controle. Mais acima, em um lugar com vistas deslumbrantes, está o Museu a Sierra, uma pequenina casa de madeira que é a única não-original que há por aqui. No seu interior, objetos que pertenceram aos guerrilheiros, como as máquinas de escrever com que Fidel escrevia sua correspondência e discursos, fotos e textos explicativos, além de uma maquete de toda a Sierra.&lt;br /&gt;Seguindo pelo caminho, uns poucos passos adiante, esta a área que serviu como cemitério durante os anos de combate. Agora, apenas um corpo resta ali, o do general Rodriguez que, antes de morrer pediu para permanecer na Sierra Maestra se caísse em combate. Os demais corpos, ao final da revolução, foram trasladados.&lt;br /&gt;Conhecedo a casa em que Fidel morava nos períodos em que estava na Sierra (não eram muito longos, já que ia para os combates), as outras instalações, como a cozinha, o posto de controle, etc.. dá para ter uma idéia do tamanho da entrega desses homens à causa revolucionária. E de quão bem se prepararam para a luta. No ponto mais alto que alcançamos, ainda estão os transmissores e a antena da Rádio Rebelde.&lt;br /&gt;Meu camarada Diego, mais conhecido como MC Jeléia (com J mesmo), me perguntou qual a sensação de estar em um lugar como a Sierra Maestra. Fiquei pensando nisso por dias e acho que a melhor palavra para definir é orgulho. Porque ali não importava cor, raça, classe social ou qualquer coisa. Lutava quem queria a revolução e, principalmente, justiça social. Ou seja, foi um dos raros momentos da história em que realmente, como dizem os comunistas, foi formado um “coletivo”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O irmão&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ainda que Fidel seja um Deus para a maior parte dos cubanos, seu irmão, Raul, é visto com bons olhos pela maior parte das pessoas, que acreditam que ele esteja com o pulso mais firme do que o velho barbudo que tanto admiro. No ano passado, quando estive em Cuba, uma coisa que me impressionou negativamente foi a grande oferta de drogas que existia pelas ruas. Era um tal de “do you want Charlie?”(cocaína) para todo o lado. E estranhei que desta vez, ainda que tenham me oferecido umas duas ou três vezes, quase ninguém sugeriu uma carreira. Segundo a dona Estilita (vai aparecer adiante), no ano passado o Raul foi pros meios de comunicação e avisou que em 72 horas acabava a palhaçada. E aparentemente o homem não tava de brincadeira. Mesmo os problemas pequenos e esporádicos que começavam a surgir, como os de furtos e roubos entre cubanos, voltaram quase à estaca zero.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“O problema de Cuba é que, do momento em que levantamos, até o momento em que vamos dormir, estamos cometendo irregularidades.”&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A frase, dita pelo taxista – ilegal, é claro - Raul me chocou um pouco quando ouvi, mas foi confirmada inclusive por gente do Partido Comunista, que admitiu que o pessoal em Cuba “usa a esquerda”, expressão que quer dizer, no caso, a mão que normalmente descansa, no trabalho paralelo, para buscar mais recursos e ampliar a renda. De fato, é difícil viver sem cometer irregularidades, principalmente porque o governo mantém algumas regras que beiram à estupidez. Exemplos? Você não pode ir na casa de um camponês e comprar uma alface, frutas e carne. Isso só pode ser adquirido em lojas do governo. E é fundamental manter a nota fiscal da compra consigo. Porque se você está transitando por uma estrada e a polícia te pára com a mercadoria, não só a comida, mas também o veículo, que são apreendidos. Outro: mesmo que meu melhor amigo seja cubano, só poderei ficar hospedado na casa dele se pagar uma taxa para isso. Não posso nem mesmo tomar uma carona com ele sem ir antes à imigração e pagar para ter esse direito.&lt;br /&gt;Assim, plantando burocracia, o que se colhe é fraude. Funcionários do Estado vendem a gasolina que tiram dos caminhões públicos, gente que trabalha nas fábricas de rum desviam litros de bebida diariamente para comercializar com os vizinhos, pessoas comercializam de tudo no mercado negro, etc.&lt;br /&gt;Acredito que todos os desvios sejam reflexo também de outra queixa dos cubanos, o salário. O mais baixo gira em torno de 10 dólares ao mês. Os mais altos é o dos médicos e dos policiais (claro que políticos fogem à regra) que chega a passar dos US$ 25. Antes que alguém arranque os cabelos e comece a espalhar que isso é um horror, que é indigno, leia até o final.&lt;br /&gt;Parece pouco mesmo. Ninguém viveria com isso no Brasil (se bem que há gente que ainda não vive com muito mais), mas em Cuba sim. Sem luxos, sem grandes comidas (a carne é o maior problema, especialmente a de rês), mas vive-se. Por exemplo, existe, ainda, a libreta, com que os cubanos, a cada início de mês, se encaminham aos mercados do governo para retirar a sua cuota de alimentos subsidiados. A “cesta básica”, segundo a maioria dos consultados, dá para uns quinze dias, e sai por 20 pesos cubanos nacionais, ou seja, algo como 80 centavos de dólar.&lt;br /&gt;Para quem não sabe, os cubanos também não pagam impostos como IPTU, por exemplo. A casa ,na maior parte dos casos, tem dono e ele não paga nada e ainda pode se dar ao luxo de, caso exista algum problema, chamar alguém do Estado para reparar.&lt;br /&gt;Some-se a isso o fato de que nenhum cubano paga qualquer centavo pela educação e pela saúde, e efetivamente se pode viver. O problema é que muitos estão deixando de trabalhar em conseqüência da baixa remuneração e buscando a vida nas ruas, jineteando (a maioria) ou fazendo somente bicos. Trabalho oficial não falta, como é confirmado por qualquer cidadão a que se pergunte. O que falta, para muitos, é realmente interesse no “coletivo”. Cresce uma sensação de que o Estado precisa tomar medidas logo para mudar a vida das pessoas. Ou faz isso, ou corre o risco de o barco ficar cada vez mais vazio. Afinal, foi o próprio Fidel quem disse que “revolución és cambiar todo lo que necesita ser cambiado”.&lt;br /&gt;Rafael, taxista que me levou ao aeroporto para deixar Cuba, disse que o que frustra é que mesmo com uma ótima formação, no fim não é possível ficar na profissão que se quer, porque muitas pagam pouco. Ele, por exemplo, deixou a engenharia para ser, nessa ordem, combatente cubano na Angola, caminhoneiro e taxista. O Lada que dirige, da Cubataxi, pertence ao governo, qe fornece as peças e a manutenção, mas em troca exige que, diariamente, ele consiga 60 Cucs em corridas. Não me disse qual o percentual que fica com ele, mas se quiexou, alegando que preferia ter dinheiro para cuidar ele mesmo do carro, porque teria mais cuidado, afinal, seria seu. Não agüentei e disse: “mas ele é teu, só que também de todo mundo”. Não respondeu.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Campo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Na viagem de Santa Clara (vou falar da cidade adiante) a Havana, sentei ao lado de Alberto, professor de Economia da Universidade de Ciego de Avilla. Muito boa gente, bom papo. Elogiou o Brasil de cabo a rabo, deu argumentos econômicos para explicar os motivos que o levam a fazer isso e disparou um caminhão de perguntas. Algumas delas impossíveis de responder, como explicar os impostos no nosso País. No meio do papo, chamou minha atenção ao problema da baixa produção agropecuária cubana. No percurso entre as duas cidades (e isso se repete na maior parte do País), o que mais se vê são terrenos que poderiam ser produtivos, tomados por arbustos e ervas daninhas. De vez em quando esse vazios são interrompidos por plantações de cana, que impressionam pelo baixo tamanho dos pés, e por rebanhos, que também desanimam pela magreza (se bem que estamos no período seco).&lt;br /&gt;Segundo meu amigo economista, para um país ter carne de rês suficiente, precisa de pelo menos duas cabeças por pessoa, no pior dos casos. Em Cuba, acredita (não sabia o dado oficial), o número não passe de 0,2 cabeças por pessoa. Aparentemente, diz ele, agora o governo está despertando para o tema que só ficou evidente – como evidente ficou o descaso com o setor agropecuário – no chamado Período Especial, que sucedeu ao fim da União Soviética. As medidas estão começando a surgir, ainda que um pouco incompletas. Por exemplo,o Estado está disposto a ceder terras a quem quiser produzir (pelo que averigüei, três hectares por pessoa), mas o problema é o incentivo para começar a produção, que inexiste. Ou seja, não vai ser de um dia pro outro que as coisas vão mudar. O fato de Cuba ser extremamente dependente de exportações ferra com a economia e com o poder de consumo do povo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Trinidad&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A Trinidad, cidade no centro-sul cubano, vou dedicar umas poucas linhas. Não que ela não seja linda, que o povo seja mala, nada disso. Mas é que, digamos, foi onde menos conheci gente e me diverti. Pontos positivos? O primeiro, a praia de Ancoa, que é fantástica. Na verdade não fui exatamente nela. Depois de caminhar uns 10 quilômetros indo, parei numa praia deserta que já estava pertinho das povoadas. Puta lugar lindo, água azul turquesa, profundidade mínima e o melhor, tudo só para o alemão feio aqui. Solito, tranquilito. Segundo, a cidade em si, que é simpática e Patrimônio da Humanidade, e o Vale do Engenho, que fica ali perto e foi o antigo reduto dos senhores do açúcar cubano. Alí tive uma primeira impressão das condições do campo em Cuba, o que no fundo é bom para ver que há o que melhorar. Terceiro, a comida feita pela Aneli, dona da casa em que fiquei, que era realmente de primeira. Quarto, ter encontrado o primeiro brasileiro perdido em Cuba, o Elias, de Brasília, com quem só consegui trocar umas poucas palavras porque ele já estava se preparando para pegar o ônibus a Havana e retornar a Brasil. Me reconheceu pela camiseta do Ratos de Porão.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;I wanna rock´n´roll all night&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Já havia passado por Santa Clara na viagem anterior, com meu irmão. Mas quis voltar para ir outra vez no Mausoléu do Che. Foi bom. Primeiro porque encontrei minhas amigas japonesas que conheci no México ali. Havíamos combinado de nos vermos em Havana, mas a casualidade nos reuniu antes.&lt;br /&gt;O Mausoléu é lindo e tem umas coisas realmente inspiradoras, como a carta que Fidel escreveu quando trasladaram os ossos do Che para Cuba. Depois eu acrescento aqui um trecho da carta que o Fidel escreveu quando inauguraram o lugar.&lt;br /&gt;Mas o ponto forte dessa parada foi Pedro, um cubano (haverá outro Pedro, brasileiro, adiante) que é mecânico, está sem muito trabalho e por isso vive de um pequeno salário do governo. Tornou-s e uma figura folclórica na cidade, tipo o Velho do Saco ou o Louco da Rodoviária. Eu tinha saído de casa só para dar uma volta e ele me abordou porque eu estava com uma camiseta de heavy metal. Perguntou se eu era roqueiro, eu disse que metaleiro, e aí ele colou. Declarou seu amor ao Led Zepppelin, ao ACDC, ao KISS e até fez um showzinho com uma guitarra de ar e um inglês inovador para eu ter certeza de que ele tava falado sério.&lt;br /&gt;Contou sobre o dia em que o Sepultura esteve em santa Clara, ano passado, dando uma entrevista. Deu detalhes de como foi, a quantos metros ficou do scaras, enfim, uma figuraça, com bem lá seus 50 e poucos anos. Aí olhou para mim e perguntou se eu queria ir com ele num show que começava às 17h num centro cultural. Fomos. No caminho me contou da sua vida, da vez em que foi preso por estar acompanhando um estrangeiro e de como escutava rock escondido, de como demorou para o governo cubano abrir a mente, etc . Teve de sair lá pelas 18h45, para buscar um filho no colégio. Mas me fez um pedido. Uma camisa do Kiss. Vou corromper o regime e mandar a camiseta.&lt;br /&gt;O centro cultural é bem legal. Simples, um monte de mesinhas um lugar que fizeram ser o palco (mas é no chão) e uma banda. Uma vez por mês o espaço é aberto para o metal e toca o conjunto escolhido pelo público neste intervalo de tempo. No dia, tocou a Azotobacter, uma banda que é considerada uma das melhores de Cubá. Realmente manda bem. Conheci neste dia, por meio do Pedro, o H., que é um dos organizadores dos shows na casa e também do festival da cidade, o mais tradicional de Cuba. Foi um papo massa, uma troca boa de informações e também alguns detalhes bons sobre a cena cubana de música pesada.&lt;br /&gt;Há 10 anos, por exemplo, não era possível ser cabeludo em Cuba. Podia dar cana. E de fato, durante muito tempo, inclusive Beatles não se podia tocar. As bandas de metal cubanas, em sua maioria, destoam de outras partes da América latina por não expressarem mensagens políticas fortes. Não preciso explicar a razão, preciso? E aí perguntei se ele achava que os jovens cubanos têm orgulho da revolução. Disse que a sensação entre os jovens é de que a revolução que se conseguiu não foi a que se sonhou. Que o que eles querem é o direito de terem, por exemplo, sua própria loja, sem interferência do governo, poder fazer o que quiser com o dinheiro, etc. “Bem, poder fazer o que se bem entende com o dinheiro, abrir sua loja, ganhar dinheiro assim etc., é capitalismo”, argumentei. Ele concordou. E admitiu que a revolução tem muitas coisas boas e que sabe disso.&lt;br /&gt;Aliás, muitos cbanos têm uma visão meio besta sobre o capitalismo. Continuam vendo um conto de fadas que não existe. Devem pensar que com 400 dólares o cara é rico nos Estados Unidos e, em busca dessa merreca (porque ao contrário do que acontece em Cuba, nos EUA, US$ 400 é uma merreca) se aventuram a cruzar o oceano e começar uma nova vida, mesmo em empregos degradantes. Como é o caso de um dos mais famosos médicos de Bayamo e de Cuba, que emigrou para os EUA, e somente oito anos depois conseguiu trabalhar num hospital. Mas como enfermeiro. E aí me contaram também de casos de gente que quer voltar. Isso fica difícil. O governo cubano classifica essas pessoas como desertoras e para que possam ser cidadãos outra vez, é um processo dificílimo.&lt;br /&gt;Por isso, é preciso sempre dar uma pisada no freio quando começam os papos de liberdade com eles. Na maior parte dos casos, eles confundem liberdade com consumo. E aí é difícil para entenderem que um cara como eu, no Brasil, sou um privilegiado. Que se você precisa ir para um hospital público, corre o riso de morrer no corredor. Em suma, o pior quadro que vi de Cuba (evidentemente devem haver muitos e talvez algum pior) não é, nem de perto, pior que um brasileiro. Acho que os nosso ainda vem com a moldura do desespero.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Mas bah!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Estou eu transitando pelas ruas de Havana com minha camiseta do Partido dos Trabalhadores quando decido entrar numa livraria, ali na Cale Obispo, a principal de Havana Vieja. Tava olhando os títulos e os preços e um cara me perguntou se eu sou brasileiro: bingo. Tchê loco, encontrei um baita camarada para passar o resto dias, ainda que seja um mirinzinho que mal saiu das fraldas – tem só 22 anos o piá! – e por isso mesmo ainda torce para aquele time lá da Beira-Rio, em Porto Alegre, que, se não me engano, se chama Regional, ou coisa parecida.&lt;br /&gt;O cara além de gente fina é admirador do Fidel. Não podia dar noutra que não uma boa camaradagem, regada a cervejas, cigarros e um falatório que não parou mais.De política a filosofias cujos conteúdos são fantásticos, porém impublicáveis, valeu a pena ter encontrado uma boa parceria para desbravar ainda mais Havana e a mentalidade dos cubanos. Foi no primeiro dia em que nos encontramos, e que fomos para um boteco na beira do Malecon, que conhecemos Lincha, ou, se preferir, Lázaro, o amante da novela Escrava Isaura e que abre o próximo capítulo.&lt;br /&gt;“Se tudo é de todos, eu não quero um governo para me controlar e controlar o que eu tenho”&lt;br /&gt;Lázaro foi chegando, até que pediu se podia sentar-se conosco. Sentou e dali não saiu mais. O papo começou com as novelas. Eu estava no banheiro quando isso aconteceu e na volta me perguntou – dizendo que Pedro já havia errado – qual a melhor de todos os tempos. Aqui, amigos, não titubeie. Pode mandar Escrava Isaura que o índice de acertos é altíssimo.O papo foi pro futebol, passou pelo carnaval e daí descambou para coisas mais interessantes (pelo menos para nós): a vida em Cuba.&lt;br /&gt;Durante a conversa apareceu um cara, de 20 e poucos anos, e mostrou, na mesa, um canivete que queria vender. O tal do Lázaro ficou uma pistola. Mandou o sujeito sair dali ou chamaria a polícia. Disse que o cidadão devia estar louco, não podia estar pensando bem, porque podia pegar uma pena séria por andar com o canivete. Aqui é proibido portar qualquer objeto que possa ser utilizado para ferir outra pessoa. Se você vai num mercadinho comprar uma gilete para fazer a baba deve guardar a nota até chegar em casa, porque se um guarda abordar na rua, é preciso apresentá-la, para que ele saiba que você está transitando com ela somente porque a comprou há pouco tempo.&lt;br /&gt;No começo, Lázaro parecia favorável à revolução, mas gradualmente foi mudando o discurso, até chegar ao ponto de dizer que o país é uma merda.Disse que a revolução fracassou e ele não tolera muito a figura burocrática do Estado. “Se tudo é de todos, eu não quero um governo para me controlar e controlar o que eu tenho”, argumenta. Reclamou muito da falta de liberdade relacionada a uma série de temas. Falou sobre Camilo Cienfuegos e sua morte (acidente de avião), dizendo que ela acontece, em verdade, porque Camilo não concordava com os rumos da revolução. Falou de Martí para argumenta que quem deveria ser realmente venerado – é que Martí tem suas frases e feitos lembrados em todos os cantos de Cuba – é Maceo, outro herói da independência, que ao morrer, tinha 39 marcas de bala no corpo.&lt;br /&gt;A esta altura, estávamos mudando de bar, para um bem fuleiro. Voltando às liberdades, reclamou da perseguição que sofrem os cubanos. Disse que a aproximação a um estrangeiro pode ser o início de problemas. O governo quer controlar isso para evitar a ação dos jineteiros. Assim, quem é advertido duas vezes, na terceira vai em cana (perguntei sobre as cadeias aqui a Rafael, o taxista, e ele me disse que o sistema é bom, sem superlotação e que a maior parte dos detidos é por esse tipo de crime). Contou que na região de Miramar, onde se concentram as casas de embaixadores, cônsules e de políticos cubanos, onde, segundo ele, os cubanos podem ter problemas ao transitar – acho que é um pouco de exagero, porque cainhamos por lá e tinha uma porção de cubanos. A polícia foi outra queixa. Disse que os caras são uns tremendos tapados. Pelo que entendi sofrem da síndrome de “pequena autoridade”. Assim, param as pessoas por parar, perguntam por perguntar e normalmente não entendem as respostas. Um exemplo que o Lázaro deu: estava caminhando em Miramar quando foi parado pela polícia. O cara pediu os documentos, ele mostrou, e aí veio a pergunta: “O que você está fazendo aqui?”. Ele disse que, de sacanagem, respondeu; “Como assim, eu estou em Cuba!”. E as perguntas e respostas se repetiram algumas vezes até o pé-de-porco se enfezar e perguntar se Lázaro era palhaço. E ele continuou: “No, estoy em Cuba!”&lt;br /&gt;No mesmo boteco em que tivemos essa conversa, enquanto os poucos gatos e gatas pingados que estavam nele bebiam seu rum, sua cerveja e dançavam salsa - uma cubana até me tirou para dançar, mas digamos que eu não correspondi às expectativas -, conhecemos Juan. É com ele que vou abrir a parte dois desse relato. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;P.S. Há uma teoria em Cuba de que quem sabe dançar muito bem, trepa muito mal. Deve ser verdade! kuakuakua&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-8735104517254719932?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/8735104517254719932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=8735104517254719932' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/8735104517254719932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/8735104517254719932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2009/03/cuba-parte-1.html' title='Cuba - Parte 1'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-897434793841796088</id><published>2009-03-04T09:44:00.000-08:00</published><updated>2009-03-04T09:48:04.817-08:00</updated><title type='text'>Na Venezuela</title><content type='html'>Ja cheguei em Caracas. E devo retoma ro blog em breve.&lt;br /&gt;Sai com o peito apertado de Cuba.&lt;br /&gt;Beijos e abracos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-897434793841796088?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/897434793841796088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=897434793841796088' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/897434793841796088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/897434793841796088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2009/03/na-venezuela.html' title='Na Venezuela'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-2637388101239429424</id><published>2009-02-05T16:12:00.000-08:00</published><updated>2009-02-05T21:30:08.671-08:00</updated><title type='text'>Aqui manda el pueblo y el gobierno obedece</title><content type='html'>Pois bem , se aproxima a hora de deixar o México. Minha última etapa nessa terra é a região de Chiapas, onde se concentram os zapatistas. A frase que intitula essa postagem é vista em placas colocadas na entrada de todos aqueles municípios que se declaram autônomos e seguidores do movimento.  A primeira vez que vi esse aviso, sobre a área zapatista, foi numa pequeníssima comunidade que fica entre a Cidade de Ocosingo e as ruínas de Toniná. Arrepiei inteiro. Lindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui atrás de informação sobre os melhores “caracóis” a serem visitados. Me recomendaram Morelia – quem recomendou foi a avó da Amanda, de quem falo mais tarde –, mas com a ressalva de que talvez não me recebessem. Outros sugeriram que eu fosse primeiro a Oventik, que é um grande centro zapatista e conhecido por ser o "centro zapatista para o mundo" e lugar em que celebram sempre o ano novo. Pois fui barrado na porta...Não tinha meu passaporte comigo, só as carteiras de identidade e jornalista, o que não foi suficiente para os encapuzados me deixarem passar. Como amanhã sigo viagem, esse contato fica para uma próxima. Na verdade, esse caracol em particular me desapontou um pouco. Quando busquei informações sobre ele, me disseram que era mais fácil eu ir com agências de turismo. Estranho! O capitalismo é uma merda mesmo. Mas isso não tira o brilhantismo da luta. Viva Zapata e essa gente que desde 1994 coloca pedras no sapato governista mexicano. Sua luta é simplesmete por seus direitos que são vergonhosamente esquecidos. Lutam,também, para que aquela velha máxima de que "a terra deve ser de quem trabalha nela" vigore.&lt;br /&gt;Aliás, quando se chega ao estado de Chiapas não restam muitas dúvidas de que se trata do mais pobre do México. As viagens pelas estradinhas que cortam ou passam perto das localidades desvelam verdadeiras favelas e gente pobre, muito pobre. Estima-se que só metade dos indígenas chiapenses tenham acesso à água potável em casa e menos do que isso tenha saneamento básico. Educação? Sãoospiores do país. Ou seja, o quadro é feio mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Toniná&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Logo depois que o ônibus iniciou as 12 horas de viagem entre Oaxaca e San Cristobal de Las Casas, de onde escrevo, uma guria cutucou o meu ombro. “Vas a San Cristobal?”. “Si”. “De onde eres?”. “Brasil”. "No creo". E a essa introdução - que se repete várias e várias vezes ao longo da viagem - seguem-se pelo menos oito horas de bom papo. Amanda tem 20 anos, estuda fisioterapia e é um doce de pessoa. Não gosta muito dos zapatistas, que tomaram as terras de seu pai. “Pero también no me desgustan”, arremata. Bueno, conheci tudo e mais um pouco sobre a cidade de San Cristobal pela guria, que um dia depois se ofereceu a ir comigo até Toniná para apresentar as ruínas.&lt;br /&gt;O dia chuvoso não atrapalhou. Ela estava em Altamirano na casa da avó e foi me encontrar em Ocosingo, para onde me dirigi de ônibus. Dali, pegamos um colectivo hasta Toniná. As ruínas desse antigo reduto maia não são nem de perto as mais bonitas que vi, mas tem um charme. Principalmente em razão da sua forma construtiva (sempre morro acima) e das vistas que se podem ser apreciadas do alto dos templos. Toniná foi uma cidade cujos governantes tinham um grande fascínio bélico (principalmente os últimos). Isso está traduzido nos vários painéis que retratam os prisioneiros amarrados. Foi a cidade que derrotou por exemplo, a vizinha Palenque, além de vários outras. E provavelmente a última a “desaparecer” misteriosamente, como sempre aconteceu com esses povos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;San Cristobal&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;San Cristobal tem lá seu charme. Ruas estreitas, casas com estilo colonial para todos os lados e um frio que convida ao chocolate quente e à coberta. Caminhar por suas ruas é uma boa diversão, ainda mais que estamos na baixa temporada e não há tanta gente assim. Vale a pena, também, o Museu do Âmbar, produto que é uma verdadeira relíquia para os locais. Sim, âmbar com mosquitinho e tudo, como no filme Parque dos Dinossauros. Aliás, com insetos, as jóias ou enfeites custam bem mais do que sem eles. Existem sete cidades da região que são famosas por extraírem de minas essa seiva petrificada. Os trabalhadores exgtraem por mês, somente 1 quilo do produto. O grama vale de acordo coma qualidade da peça. A guia do museu disse que muitas famílias vivem pelo menos quatro meses do ano da extração do âmbar, ainda que ela seja extremamente perigosa. No resto do tempo, se dedicam à agricultura.&lt;br /&gt;Outro lugar que vale a pena visitar é o Centro de Estudos da Medicina Maya, mantido por um grupo de pesquisadores interessados em assegurar a preservação do uso de medicinas naturais e ritualísticas dos povos indígenas. O lugar está longe de ser impressionante em termos de estrutura, mas para conhecimentos sobre hábitos regionais é parada obrigatória. E o vídeo do parto de um indiozinho deveria ser antecedido por um alerta para quem tem estômago fraco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O verme&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Pouco depois de escrever a postagem que antecede a esta sai com três israelenses, três suecas e uma australiana. Fomos para um bar. Como a porra do gusano está em falta no mercado porque não chovee não podia ir embora da região sem devorar um, trapaceei e acertei com o garçom que o verme do mezcal deveria cair no meu copo. Não teve dúvida. Lá veio o bicho e, claro, o devorei. Digamos que é como mezcal em forma de verme e com um pouquinho de pegamento.&lt;br /&gt;Buenas, mas não foi se de verme que eu vivi em Oaxaca, a terra da boa comida mexicana. Comi o famoso mole negro, memelitas, chicharrones , quesadillas, tlayudas...enfim, um espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é isso queridos. Não sei se em Cuba terei acesso tão fácil ao computador e por isso, se acaso eu não escrever por um bom tempo, fica um forte abraço cheio de saudade.&lt;br /&gt;Hasta siempre!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-2637388101239429424?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/2637388101239429424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=2637388101239429424' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/2637388101239429424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/2637388101239429424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2009/02/aqui-manda-el-pueblo-y-el-gobierno.html' title='Aqui manda el pueblo y el gobierno obedece'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-5032924433540651404</id><published>2009-01-31T18:20:00.000-08:00</published><updated>2009-01-31T18:23:19.432-08:00</updated><title type='text'>De volta à estrada</title><content type='html'>Quando entrei no ônibus que leva da pequena Ocotlán à cidade de Oaxaca, onde estou hospedado, restava apenas aquele maldito banco que fica localizado exatamente onde está o eixo do ônibus e as rodas. Sentei na poltrona que ficava no corredor, porque as pernas não serviam. Em seguida, um senhor entrou no ônibus e viu o lugar vago. Fez cara de cu, mas não abriu a boca. Até que eu o cutuquei e perguntei se queria sentar-se. E aí sua feição já mudou. Ele sentou, meolhou e soltou um “thank you very much”. Respondi com um “por nada”. “Usted habla español?”. “Si, hablo”. E a partir daí a conversa foi uma delícia. Juan Hernandes (me mostrou até a identidade)  trabalha na terra, em terras que não são tuas. “A terra não é de quem trabalha, é de quem tem dinheiro e manda os outros trabalharem”, descreveu. Tem nove filhos. Um deles está nos Estados Unidos, onde ganha a vida do jeito que pode. É professor de física, mas não conseguia emprego no México. Os outros todos estão estudando. “Siempre hice inversiones em los estúdios de mis hijos”, falou com orgulho. Não lembro o que cada um faz, mas sei que dois são veterinários e uma é professora.&lt;br /&gt;Juan se queixou do país um bocado. Do governo Panista, principalmente. E disse que a repressão no sul do México é absurdamente forte. “Aqui nos matan como se estuviesen cortando las uñas. Nadie habla nada porque tiene miedo”, referindo-se á perseguição aos jovens e aos herdeiros de indígenas por parte de quem manda no país. Disse que o povo quer terra e, mais que isso, dinheiro para poder trabalhar a terra. Me disse que, ao me ver, pensou que eu era americano. “Hay gente buena em los Estados unidos, pero la mayor parte no me gusta”, disparou, antes de lamentar a parceria do seu país com o que fica ao norte. “Hoy nuestro presidente esta viajando para hablar sobre el masacre em la Palestina”. Nâo entende - assim como eu – como podem deixar Israel fazer o que faz. Ou melhor, entende – assim como eu: “porque reciben la ayuda y lãs armas de los Estados Unidos”. Antes de baixar d ônibus, me cumprimentou, desejou o melhor para minha família e para mim e disse para eu aproveitar em Cuba: “me usta mucho la política de Castro”.&lt;br /&gt;Buenas, aqui em Oaxaca há manifestações pró-Palestina em todas as partes. Já haviam me dito isso – e se confirma  que quanto mais ao sul eu for, mais gente engajada políticamente vou encontrar. Afinal, é nessa região que estão os estados mais pobres. É aqui que estão os zapatistas. Mas é aqui também que o exército e a polícia reprimem mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Adiós D.F.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Deixar a cidade do México para trás me doeu mais do que imaginava. No fim das cntas, fiz boas amizades no albergue, especialmente com as gurias que trabalhavam nele, assim como também com os japoneses na escola de espanhol. As primeiras providenciaram uns cartões postais do Zocalo, que sabiam, era a minha região preferida da cidade e escreveram mensagens que vou guardar pra sempre. Já os amigos japoneses me chamaram para um bar para beber. Tava muito engraçado, ainda mais que se emborracham logo.&lt;br /&gt;O problema de ficar muitos dias sem escrever é que se esquece fácil do que ficou pra trás. Mas vou tentar recapitular um pouco. Buenas, fui a dois jogos de futebol. Um do Cruz Azul contra o Atlas. Massacre de 4 x 0 para os donos da casa. O outro do Pumas contra o Santos. Mísero 1 x 0 com golzinho de pênalti. Apesar do resultado, o bom mesmo foi o segundo, no Estádio Olímpico de 1968. O futebol deixa um pouco a desejar, mas a torcida é divertida e bem apaixonada. Os hábitos alimentares também são algo... Acho que já escrevi isso, mas repito: o esporte nac ional mexicano é comer. Caraca, onde você for vai encontrar comida, com certeza. E nos jogos não é diferente. Passa gente vendendo tudo quanto é tipo de comida. E é impressionante o quanto se come. Claro que tudo apimentado e, por isso, a cerveja é uma questão de tempo. No estádio do Pumas, elas vinham em verdadeiros baldes. Não é uma queixa, só uma contestação, afinal, não posso cuspir no copo em que bebi!&lt;br /&gt;Oura coisa que fiz foi percorrer o bairro de Coyocán todinho. Já havia estado por lá, no Museu da Frida, mas não tinha dado ao bairro a atenção que todos me diziam que ele fazia por merecer. De fato, o lugar e bonito, acolhedor. Aproveitei para passar pela casa do Trostski. Mas não pude entrar, porque estava fechada.&lt;br /&gt;Ah, também fui à Basílica de Guadalupe, que já supera o Vaticano em número de visitantes. O complexo formado pela nova e velha Basílicas, a Capilla Del Cerrito, o Templo Del Pocito e pela Capilla de los índios é muito bonito. Há ainda outras atrações, como um gigantesco relógio em que há apresentações da história das aparições da virgem e, ao seu redor outras marcações de tempo, como o calendário azteca. Muita gente entra no complexo religioso de joelhos e vai dessa forma até o interior do templo principal. No pátio, há de tudo, de dança folclórica a vendedores de chicharrones. O lugar é bonito, creio que quem vai ao México deve conhecê-lo, mas tenho certeza de que os “meu Deus” que eu dizia diante do que via tinha um sentido bem diferente daqueles que iam até ali por fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tlatelolco&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Em Tlatelolco está a Plaza de las Tres Culturas. Recebe esse nome porque numa área relativamente pequena, há prédios que representam três fases da história mexicana; o templo mexica de Tlatelolco, que foi uma cidade gêmea à de Tenochtitlán; o Templo de Santiago, construído pelos espanhóis com as pedras da antiga cidade azteca; e também prédios modernos. Mas talvez o lugar seja mais conhecido, hoje, pelo massacre de 1968, quando o governo mandou abrir fogo contra centenas de jovens manifestantes que faziam uma manifestação às vésperas da Olimpíada. Mais de 300 jovens morreram, ainda que as estatísticas oficiais apontem bem menos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Teotihuacán&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os egípcios que me desculpem, mas Teotihuacán é fundamental. Situada 50 quilômetros longe da cidade do México, essa verdadeira relíquia impressiona pelo tamanho e pela beleza. Suas duas maiores estruturas são as pirâmides da lua e do sol, sendo a segunda a terceira clocad ano ranking mundial de pirâmides. Tudo é grandioso. A calçada dos mortos, que corta a cidade de um lado a outro  deve ter bem uns 5o metros de largura e é cercada por antigos prédios onde chegaram a viver 250 mil pessoas.  O Palácio de Tapantitla, que requer um fôlego extra do visitante porque está do lado de fora do parque, reserva o palácio Tlalocan, ou seja o Paraíso de Tláloc (que era o Deus da chuva). Ali estão preservadas pinturas impressiontes do deus e de hábitos como o jogo de pelota. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Top 5&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como fã do Alta Fidelidade, não podia deixar de eleger as cinco melhores coisas da estada na Cidade do México:&lt;br /&gt;1.       Teotihuacán&lt;br /&gt;2.       Zócalo: a praça principal da cidade é tudo de bom. Seja pela gente de todo o tipo, cor e tamanho que circula por ali, seja pelos exuberantes prédios que o rodeiam.&lt;br /&gt;3.       Bosque de Chapultepec: uma paixão dos locais, o Bosque é um dos principais destinos nos finais de semana e reúne alguns dos principais atrativos culturais da cidade em seu interior ou imediações.&lt;br /&gt;4.       Frida e Diego: ver as obras de Frida em sua casa ou nos museus de arte, bem como contemplar os fantásticos murais de Rivera é demais.&lt;br /&gt;5.       Gente: os mexicanos da capital são, ao mesmo tempo, mais fechados e mais abertos que os de outras partes. Como em todas as metrópoles, às vezes caminham como se não prestassem atenção a ninguém. Mas quando são abordados, sempre estão dispostos a ajudar, ainda que tenha um evidente problema de direção (sempre confirme com mais dois a informações que você pediu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Oaxaca&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me falaram tanto de Oaxaca, que confesso que estou decepcionado. Só em um sentido não exageraram. A comida é muito boa. É a mais famosa do México.  Cidade é bonita, cheia de prédios cloniais, com uma praça central belíssima, algumas igrejas interessantes. Mas nada tão espetacular.&lt;br /&gt;Hoje me mandei para Monte Albán, onde estão as ruínas de uma antiga cidade Zapoteca e que é famosa pelos “Danzantes”, figuras gravadas nas paredes de um dos prédios e que são bastante peculiares. Inicialmente, em razão de sua disposição e do aparente “movimento” das imagens, pensou-se que estavam dançando. Mas atualmente se sabe que retratam prisioneiros de outras tribos que eram oferecidos aos deuses. Em muitas das figuras as genitálias estão mutiladas, o que significa que os órgãos sexuais eram cortados como oferta aos deuses ou para serem utilizados em rituais de fertilidade. O lugar é muito bonito, mas depois de conhecer outros mais bem conservados, o impacto fica menor..&lt;br /&gt;Ontem fui a Ocotlán, cidadezinha que fica a uns 50 km daqui, porque havia mercado. As comunidades de toda região migram para lá para vender de tudo: galinha, bode, roupa, comida, artesanato...Comi uma deliciosa empanada de Chile Amarillo, provei e comprei mamey, uma fruta ótima que desconhecia. E também adquiri alguns famosos alebrijes, tipo de artesanato local. São bichos de madeira pintados de uma forma bastante original e colorida. Depois segui com o ônibus (aquele em que conheci o Juan) a San Bartolo, localidade famosa por seus artigos de “barro negro”. Fui na Casa Doña Rosa, onde essa técnica foi “redescoberta” há algumas décadas. Os primeiros exemplares de cerâmica negra foram descobertos na região  por arqueólogos no Monte Albán, e Rosa desenvolveu o método pelo qual conseguia replicá-los. Tudo feito naturalmente. As peças são muito bonitas e resistentes. E o neto dela, Valente, que trabalha há 698 anos com cerâmica, faz uma demonstração de como preparar um vaso que humilha gente com pouca habilidade artística como eu...&lt;br /&gt;Buenas, vou nessa e tentar ser um pouco mais rígido comigo para escrever com mais freqüência. Amanhã parto para San Cristóbal de las Casas. De lá vou a Chetumal. De Chetumal a Cancun. E de Cancun para a Ilha.&lt;br /&gt;(.P.S. depois reviso o texto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos e abraços&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-5032924433540651404?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/5032924433540651404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=5032924433540651404' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/5032924433540651404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/5032924433540651404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2009/01/de-volta-estrada.html' title='De volta à estrada'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-1476014830268772717</id><published>2009-01-21T19:19:00.000-08:00</published><updated>2009-01-21T19:21:55.285-08:00</updated><title type='text'>Ao som da maraca, do tambor do bambu...</title><content type='html'>...eu vou pra lha de Cuba, eu vou pra Ilha de Cuba! Não vou numa caravela, nem na Santa Maria, mas vou feliz depois de achar que não permitiriam meu regresso á terra de Fidel e da Revolução. Pois bem, se o visto de jornalista não saiu no Brasil, no México descolei o de turista. Agora é definir a data, comprar a passagem e ser feliz por lá, país que tanto venero. Quem acompanha a trajetória de preparação dessa viagem, sabe o quão importante é para mim passar por esse destino. E felizmente consegui. Mas enquanto a Ilha não se torna realidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;...vou curtindo o México&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Bem, começo pelo pastelão da luta-livre. Fui junto com uma americanada que apareceu aqui pelo albergue e queria muito ver os combates hilários. Aqui luta-livre é coisa séria até a página três. É uma verdadeira festa, com muito riso, gritos ensaiados da torcida - que xinga desde a mãe do lutador ate o próprio. E o enredo dos embates é basicamente o mesmo. Os marmanjos entram, começam a trocar provocações até que o juiz da início ao duelo. A cada noite de espetáculo são cinco lutas, dos principiantes aos campeões mundiais. E dá para perceber bem a diferença entre os experientes e os novatos, nos golpes ensaiados. Alguns divertidíssimos como o verdadeiro “amassa-saco”, em que dois lutadores seguram o adversário de pernas abertas e um terceiro voa das cordas do ringue e “acerta” os países baixos do oponente. É tudo orquestrado. As lutas terminam na terceira caída e “coincidentemente” sempre há um empate de 1 a 1 que leva ao decisivo round. Durante o combate vale lutar do lado de fora do ringue, marmanjo cair sobre a torcida, enfim, pastelão total. Mas vale o ingresso – que é bem barato – por tratar-se de uma verdadeira paixão nacional mexicana.&lt;br /&gt;Buenas aproveitei esses dias para conhecer também o museu da revolução. No monumento à revolução, que é gigantesco e fica sobre o museu, estão os corpos de personalidades que tomaram parte no conflito, como Pancho Villa. O museu é bastante simples, mas um dos melhores que vi até agora pela qualidade das informações. Ricas, diretas e que permitem entender bem os motivos para que a luta começasse. E é impressionante ver – e dá um pouco de vergonha quando penso na nossa história – o número de vezes que os mexicanos se levantaram contra a exploração. Infelizmente, apesar dos pequenos êxitos, fica claro que, como em boa parte dos feitos históricos latino-americanos, a seqüência dos fatos normalmente traz traição à causa por quem ocupa o poder.&lt;br /&gt;Na sexta, fui conferir o show do Kataklysm, no Hard Rock Café. Amigo Victor – para quem não sabe, é meu grande parceiro de shows de metal e também o único headbanger cearense que conheço -, valeu cada minuto. Os caras tocaram muito, estavam empolgadíssimos. Oi bom pra caramba, apesar da chuva fina que tomei na cabeça no percurso, combinada ao frio de quase zero graus que assolou o México na semana passada.&lt;br /&gt;Também fui ao mercado de La Merced em busca dos benditos uevos de hormiga, mas não tive sucesso. Mas não tem problema, rolou um bom de um queijo oaxaca, que é tradicional aqui (e parece borracha), bem como um mole poblano de primeira categoria que continuo a devorar aqui no albergue quase que diariamente.&lt;br /&gt;Na semana passada o albergue tava bem divertido, já que rolou um quarto latino. Eu, Haizea, uma espanhol – ou melhor, uma basca, já que ela tem asco de espanhóis -, Miguel, um mexicano e Jaime, um colombiano. Pessoal muito gente boa, bons bate-papos sobre política, literaura, música, etc. Creio que foi a melhor combinação no dormitório até agora. Mas, como tudo que é bom dura pouco, foram só quatro dias de convivência e cervejada.&lt;br /&gt;O curso de espanhol vai bem. A turma cresceu de cinco para onze pessoas das quais nove são japoneses. Umas figuraças, super animados. E fiquei lisonjeado com o fato de quase todos terem me pedido para ficar uma semana mais ou aind amais tempo. Dizem que “la clase sin usted és aburrida”, Não entendo bem o motivo, já que falo o essencial, mas achei bacana demais. Hoje fomos todos ao cinema, ver El Che, que é uma baita filme (eles não gostaram). E amanhã vamos ver uma das japas trabalhar como Dj num boteco daqui. Isso vai ser histórico. Eu escutando música eletrônica...Mas vá lá, o que importa é a parceria.&lt;br /&gt;No final de semana fui ao Bosque de Chapultepec outra vez epor casualidade encontrei Tomo e Eri, duas das japonesas que são minhas colegas e rumamos ao Museu de Arte Moderna. Foi divertido e valeu a pena ter movido o esqueleto para ver “Las dos Fridas”, de Frida Kahlo. Depois me convidaram pra jantar. Quem adivinhar que tipo de comida, ganha um doce (risos). Claro que japonesa. Matei a saudade do Guioza. Mas por outro lado se fortaleceu meu desejo, que está se tornando permanente, por uma feijoada e por um churrascão!&lt;br /&gt;Beijos e abraços,&lt;br /&gt;Gu&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-1476014830268772717?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/1476014830268772717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=1476014830268772717' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/1476014830268772717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/1476014830268772717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2009/01/ao-som-da-maraca-do-tambor-do-bambu.html' title='Ao som da maraca, do tambor do bambu...'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-1534830736224326050</id><published>2009-01-12T19:33:00.000-08:00</published><updated>2009-01-14T18:47:26.513-08:00</updated><title type='text'>Cradle of Filth, mais templos e entretenimento</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8eHRLsDDZNg/SW6hlgiAunI/AAAAAAAAAAo/tnGJX5dVSqM/s1600-h/088.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291344277966731890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_8eHRLsDDZNg/SW6hlgiAunI/AAAAAAAAAAo/tnGJX5dVSqM/s320/088.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma banda de metal com dono tem seus lado positivo e negativo. O negativo (primeiro a notícia ruim) é que os demais músicos, algumas vezes, se portam com a emoção de samambaias quando estão no palco, como aconteceu no último domingo, na apresentação do Cradle of Filth, no México. A parte boa é a de que que o líder do grupo de esforça para manter a reputação, como também pode ser visto no mesmo espetáculo. Dani Filth não pára um minuto sequer no palco. Chama o público a todo o momento e se esgoela constantemente para manter o astral em alta - para quem não sabe, os gritos dele são uma "marca" registrada do grupo. Mesmo "montado" com sua roupa peculiar e sua plataforma de 20 cm (Dani é um tampinha que mesmo de salto alto é mais baixo que a tecladista boazuda que o acomapnaha), ele agita pra caramba e sacode o pescoço como, sinceramente, eu nunca tinha visto antes. Quando crescer, que ser um headbanger como ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O show foi no Circo Volador, um centro cultural onde são desenvolvidos projetos socioculturais que ajudam à juventude pobre da cidade do México a encontrar um refúcio na música e artes associadas a ela, como o grafite. Há inclusive um estúdio de gravação que pode swer utilizado pela gurizada para registrar sua obra. O lugar também é muito bom para ver uma banda em ação, já que é bem íngreme. O começo da soe do Cradle foi prejudicado por um som confuso e com os vocais baixos. Mas isso só por duas músicas. Na terceira, a clássica The Principle of Evil Made Flesh, o som já estava perfeito e o público foi ao delírio. Aí a pauleira comeu solta até o fim da apresentação. Os mexicanos são realmente muito comportados, não rolou nem pit, oq ue torna a cena um pouco fria para os padrões convenconais. Mas foi divertido. Agora é esperar pela sexta-feira, quando se apresenta o Kataklysm, no Hard Rock Café daqui. Não creio que vá combinar muito bem a música como lugar, mas quem sabe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Finde&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O final de semana foi bacana. No sábado, voltei ao Zocalo, centrão da cidade. Fui visitar o Palácio del Gobierno, que é lidíssimo e ainda mais legal por conta dos murais de Diego Rivera que contam a história do País. Estava vestindo a camiseta do Seultura que, por motivos que não souberam explicar os guardas do lugar - insistiam em falar um inglês incompreensível mesmo depois de eu avisar que sou brasileiro -, chamou muito a atenção deles. Um cutucava o outro pra ver. Enfim, mistério...Do palácio até a Catedral são cinquenta metros pela praça. Nesse percurso, dá para ver um bocado de regalitos á venda e também alguns grupos que, caracterizados como aztecas, interpretam músicas com tamores e músicas que, dizem, são do tempo em que os mexicas (aztecas) mandavam por aqui. Bem, sobre a catedral, só posso dizer que é a igreja mais impressionante que já vi na vida. Enorme, com ouro pra todos os lados. Linda pra caramba, ainda que tenha sido erguida a custa de muito sangue. À frente dela, deixaram alguns pedações de escavações antropológicas à mostra, que permitem ver que ali estava a cidade de Tenochtitlán, o Templo Mayor dos maias, que foi - já falei sobre ele anteriormente - construído, segundo a lenda, onde os indígenas avistaram a uma águia devorado uma cobra e pousada sobre um cactus, imagem que até hoje está estampada na bandeira nacional mexicana. Essa foi a mensagem do deus da guerra e do sol, Huitzilopochtli, para indicar o lugar exato em que deveriam erigir a cidade para o "povo escolhido" - que os mexicas sempre areditaram ser. Tenochititlán, que sigifica, "lugar onde nascem os nepales (cactus) das pedras, chegou a ter 250 mil habitantes. E era tão bela, que o espanhol Cortez, ao chegar por aqui, escreveu ao rei contando sobre a riqueza arquitetônica e organizacional dos indígenas: &lt;/p&gt;&lt;em&gt;“La cual ciudad es tan grande y de tanta admiración que aunque mucho de lo que de&lt;br /&gt;ella podría decir dejé, el poco que diré creo que es casi increíble, porque es muy mayor que&lt;br /&gt;Granada y muy más fuerte y de tan buenos edificios y de muy mejor abastecida de las&lt;br /&gt;cosas de la tierra, que es de pan y de aves y caza y pescado de ríos y de otras legumbres y&lt;br /&gt;cosas que ellos comen muy buenas. Hay en esta ciudad un mercado en que casi&lt;br /&gt;cotidianamente todos los días hay en él de treinta mil ánimas arriba, vendiendo y&lt;br /&gt;comprando, sin otros muchos mercadillos que hay por la ciudad en partes. En este mercado&lt;br /&gt;hay todas cuantas cosas, así de mantenimiento como de verstido y calzado, que ellos tratan&lt;br /&gt;y pueden haber; así joyerías de oro y plata y piedras y de otras joyas de plumajes, tan bien&lt;br /&gt;concertado como puede ser en todas las plazas y mercados de mundo.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade foi o centro do império azteca, que submeteu os reinos vizinhos gradualmente. Um dos motivos para as constantes guerras era anecessidade de alimentar os deuses com sangue humano. Acreditavam que isso era fundamental para que o sol nascesse todos os dias. Assim, pobre dos inimigos que caiam em combate. Se não eram mortos na luta, eram sacrificados depois para saciara sede de Huitzilopochtli. Essa necessidade de abastecimento contínuo de sangue humano fez com que os aztecas nem sempre optassem por conquistar tribos inimigas. Permitiam que algumas permanecessem independentes para, de vez em quando, atacá-las e conseguir novas oferendas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Todos os eventos rotineiros, para os aztecas, estão relacionado aos deuses.Por exemplo, as fases da lua estão atreladas à deusa Coyolxauhqui, irmã de Huitzilopochtli. A lenda é mais ou menos a seguinte: quando Coatlicue, a mãe de ambos e deusa da terra, apareceu novamente grávida (foi fecundada por uma bola de plumas de colibri que caiu onde foi construída Tecnochtitlán e que ela guardou em seu seio), a filha achou que a velha era uma baranga e os havia desonrado. Por isso, queria matá-la. Huitzilopochtli nasceu a tempo de salvar a mãe e decapitou a irmã. Jogou sua cabeça para o céu e ela transformou-se na lua. O corpo de Coyolxauhqui rolou pelas escadas do templo (a representação dela foi encontrada aos pés do prédio dedicado ao irmão) e, assim, seus membros se separaram do corpo. As quatro partes em que se desmembrou sigificam as quatro fases do satélite da terra, do seu auge à sua "morte" pelo sol (Huitzilopochtli). Outros quatrocentos deuses irmãos deles - que eram comandados pela assassinada - foram perseguidos por Huitzilopochtli e, fugindo para o sul, tornaram-se estrelas. Acima, vai a foto da impressionante lápide representando Coyolxuahqui desmembrada, que foi encontrada em 1978, por acaso, por uma equipe da empresa de energia elétrica Forza y Luz e que permitiu o entendimento do mito.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tortura&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia em que completaram-se sete longos anos do uso de Guantánamo como uma prisão para "terroristas" que são submetidos a torturas pelos norte-americanos - e a quem são negados advogados ou julgamentos justos - visitei um museu dedicado à tortura. Reúne artefatos empregados para fazer prisioneiros falarem ou simplesmente serem punidos por seus desvios de conduta. Por aqui, a Inquisição teve força. Buenas, a descrição das torturas dá calafrios e a convicção de que somos pródigos na arte de fazer sofrer. Desde as gaiolas em que deixavam os presos para morrer, até o serrote, que era usado com o condenado de ponta-cabeças para que continuasse vivo até que o metal alcançasse seu peito, é tudo horripilante. O interessate é que em muitos dos textos há referências ao uso, hoje, de métodos parecidos aos do período medieval, em diversos cantos do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com apetite de leão depois de uam exposição tão cheia de carne, fui em busca de mais chapolines, os grilos. Tô me tornando fornecedor oficial. Amanhã vou levar para a aula de espanhol para que o povo que não experimentou possa fazê-lo. Trouxe os bichanos para casa e os degustei com uma cervejinha bem gelada. Son ricos. O próximo prato exótico da lista são ovos de formiga, que espero encontrar amanhã em outro mercado público que me indicaram. Outra coisa engraçada são as balas de goma doces cobertas com chile, a pimenta que está em tudo por aqui. Até bergamota com pimenta se pode encontrar. Também são curiosas as saladas-de-frutas que vendem nas ruas: mamão, melão, melancia, abacaxi e...pepinos (kuakuakuakua). Suco de pepino também é comum por estas terras. Mas fugindo das coisas estranhas, bons mesmo são os tacos. Principalmente os de pastor. O mole também é bom, ainda que não me esteja completamente acostumado à combinação de coisas salgadas com chocolate...Já estou mais habituado à pimenta, pelo menos. Já era tempo. Vou procurar um curso de culinária para prender alguns macetes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Cinema&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Também aproveitei a troca de filmes, na sexta-feira, para ir ao cinema algumas vezes. Tive o desprazer de ver Austrália e Sete Almas, dois filmes sofríveis. Mas também a alegria de assistir Rudo Y Cursi, filme mexicano muito legal, e La Orilla del Cielo, película alemã de primeira linha. Ainda na área do entretenimento, o futebol recomeça aqui na próxima semana, com o Torneio Clausura. Mas antes disso, amanhã, vou ao encontro de outra paixão mexicana: a luta livre. Sim, aquelas bem pastelão, tipo gigantes do ringue e que são adoradas por aqui. Há muitas e muitas revistas dedicadas à modalidade. Amanhã, o embate principal reúne Dos Caras Jr., Blue Panther e Máscara Negra, que enfrentarão Terrible, Vilano III y Texano. Que vençam os melhores. Ou seja, aqueles que o famosos Conselho Mundial de Lucha Libre escolher! &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Hasta luego. Extraño ustedes.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Gustavo&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-1534830736224326050?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/1534830736224326050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=1534830736224326050' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/1534830736224326050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/1534830736224326050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2009/01/uma-banda-de-metal-que-c0m-dono-tem.html' title='Cradle of Filth, mais templos e entretenimento'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8eHRLsDDZNg/SW6hlgiAunI/AAAAAAAAAAo/tnGJX5dVSqM/s72-c/088.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-7876073715971422998</id><published>2009-01-07T13:44:00.000-08:00</published><updated>2009-01-14T18:58:02.515-08:00</updated><title type='text'>Chapolines y extraño</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_8eHRLsDDZNg/SW6mHOP51MI/AAAAAAAAAAw/Gfcarkn18JQ/s1600-h/065.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291349255221007554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_8eHRLsDDZNg/SW6mHOP51MI/AAAAAAAAAAw/Gfcarkn18JQ/s320/065.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Buenas hermanos. Vuelvo a escribir después de una semana. Estoy más despacio con el blog para que no sea aburrido para ustedes leerlo. Como pueden ver, las clases de español empezaran y agora intentaré escribir más vezes en el idioma local. La vida por aquí está buena y hazo constantes descobiertas sobre temas variados. Uno de los novos conocimentos és sobre la palabra extraño que, en español, normalmente no tiene el mismo sentido qué en portugués. Aquí, extrañar algo és lo mismo que sientir mucha falta. Así, hermanos, extraño a ustedes, que están tan lejos y al mismo tiempo muy perto de mí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Otra descobierta son los chapolines. Para quien no sabe, son grillos. Si, los insectos que costumbramos ver por las noches también en Brasil. Aquí son alimento para la gente. Ya los probé en el centro de la ciudad y son muy ricos, condimentados con sal y limón. Postaré algunas fotos en el blog de está especialidad mexicana. Para mi tristeza, en este momento está muy difícil encontrar algunso tipos de guzanos para probarlos, porque solo aparecen en la época de las lluvias, que és en la mitad del año. Voy a necesitar beber algunos mescales para que el gusano de la botella caya in mí vaso y pueda satisfacer mi deseo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El año nuevo estaba bueno. Caminamos hasta el Paseo de La Reforma. La gente és muy educada, pero también un poco aburrida porque no se puede bebir nada alcohólico por las cales. Así, no tuviemos la oportuidad para hacer un brinde a 2009. También és cierto que aqui está la mayor quantidad de gente fea del mundo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenas, regalé a mi mismo una neuva tattoo. Para hacerla necesité 7h, pero el resultado fue fantástico. Hice un deseño de lo calendário maya. Los precios del las tattoos por aquí san muy bajos y por esto devo aprovechar para hacer más.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tengo despertadome temprano para ir a las clases y como vuelvo a la casa solo por las 3h de la tarde está un poco difícil para mirar nuevas atracciones. Antes de lunes tuve la oportunidad de estar en lugares muy interesantes, como el Museo de Antopolgia, que es enorme. Fue con el hermano argentino Pablo. Nos quedamos por siete horas en el museo y hemos visto solamente la mitad. Hay piezas de todas las partes de Mexico y aún una sala sobre la antropologia y los recursos empleados por científicos para descubrir datos como datas y composición de los materiales.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En el domingo estuve en Templo Mayor, en el centro. El sitio arqueológico está cercano del Zocalo, la Plaza Principal de la ciudad. Fue construído en el século XIV y su último gobernante fue el leyendário Cuauathemoc, que resistió a los españoles. El lugar fe destruído por los españoles que usarán el espacio para construir a la catedral y empezar la edificación de sus habitaciones. Al largo de los últimos 30 años és que empezaram a hacer las buscas arqueológicas ma simportantes y han encontrado varias piezas y edificios aztecasque hacian parte de la ciudad. El museo del Templo Mayor también está ubicado allí y me encantó. Su nombre és, en verdad, Templo de Tenochitlan y estuve dedicado a los dioses Tláloc, de la lluvia (en la península Yucatan su nombre fue Chaac), e Huitzilopochtli, el dios de la guerra y del sol. Hay una impresionante pieza retratando Coyolxauhqui, la hermana de Huitilopochtli, que fue muerta por elle despues que intentó matar su madre, Cuatlicue, "la madre de los dioses" o "madre de la tierra".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenas, también recorri el Museo de Cera, que és muy divertido. Fue, aún, al Palácio de Bellas Artes, donde están murales de Diego Rivera, Orozco y otros artistas mexicanos, que impresionan por las formas, colores y fuerza. En el mismo edifício está una mostra sobre Dolores Olmedo, que fue una de las primeras personas a reconecer el talento de Rivera y Kahlo y coleccionar sus obras. Quando Rivera murrió, donó todas sus pinturas a ella. Y ella, en su testamento, donó todo al puelo mexicano. Salindo de ali, fue al Museo Mural de Diego Rivera, en que está la obra Sueño de una tarde de domingo. En ella, Rivera represntó personagenes de la história mexicana, elementos de la cultura local y tambiém hice referências a La Inquisición. El museu reúne aún documientos sobre la perseguición religiosa en México.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenas, a quien gustan los animales no recomendo el zoológico. És el mayor de Latinoamerica, pero triste. Muchos animales están solos, sin parejas. La mayor parte tiene poco espacio. O sea, muy feo. Pelo minos pude ver de pierto perros mexicanos, los Tepeitzcuintlis, cuya principal caracteristica és no ter pelos. El zoo está en Parque Chapultepec, uno de los más bellos y grandes de Mexico y que se queda siempre lleno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carajo, ya escrebi demasiado. Hasta luego y que 2009 sea un año incrible para todos nosostros.&lt;br /&gt;Hasta luego, abrazos,&lt;br /&gt;Gustavo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-7876073715971422998?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/7876073715971422998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=7876073715971422998' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/7876073715971422998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/7876073715971422998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2009/01/chapolines-y-extrao.html' title='Chapolines y extraño'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8eHRLsDDZNg/SW6mHOP51MI/AAAAAAAAAAw/Gfcarkn18JQ/s72-c/065.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-1035683142404230431</id><published>2008-12-30T17:17:00.000-08:00</published><updated>2008-12-30T18:55:43.745-08:00</updated><title type='text'>Frida</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_8eHRLsDDZNg/SVreTNbQT7I/AAAAAAAAAAg/O5-vTvnT8dw/s1600-h/018.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285781534275555250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_8eHRLsDDZNg/SVreTNbQT7I/AAAAAAAAAAg/O5-vTvnT8dw/s320/018.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O simples fato de poder circular pelo prédio onde viveu, nasceu e morreu Frida Kahlo, em que morou por muito tempo Diego Rivera e que também abrigou Trotsky, já é motivo suficiente para levar qualquer vivente que se preze até a esquina das Ruas Allende e Londres, na Cidade do México. Ali está a Casa Azul, da família da artista, que hoje abriga o museu dedicado a ela, mas, pricipalmente, à história de amor que teve com Rivera, presente em todos os cômodos, nas correspondências amorosas, nos recados escritos nos quadros e nas próprias obras.&lt;br /&gt;Podem me chamar de fresco, mas foram várias as vezes em que me emocionei passando por ali. Tudo é lindo. Das obras mais sofridas às paredes coloridas. Sem falar nas cartas a personalidades como Einstein e Picasso, nos quadros com que pintores como Modigliani, Gottlieb e Paul Klee presenteavam os amigos latinos. As revistas comunistas, a biblioteca , a cozinha cheia de vida, o estúdio ainda com as bisnagas de tinta, com a cadeira de rodas de Frida, o quarto em que ela pintava deitada na cama, o gesso que envolvia o seu corpo proteger a coluna defeituosa, as diversas peças pré-hispânicas que colecionavam e, em meio a elas, a urna com as cinzas da pintora. Enfim, emocionante. Lamento que não seja permitido sacar qualquerr foto e também não existam postais ou outras imagens à venda. No jardim há um pequeno templo aos mortos, tão presentes nas obras de Frida e que no México são lembrados com cores e comidas que lembram, com alegria, a tristeza da partida. Do pátio, remeto uma foto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Devastador. Mas vazio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O domingo foi dedicado ao Heavy Metal. Acordei cedo e fui ara Tlanelplanta, uma cidade aqui na região metropolitana da Cidade do México. Longe pra caralho. Nada que um metrô, um ônibus e muitas perguntas não resolveram. O Devastation Heavy Metal Fest reuniu mais de 20 bandas mexicanas, incuindo Transmetal e Luzbel, duas das principais. me receberam na boa, fiquei no backstage, ma so problema de trampar sozinho é que ou eu fazia entrevistas ou filmava (e não me deixaram filmar músicas inteiras, mas apenas trechos). Filmei. Fotografei. E curti as bandas. Transmetal é bom pra caralho. Qunado tocaram El llamado de la hembra e El Infierno de Dante a gurizada ficou louca. Disgorge também matou a pau. Não é a toa que são os melhores do grindcore mexicano e talvez a melhor nova banda de metal do país. E também valeu a pena conhecer a Piraña, que fez uma apresentação de gente grande, assim como a Agony Lords, que já tem um mais tempo de estrada.&lt;br /&gt;Lamentável foi o pouco público. O Centro de Convenções onde aconteceu o festival é enorme, a estrutura montada foi de primeira, som de ótima qualidade. Mas realmente faltou foi é público. Uma pena. Na verdade o sábado também foi dedicado, em boa parte, ao metal. Fui à Tianguis del Chopo, a galeria do rock dos mexicanos. Mas aqui é a céu aberto e nos sábados. Já se vão 28 anos desde o começo dessa farra da música pesada. Na verdade, hoje está mais diversificado, se encontra um pouco de tudo. Para orgulho dos headbangers brasileiros, muita coisa do Sepultura, do Ratos de Porão e do Sarcófago. Difícil é achar os Cds das bandas daqui. São muito baratos e por isso vão rápido. Aqui um CD de banda local custa o equivalente a uns R$ 12. A tentação é não cair matando e comprar tudo. Não aguentei e adquir dois vinis para a coleção. O primeiro do Transmetal e o primeiro do Luzbel, nas suas prensagens originais. Bom é que no México não despertaram para a valorização do bolachão. Só não sei como vou carregar esses discos...&lt;br /&gt;Conheci o Ismael, que é dono de uma das tendas há mais de década. Disse que que me ajudar, descolar uns poucos livros que existem sobre o movimento no México, vender cds a preço de custo. Iisso tudo pq sou brasleiro e quado ele esteve no Brasil foi muito bem tratado! E viva a irmandade latina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Metrô&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Metrô no éxico é uma beleza. Tem pra tudo quato é lado. É barato pra caramba (2 pesos, ou seja, 40 centavos de real), seguro e engraçado. A graça está no fato de que os vagões são meioq ue mercados livres. Em tudo quanto é estarão entra um sujeito com um cd ou dvd player, uma caixa&lt;br /&gt;de som e lacra o volume, oferecendo discos e compilações piratas ou dvds com passos de dança. Hoje tinha um cd cristão, com direito a Jesus Crist e Amigo cantadas pelo Robertão em español. E também teve o vendedor politizado, com o documentáro The Corporation. ena que não tinha um gravador para registrar o discurso do cara, que foi fantástico, falando mal das grandes corporações. Claro que também tem os vendedores de comida. Bolachas são o mais comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sem rumo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;To pra ver um povo maisperdido que o mexicano. caralho, eles têm um sério problema de direção. Assim, antes de confiar piamente nas dicas que te derem, cheque com mais alguém. São capazes de errar uma coisa que está no mesmo quarteirão. Dizem esquerda e apontam para a direita...enfim, uma confusão. mas em defesa dos hermanos, digo que são muito amáveis.&lt;br /&gt;Comer aqui é barato e bom. Tacos burritos para todos os lados. Há as tortas também, que apesar do nome são sanduíches enromes. Tem uma tal torta cubana que e uma bomba, vem de tudo um pouco dentro. Quem não tolera pimenta que esteja aleta. Tudo, absolutamente tudo, leva a maldita. Tô me acostumando agora, mas no início foi, digamos, ardido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenas, conforme for vendo coisas novas e lembrado de coisas pitorescas que já aconteceram, volto a escrever. Vou nessa. Tô com preguiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos e abraços&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-1035683142404230431?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/1035683142404230431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=1035683142404230431' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/1035683142404230431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/1035683142404230431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/12/frida.html' title='Frida'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8eHRLsDDZNg/SVreTNbQT7I/AAAAAAAAAAg/O5-vTvnT8dw/s72-c/018.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-6742436809902908427</id><published>2008-12-25T19:37:00.000-08:00</published><updated>2008-12-25T21:27:06.681-08:00</updated><title type='text'>Se a primeira impressão é a que fica, a cidade do México já me conquistou</title><content type='html'>Feliz Natal! Espero que as festas para todos tenham sido, ou melhor, estejam sendo, maravilhosas. Minha ceia natalina é que não foi das mais emocionantes. Dois sanduíches de presunto e queijo e água, devorados num canto da rodoviária da Cidade do México, às 3h da manhã, quando cheguei de Monterrey. Mas o rango tava bom! De sobremesa, bolachas recheadas. Hummmm....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenas, estou há menos de 24 horas na Cidade do México. Mas se o velho ditado comercial de que "a primeira impressão é a que fica" for verdadeiro, essa grande metrópole já tem um lugarzinho guardado entre meus lugares prediletos. Claro, tenho consciência de que isso pode mudar ao longo do tempo em que estarei por aqui, mas por enquanto, só alegria. O bairro em que estou certamente ajuda: Roma. O lugar é bonito, sossegado, com várias opções de cinema, livrarias, lojas de cds e botecos (que ainda tenho de desbravar). Estou num albergue bacaninha, mas amanhã me mudo para outro, aqui pertinho, que deverá ser aminha morada ao longo de um mês. L´atem lavanderia e a cozinha, para fazer o próprio rango, é legal. Mas, como diria Jack, vamos por parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pinchazo del alemán&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estava eu caminhando pelas calles de Durango quado me deparei com o Restaurante dos Pampas. Servem comida típica tupiniquim, que não provei em razão do excesso de sal (no preço). Mais adiante encontrei o Café Brasil. Éstava fechado. Na casa que abriga o estabelecimento nasceu uma das maiores atrizes do cinema mexicano, Dolores del Rio. Ela participou, por exemplo, do filme Maria Candelária, vencedor do festival de Cannes na década de 1940. Bem, já que achei dois lugares com nomes comuns a qualquer cidade brasileira com mais de 10 mil habitantes, minha meta, agora, e achar o Açougue do Gaúcho e a Borracharia do Alemão. Aceito as traduções: Carniceria del Gaúcho y Pinchazo del Alemán.&lt;br /&gt;Bobagens à parte, Durango é uma cidade bonita. O povo usa chapéu de cowboy mesmo, rola um clima "western". O povo é simpático, mas meio desconfiado. Não dá muita trela. Mas nada que comprometa. Acho que o lance de eu parecer americano, combinado à aind aindigesta guerra contra os yankes no século XIX não ajudam muito. Fiquei num hotel chamado Buenos Aires. Meio porcão, mas tudo bem, a parada era curta (tenho de aprender a não olhar debaixo da cama. Quem meda!). Claro que fui para a cidade cenográfica Villa del Oeste. É menor do que eu esperava, mas divertida. Está lá tudo o que se vê num clássico filme do John Wayne, o que inclui a ferraria, o banco, a forca no meio da praça, a funerária, a alfaiataria, a igrejinha e umas casitas más, além, é claro, de um tribo indígena com suas tendas. O ponto alto é o Saloon, onde são feitas encenações de péssima qualidade. Atores fraquinhos, piadas piores ainda. Só as mexicanas é que foram bem escolhidas (perdoem a cafajestagem). Não há muito mais para se fazer no velho oeste. É ver o espetáculo, circular pela cidadela  e pegar o ônibus com destino à cidade. Como fui na última apresentação, voltei com os índios, vaqueiros e vedetes! risos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das coisas que atraem os cineastas a Durango é o belo céu da região, que favorece à fotografia. Realmente, é um espetáculo. No dia seguinte, fui conhecer o Museu do Cinema. Esse pobre coitado, sim, tá esquecido. Não repuseram sequer legendas que caíram. Dá vontade de se oferecer para esrevê-las. De qualquer forma, tem umas filmadoras antigonas, umas moviolas e os cartazes dos longas rodados ali. Brabo foi que o horário de abertura era 10h da matina. Cheguei às 10h30 e o guarda tinha ido comprar Coca-Cola no bar. Voltou só às 11h...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi ir embora no final da tarde. E o que vei a seguir foi o mico da viagem até agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cuatro Ciélagos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Aos interessados em vir ao México, anotem esse nome para lembrar. E se planejarem a vinda no inverno, anotem para lembrar de esquecê-lo. A pequenina cidade é conhecida pela suas &lt;em&gt;pozas&lt;/em&gt;, que são piscinas que se formaram no meio do deserto. Uma espécie de lençóis maranhenses sem areia e com pedras no lugar delas. Li no Lonely Planet maravilhas e fiquei empolgado para mergulhar or ali,. Tem até uma meção, no guia, falando das águas sempre quentes de uma dessas panelas. O fato é o seguinte: saí de Durango com um calor canino e cheguei a Cuatro Ciélagos às 2h30 da manhã com temperatura abaixo de zero! Dormi na rodoviária o resto da noite (eu e um mendigo) e de manhã fui procurar hotel, que lá eram raros e, por isso mesmo, caros. Achei um bem legal, por preço aceitável e me hospedei. Perguntei pro cara da recepção sobre as &lt;em&gt;pozas&lt;/em&gt; e a resposta foi de que só se eu fosse louco entraria na água. Pensei em encarar assim mesmo. mas aí o obstáculo foi outro: não havia nenhum transporte disponível para ir até lá. São mais de 20 km no deserto. Não tem táxi nessa época do ano e nem ônibus. Mais da metade dos restaurantes da cidade estavam de férias, assim como a prefeitura e também o serviço de apoio ao turista. Conclusão: dia totalmente perdido. Não vi a merda das pozas. Mas pelo menos dormi como não fazia há tempos. Tratei de comprar uma gorditas, que são mito faosas por aqui, e fui comê-las noo hotel. Gorditas são tortilhas recheadas com várias coisas, como guacamole e carne com chili. Enchi o panduio e descolei uma passagem para Monterrey, a terceira maior cidade do México. E assim cotinuei a jornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Monterrey&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A cidade é grande, poluída, mas bela. O albergue muito legal e barato. E os museus, um espetáculo. No primeiro dia fui ao Museo del Noreste, que conta a história da região mexicana. Para minha felicidade era dia de visitas gratuitas. O lugar é fantástco, tanto pelo prédio moderno, como pela praça que o circunda e abriga outros dois museus. Os recursos interativos são de babar. Vieram até confiscar o chiclé que eu tava mascando e fotos são proibidas. A mostra temporária, muito boa, é sobre Bernardo Reyes, um importante político da reião no início do século XX. Um grande filho da puta que apoiava o Porfírio Dias, na verdade. Mas cada um com seus escrotos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sequência, fui ao Museu de História Mexicana, que fica em frente. Ainda mais fascinante. Está rolando uma exposição temporária sobre Las Castas de La Nueva España, com várias coleções de pinturas que retratam a mescla de raças entre espanhóis, índios e negros. Essas coleções eram comuns à época e encomendadas por diferentes famílias. Era uma espécie de arte feita em larga escala, como os artesanatos de hoje. Legal é que deixam tranparecer a hierarquia social, os preconceitos (os negros, por exemplo, eram considerados "esquentados" e desordeiros e por isso normalmente aparecem fazendo gestos bruscos) e hábitos (fica clar, também, que as mulheres, em mutas casas, eram as provedoras e quem mandava, principalmente nos retratos de ídios, em que os homnes aparecem em funções pouco nobres e com caras submissas). Eu não tinha idéia da vasta nomencatura que existia para definir as misturas étincas. Ela está está bem traduzida nesse trecho que transcevo, creditado ao frei Francisco de Ajofrín (1763): &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“De español e india nace mestiza; de español y mestiza nace castiza;&lt;br /&gt; de español y castiza, española; de español y negra, mulato;&lt;br /&gt;de español y mulata, morisco; de español y morisca, albina;&lt;br /&gt; de español y albina, tornatrás; de español y torna atrás, tente en el aire;&lt;br /&gt;de indio y negra, nace cambujo; de cambujo e india, lobo;&lt;br /&gt;de lobo e india, albarazado; de albarazado y mestiza, barcino;&lt;br /&gt;de barcino e india, zambaigo; de mestizo y castiza, chamizo;&lt;br /&gt;de mestizo e india, coyote.&lt;br /&gt;Los lobos, cambujos y coyotes es gente fiera y de raras costumbres.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo piso do Museu é um resgae de toda a história mexicana, muito bem feito e detalhado. Há vídeos, áudios e pontos interativos por toda a parte, como, por exemplo, um enorme calendário maia, que permite que vc vá marcando as datas com os símbolos que utilizavam os índios. As salas sobre cinema e literatura também são ótimas, assim como a sobre as ferrovias, com direito a uma locomotiva inteira e um vagão que abriga a mostra sobre o tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O museu do Palácio do Governo eu pulei. Já tava cansadão e com fome e fui pro centro comecial. comer tacos e burritos. Aliás, por toda a parte vc pode encontrá-los. São baratos. Um taco sai por pouco mais de R$ 1,50, e os burritos não fogem mito desse preço. Ainda tô me habituando à pimenta, que realmente se faz presente em todas as comidas. Dependendo do lugar, até o guacamole bota medo. A noite é que estava meio fraquinha, creio que por conta da anteéspera de Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia, acordei cedo e fui pro Museu de Arte Contemporânea. Lindo também. No Marco, como é chamado, vi duas exposições. Sempre acho museus de arte contemporânea arriscados, principalmente se estiver em cartaz um exposição em que mais da metade das peças tiver como título "Sem título". Mas tive sorte. A primeira das mostras era de Maria Izquierdo, uma das primeiras pintoras famosas do México. Seus quadros vão de naturezas mortas ao surrealismo. O auto-retrato lembra muito os de Frida Kahlo. A outra exposição é a do inglês Antony Gormley. Linda e pra pensar na vida. E o melhor: com o livreto em mãos, dá para entender todo o processo criativo, o que é um alívio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali fui até a rodoviária, comprar as passagens para cidade do México e rumei, na sequência, ao Parque de la Fundidora. O nome se deve justamente ao fato de ali ter funcionado um gigantesca casa de fundição. O lugar é muito legal, com os antigos prédios e chaminés preservados, e os primeiros transformados em Pinacoteca, casas culturais e na ótima Cinefotoeca. Neste último espaço está uma exposição de Pedro Meyer, um dos grandes fotografos mexicanos e um dos mais importantes da atualidade. As fotos são fortes e estão sendo exibidas, simultaneamente, em 60 países. Muitas delas do movimento sandinista, na Nicarágua, outras do terremoto que devastou boa parte da cidade do México em 1985, algumas sobre o Movimento Estudantil de 1968 no México, que resultou na morte de centenas de manifestantes pouco antes das Olimpíadas sediadas pelo país naquele ano, e várias de outros cantos do mundo, como EUA e Cuba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então, chegou a hora de dizer tchau e rumar para a Cidade do México. Não rolou confraternização natalina no ônibus. E cheguei aqui antes do previsto, o que me obrigou a mais uma noitada em banco de rodoviária para esperar o metrô abrir. Aliás, rodoviária é um dos lugares mais incríveis para se estar. Dá um baita documentário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vicky Cristina Barcelona&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Bem, sobre o bairro de Roma, vou ter bastante tempo para escrever. Assim como sobre a cidade. Então, vou finalizar falando do filme do Woody Allen. Hoje tirei meu atraso de cinema e vi duas películas em sequência.  O primeiro filme, O Menino do Pijama Listrado, passou na mostra de Sampa, em outubro, e havia perdido. Bom, mas nada demais. Já Vicky Cristina Barcelona é imperdível. O velho Woody é foda. Não há cidadão que não se identifique com as personagens que ele constrói. Eu me vi numa delas e quem me conhece e assistiu ao longa sabe quem é. O filme é bonito, o roteiro muito bom, enfim, imperdível (uma redundância em se tratando de Woody Allen).Me animou inclusive a escrever. A música não me sai da cabeça. Vou dormir pensando nela. E em como a vida passa depressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos&lt;br /&gt;Gu&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-6742436809902908427?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/6742436809902908427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=6742436809902908427' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/6742436809902908427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/6742436809902908427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/12/se-primeira-impresso-que-fica-cidade-do.html' title='Se a primeira impressão é a que fica, a cidade do México já me conquistou'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-4955986126790810295</id><published>2008-12-19T17:04:00.000-08:00</published><updated>2008-12-25T19:37:35.339-08:00</updated><title type='text'>Do sol...para o sol</title><content type='html'>Cheguei em terras que lembram o velho oeste. E não estou de brincadeira. A região de Zacatecas, cidade que me abriga nomomento, já foi set de filmagens para muitos filmes de western. Cheguei aqui hoje pela manhã. Na terça-feira, depois de muito matutar sobre prós e contras, saí de Mérida em direção a Cancun. O objetivo foi pegar um avião até a cidade do México. Isso por conta de uma relação tempo x dinheiro vantajosa. Se eu pegasse o ônibus de Mérida para a Cidade do México, seriam 23 horas de viagem, mais oito horas até Zacatecas. Saíndo do litoral, pelo mesmo preço, foram apenas 2h até a Cidade do México e, aí sim, mais oito horitas de ônibus até aqui. Com a vantagem de poder conhecer pelo menos um pouco de Cancun. Sinceramente, não estava nos meus planos, porque não me desperta muito interesse ir a um lugar cheio de shopping centers e mais caro. Mas achei um albergue barato (100 pesos) e o marzão, azul, muito azul, compensou. A cidade é bem comercial. E agitada. Festerê e mais festerê. A salvação da lavoura são os ônibus municipais, baratinhos e que levam a qualquer lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, fiquei só um dia, mas foi tempo suficiente para encontrar uma boa loja de Cds e finalmente comprar alguns de bandas de metal mexicanas. Aliás, tive uma ótima notícia. No dia 28 vai acontecer um grande festival na cidade do México, em que vão estar presentes quatro das maiores bandas da história do gênero no país - Transmetal, Luzbel, Next e Makina - além de algumas da nova geração - como Disgorge e Lords Agony. O melhor dessa história é que escrevi para os organizadores e me deram acesso livre ao festival e às bandas. Beleza pura! Tomara que renda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, a viagem de avião até a Cidade do México foi sossegada, apesar da dificuldade para pousarmos em razão do congestionamento aéreo. A tranquilidade foi aind amaior porque do aeroporto até a estação rodoviária norte tem metrozão direto. Cheguei na rodoviária, comprei o boleto e esperei umas horas. O objetivo (pobre é uma desgraça) foi passar as oito horas no ônibus e economizar a hospedagem. Deu certo. Até porque tive a sorte de viajar solito, sem companheiro de banco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei aqui, comi tacos na rodoviária, de desayuno, e fui procurar o transporte público para chegar ao centro, que fica há uns três quilômetros. Moleza. Encontrei o albergue e fui atás de outro transporte, agora para La Quemada, onde há templos (só para variar). Mas esses são diferentes. Normalmente creditados aaos Aztecas (há conrovérsias) e no meio de um deserto bonito pra caralho. Vejam as fotos no Orkut. Emocionante. Vistas inesquecíveis. O ônibus me largou numa encruzilhada, de onde foi preciso caminhar mais dois quilômetros no sol, por uma estradinha praticamente deserta. Repito: cada vista valeu cada passo no calor. Teve esquilo correndo, gavião voando e o parque só para mim. Eu era o único visitante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, voltei para conhecer a Mina El Eden, que foi exlorada por mais de 400 anos. Hoje só se pode visitar o quarto andar, 500 metros mina adentro. Milhares perderam a vida por ali, mas não se sabe ao certo quantos, porque os espanhóis não contavam os índos como gente...Saíndo d amina, logo ao lado, está o teleférico, que peguei para ir ao mirador e ver a estátua em homangem a Pancho Villa. Foi aqui que ele conquistou importantes vitórias na revolução mexicana e foi por estas terras que se formou a Divisão del Norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas amanhã, sim, sigo para a "meca" do cinema bangue-bangue no México: Durango. Por lá já foram filmados vários longas do gênero, entre eles o ótimo "Um homem chamado cavalo", filme a que fui apresentado pelo meu pai. Mais recentemente, foi ali que filmaram "Zorro", com Antônio Bandeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Besos e abrazos,&lt;br /&gt;Gu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.s. Encontrei o primeiro brasileiro perdido no México, ainda em Mérida. Luiz, de Belo Horizonte. O cara se queixou das mesmas coisas que eu. Disse não aguentar mais falar em inglês. Claro que rolou a generosidade entre os brasileiros e dei a ele o meu guia da Guatemala, para onde estava seguindo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-4955986126790810295?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/4955986126790810295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=4955986126790810295' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/4955986126790810295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/4955986126790810295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/12/do-solpara-o-sol.html' title='Do sol...para o sol'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-4455817330908719362</id><published>2008-12-15T06:34:00.000-08:00</published><updated>2008-12-15T14:55:50.570-08:00</updated><title type='text'>Asesino en Mérida</title><content type='html'>Volto à ativa depois de uma semana de folga dos teclados. Já estou em Mérida há quatro dias. A cidade, capital do estado de Yucatán, é relativamente grande - 900 mil habitantes -, com ruas tomadas por casas do período colonial - o que lhe dá um certo charme - e serve como um ponto de parada para conhecer alguns atrativos mexicanos, principalmente na área da arqueologia. Daqui é comum os viajantes partirempara tempos como os de Chichén Itzá e Uxmal, dois dos principais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas comecei mesmo foi pelo Heavy Metal. Cheguei na sexta à noite, larguei minha mochil ano albergue e fui para o show da Asesino, banda do Dino Cazares que passou recentemente por São Paulo, mas que por motivos óbvio snão pude ver pr aí. A abertura ficou por conta de duas bandas locais, Traumator e Tenebras. Ruins de doer. Tanto que nem o nome guardei e tive de colar do meu ingresso, agora, para contar. O bacana de ir a shows de metal é a receptividade da gurizada. Na fila, o papo rolou solto depois que descobriram que eu sou brasileiro. E no show, bebi uma boa quantidade de cerveja de graça. Cada um que descobria minha origem, fazia questão depagar um trago. Teve gente oferecendo a casa para ficar, outros dizendo que podem me levar a pontos turísticos, etc. Boaarte, tenho certeza, resultante do teor alcoólico. Bem, quando a Asesino subiu ao palco os headbangers enlouqueceram. Pauleira total. Claro que entrei no pit para ar uns pontapés e pra completar, aceitei o "pézinho" ofertado por um dos metaleiros e me joguei por cima do público para ficar navegando um pouco. Foi do caralho. s caras de identificam muito com a banda, que canta em espanhol, ainda que o Dino Cazares seja americano. Toca com uma guitarra com a bandeira do México adesivada. Rolaram algumas músicas do Brujeira, como não podia deixar de ser. Enfim, saldo positivíssimo. Cheguei no albergue de madrugada e por isso me dei folga. Só fiquei caminhando por Mérida. E fiz alguns contatos legais. Juan Pablo, Miguel e Edgar pediramo o número do meu celular brasileiro. E ficaram de ligar. Veremos (risos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem peguei uma busanga e fui para Chichén Itzá, onde está estão as ruínas maias de mesmo nome e que foram eleitas uma das sete maravilhas do mundo. Anda falta ver muita coisa, mas acdho que merecem o título. Muito mais que o Cristo Redentor, com certeza. A pirâmide, chama El Castillo, é a grande atração. Em primeiro lugar é linda, e isso já basta para explicar o fascínio que exerce. Em segundo, é um templo construído pensando na astrologia e no passar do tempo. Cada uma de suas quatro escadas que dão acesso ao topo possui 91 degraus. Somando-os e adicionando o último degari, que dá acesso ao templo que fica no alto, são 365, referência ao numero de dias do ano solar (o ano dos mais tbém tinha 365 dias). Além disso, a pirâmide tem nove níveis, sendo que cada lado é dividido por uma escada, o que representa 18 "fragmentos", referência ao número de meses do calendário deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o mais impressionante é a orientação do prédio. Duas vezes por ano há um verdadeiro espetáculo dos equinócios por aqui. Nos dias 21 de março e 22 de setembro, por aproximadamente 10 minutos, é possível ver um efeito proporcionado pela incidência da luz solar. Durante esse tempo, o sol forma triângulos isóceles ao longo de toda a escadaria principal, em cuja ponta há uma cabeça de cobra. Esses triângulos formam o corpo do animal. É de arrepiar. Evidentemente, em razão da data não pude ver o fenômeno. Mas me animei a ficar esperando anoitecer para ver o espetáculo de som e luz, que o reproduz artificialmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que o espetáclo vale a pena não só quando as luzes estão ligadas. Quando se apagam, há um outro evento paralelo, que é ver o puta céu estrelado. Muita gente ficou procurando discos voadores. Eu, inclusive. Não fomos bem-sucedidos, ainda que presenteados com duas estrelas cadentes. Para quem não sabe, essa região do México é famosa pelas aparições. Mas não foi dessa vez...Manão, pode ter certeza de que continua procurando. Não deve ser em vão que os maias daqui diziam que seus deuses moravam nas estrelas. Ou deve?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Amarillo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Hoje embarquei emoutro onibus, agor aocm destino a Izamal, uma pequena cidade distante duas horas de Mérida. Não há muito o que se ver, mas a cidade se tornou conhecida por uma curiosidade: todas as casas do ceu centro histórico são amarelas. Bonitinhas. Tava um calor insuportável e um guri ameaçou roubar dinheiro de mim. Foi só eu dizer que ele não iria fazer isso e pronto. Mudou de idéia. Aproveitei para escalar duas das 12 pirâmides maias que resistem na cidade. Não são boitas, mas a Kinich-Kakmmó é enorme.&lt;br /&gt;Há um belo convento. Evidentemente, amarelo. Sua construção terminou em 1561. É lindo e anda resistem pinturas dos séculos XVI e XVII nas paredes. Mas as atraçõe sterminam aí. Depois fui comer um burrito e fiquei falando de futebol com Fernando, o garçom do restaurante da rodoviária. Em seguida, volta paa casa.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tulum&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fui a Tulum na terça-feira passada, sem muitos planos. Poderia ficar um dia, ou uma semana. Fiquei três dias. A cidade litorânea, próxima a Cancun, é mais atraente para quem é realmente afeito à felicidade permanente, o que não é meu caso. Povo - me refiro aos gringos - sempre animadíssimo, querendo aprontar alguma coisa nova, etc. Como não é o meu caso, apesar da paisagem exuberante, principalmente no Templo Maia, acabei puxando o carro logo. Sério, não aguento mais falar em inglês e alemão. Vão se foder!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas durante a estadia em Tulum, algumas coisas legais foi possível curtir. Tinha uma espanholada no albergue que topou fazer uma paella para todos. Muito boa. Depois, fomos para a praia tomar umas brejas e ouvir um deles dedilhar o seu violão. Também agradável. Não tanto quanto a praia, que é um espetáculo, realmente. Escuridão quase total. Só a lua para clarear um pouco as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa, boa foiram as ruínas. Não são tão magníficas como as de Palenque (veja abaixo) ou de Chichen-Itzá, porque foram construídas já no declínio maia. Mas o puta marzão azul que margeia as construção (o nome significa muralha, mas foidado pelos espanhóis) faz do sítio um do smais bonitos. É de babar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também fiz uma boa amizade com um eslovena, que tá indo para o Brasil, onde vai fazer um estágio de Medicina, no Recife. Guria gente boa e parceira, que talvez alguns de vocês venham a conhecer, pq tô passando os contatos da Marina aí em Sampa. Bem, além da ruína em Tulum, aproveitei e fui ara a de Coba, que fica perto. Apesar do cenário bonito, no meio da selva, não impressiona muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Pancho Villa&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bem, tô pensando em seguir viagem amanhã à noite, depois de percorrer outros templos por aqui. Meu destino deve ser Veracruz, na metade do caminho em direção ao norte do País. Decidid ir a Chiuhahua e de lá seguir os passos de Pancho Villa. Até para mjudar um pouco de ares e de índios, que lá não são maias!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A todos os que mandaram e-mail e não respondi, obrigado e com o devido tempo vou esrevendo. Mas acompanhem aqui a viagem que fica mais fácil. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Saudades, beijos e abraços,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Gustavo&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-4455817330908719362?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/4455817330908719362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=4455817330908719362' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/4455817330908719362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/4455817330908719362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/12/asesino-en-mrida.html' title='Asesino en Mérida'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-2751096607910465036</id><published>2008-12-08T15:31:00.000-08:00</published><updated>2008-12-08T16:33:12.900-08:00</updated><title type='text'>Soy demasiado verde</title><content type='html'>A Guatemala ficou na poeira levantada pelo onibus que me levou até a cidade Behtel, as margens do rio Usamacinta, que separa o país do México. Na saída, a corrupcao institucionalizada. Cobraram 40 questzales da cada um. Nao ha qualquer lei que obrigue o pagamento. Confirmei como cara que me vendeu a passagem. Mas ele recomendou que eu nao teimasse. Nao sabia como os guardas poderiam reagir diante de uma negativa. Que merda. Mas tudo bem. Soh foi dificil o cara acreditar que eu sou brasileiro e que meu passaporte estava em ordem. Olhou, perguntou coisas sobre o Brasil, repassou as folhas do passaporte, perguntou quantos dias eu tinha ficado na Guatemala...enfim, um interrogatório. Até que um outro interferiu e disse para me liberar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como saímos as 5h da manha de Flores, na Guatemala, nos deram um tempo para comprar umas bolachas e tomar uma água. Depois, voltamos ao onibus e andamos mais uns 2 quilometros ateh chegarmos, efetivamente, a orelha do rio. Ali, eu e mais tres gringos - duas suecas e um ingles - pegamos um pequeno barco conduzido por um guri que nao deve ter passado dos 14 anos. Fomos contra a corrente rio acima, por uns 20 minutos, até atracarmos na pequena e apavarontemente feia cidade de Frontera Corozal. Taxistas já ficam ali esperando o desembarcar para levar para a estacao rodoviária, de onde partem os onibus em direcao a Palenque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, de seguir viagem, mais uma parada num posto de fronteira. O ingles apresentou o passaporte, recebeu um formulario que devolveu em seguida e pronto. As suecas demoraram um pouco mais, mas porque nao entendiam como fazer para pagar a taxa de turista que é obrigatória. Até que chegou a vez do tupiniquim que vos escreve. O cara olhou o passaporte, olhou para mim, pediu para eu tirar o quepe, olhou novamente, passou folha por folha o documento e sacou o celular. Foi para uma sala. Só consegui ouvir ele dizendo que tinha um brasileiro na fronteira. Voltou e disse que nao poderia carimbar meu passaporte. Que ao chegar em Palenque eu deveria me dirigir ao Escritório do Servico de Imigracao - que fica ha uns dez quilometros de onde estou hospedado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram mais 1h30 de espera ateh a chegada do microonibus que nos trouxe a Palenque. Na saida da cidade, um grupo de pessoas nos pára. Cobraram 15 pesos de cada um. Segundo eles há uma lei de preservacao que torna obrigatorio pagar ess ataxa. Nunca tinha lido nada a respeito. Mas sei lá. os sujeitos estavam armados...O ingles que tava com a gente nao tinha um puto. Me ofereci para pagar ou o cara ia ter de ficar por ali. O gringo tomou um susto com a oferta de ajuda, ainda mais que as suecas nao abriram a boca para prestar qualquer auxilio. Resvoldio o impasse, finalmente chegamos a estrada. O busao era pinga-pinga como todos os outros. Mais 2h45 de viagem e chegamos. No caminho, duas blitzes de militares nos abordaram. Numa, pediram a  nacionalidade de cada um. Quando eu disse que era brasileiro,perguntaram se eupodria mostrar o que levava na mochila de mao. Mostrei na boa. Tudo certo. Na segunda, o cara abriu a porta e comecou a falar sem que a gringada entendesse nada. Aí fui falando por eles. Perguntou de onde estavamos vindo. Respondi que todos estavamos juntos e vinhamos da Guatemala. Ai perguntou para cada um de que país era proveniente. Eu, logicamente, disse "soy de Brasil". E o milico: "No, onde resides?". E eu: "En Brasil, soy brasileño". Aí caiu a ficha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuando. Quando chegamos a Palenque, fui logo para o hotel - que é bem legal, mas um pouco mais caro (uns R$ 30, mas tem banheiro privado e tv). Pedi como chegar ao escritório do Servico de Migracao. O cara me deu o nome do onibus, que felizmente passa bem perto, na esquina, e fui. O escritorio da imigracao fica na beira de uma estrada. O motorista do onibus me largou em frente. E uma moca conversou comigo todo o trajeto, perguntando se eu nao estava nervoso. Eu disse que nao. "Yo tengo la visa, debe ser burocracia". Aí ela nao ajudou muito. Comecou a dizer que os policias da imigracao sao os piores, que deportamgente pra caramba. Ai, ai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bati na porta, veio um guarda com um pedaco de frango frito na mao e mastigou-perguntou o que eu desejava. Disse que em Frontera Crorozal haviam me dito que eu precisava passar por ali. Com cara de cu ele abriu a portao e o portao e disse que iria chamar o responsavel. Outros tres guardas estavam sentados na mesinha da entrada devorando as outras partes do frango. Voltou o fulano que tinha ido chamar o responsável e me disse para esperar. Apareceu outro guarda e uma moca, meio biscate. Abriram a janelinha e perguntam o que eu desejava. Repeti a história. O cara me olhou com cara de susto quando eu disse que era brasileiro. Novamente fez uma vistoria completa no passaporte. A moca entrou para chamar mais alguem. Enquanto isso o guardinha comecou a abrir gavetas e gavetas. Numa tinha um monte de pacotes de bolachas, na outra, roupas, na outra remédios...até que achou o carimbo. Arrumou a data, testou numas pilhas de papel. E eu ali, sem entender porra nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou o chefe da reparticao. Ele olhou para o guarda, olhou para mim e disse: "Esse nao tem cara de brasileiro". Kukauakuakua. Nova vistoria no passaporte e um convite para eu entrar na sala e sentar numa cadeira. Interrogatório: de onde estava vindo,  por que estou no méxico, qual é a moeda que se usa no Brasil, se eu tinha cartao de credito, qual a minha profissao, se eu estou empregado...Até que diz que estava tudo bem, que eu era brasileiro mesmo. "Pero es demasiado verde", completou. É como se referem aos americanos e europeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cara, que alívio. Aí já partiram para a conversa informal: o Ronaldino é o cara, as finais do campeonato mexicano, as melhores praias do Mexico,onde é o melhor carnaval do Brasil, etc. Enquanto isso eu preenchia o formulario. Pronto. Fui para a beira do asfalto e esperei o microonibus para voltar. Quando cheguei, ja comprei minha passagem para Tulum, amanha a noite. Porque durante o dia, os templos de Palenque me aguardam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando em templos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tikal&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Peguei o onibus das 5h da manha para o parque de Tikal, em que esta a maior ruina maia da Guatemala. Como era de se esperar, busao lotado de branquelos. Flores, cidade em que eu estava, fica há 60 km de distancia. O albergue Los Amigos eh bem legal. Astral bom, comid aotima e ateh quenao tao cara, seis pessoas por quarto, tudo bem organizadinho. Conversei mais em ingles e alemao do que em espanhol nos dois dias em que estava lá. Fiz amizade comum casal holandes, com uma alemoa, com um jamaicano, com um suico...enfim, gente de toda a parte. Só tá difícil de encontrar brazuca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao parque (como podem perceber, to meio goiaba...comeco escrever sobre uma coisa, vou para outra, volto para a anterior...que confusao). A entrada em Tikal eh facada. O equivalente a 20 dolares. Mas vale cada centavo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O parque ecologio em que estao as ruinas eh gigantesco. Quis chegar cedo porque havia lido que era fundamental para fugir de tursistas chatos e ter a chance de ver mais animais caminhando pela mata. A infra é super boa, os caminhos bem fáceis de percorrer. Só é tudo um pouco longe, o que exige ir com tempo mesmo. Quando comecei a caminhar achei que estava perdido. Só as placas de sinalizacao é que deixam um pouco a desejar - por isso, é bom comprar o mapinha na entrada. Enfim, caminhei uns 10 minutos e nada. Só passaros, uns quatis caminhando,um ratao do banhado correndo pela estradinha...até que veio a placa La Plaza Central. Mais uns cinco minutos caminhando e aparecem as primeiras piramides. Na boa, entrou para a minha lista das melhores sensacoes ja vividas (que continua encabecada pelas Piramides, no Egito). De repente, do meio das arvores surge aquele predio imponente. Lindo. Alias, tudo eh lindo em Tikal. As duas piramides gemeas na praca central sao circundadas por uma antiga acropole e por um palacio. Os primeiros registros de habitacao por aqui datam de 700 anos antes de cristo. A partir daí, foram construcoes e novas construcoes, algumas sobrepondo-se a outras, até consolidar uma magnifica cidade que, estima-se, teve 120 mil habitantes. As fotos estao no Orkut. Um vou colocar aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bah, escrevi demais. Beijos e abracos.&lt;br /&gt;Hasta la Victoria Siempre! Estoy en la tierra del Subcomandante Marcos. Viva Zapata!&lt;br /&gt;Gustavo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-2751096607910465036?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/2751096607910465036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=2751096607910465036' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/2751096607910465036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/2751096607910465036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/12/soy-demasiado-verde.html' title='Soy demasiado verde'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-8929764626749303584</id><published>2008-12-05T08:02:00.000-08:00</published><updated>2008-12-05T09:06:24.097-08:00</updated><title type='text'>Gustavo link abá</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_8eHRLsDDZNg/STlfRTY5twI/AAAAAAAAAAY/-r-6AWxTTcI/s1600-h/028.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5276353189308380930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_8eHRLsDDZNg/STlfRTY5twI/AAAAAAAAAAY/-r-6AWxTTcI/s320/028.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Voltei do programa de índio. Nem foi tao indígena assim. Digamos que a propaganda é bem diferente da realidade em que vive a comunidade de Chicacnab, que foi a que visitei. Meu guia e anfitriao foi o Alfonso. O cara tem 21 anos de idade. Fez um curso de dois anos para ser guia e outro de dois anos para ser padeiro, profissoes que toca simultaneamente. Com ele moram o pai (que estava ausente, por estar trabalhando em Petén, outro estado), a mae, duas irmas, um irmao, a cunhada e a sobrinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos daqui cedo. Fomos pegar um onibus de Coban para Carchá, cidade vizinha. Lá, esperamos por uma hora e meia até chegar o transporte que nos levaria a San Lucas, um minúsculo povoado, que é o mais próximo que existe de Chicacnab. Chegamos as 13h. Depois, foram 1h45 morro acima, num lodo só. Quando comentei que o atoleiro era grande, Alfonso me disse que eu nao tinha visto nada, pq é a melhor época do ano, a mais seca. A subida nao foi das mais dificeis. A casa dele fica bem no alto do morro. E feita de madeira, o piso é de terra. Boa parte dela está coberta com palhas. Mas há um pedaco que já tem teto de zinco. Dentro, há uma pequena divisao de madeira, que é o quarto de hospedes. Na sequencia, um quarto amplo, com algumas camas sem colchao. Dormem sobre umas palhas, umas esteiras parecidas com as que levamos para a praia. Ali estao tambem as roupas de todos, penduradas em um varal que corre de ponta a ponta. Por ultimo, vem a area mais frequentada da residencia, uma espécie de cozinha. No chao fica acesso, 24 horas, o fogo. É fumaca e mais fumaca. Todos ficam sentados ali, ao redor do calor, onde tambem é feita a comida. A oscilacao de temperatura é violenta. As 15h estava de manga curta e de havaianas. As 16h30, estava de jaqueta e de meias. Comem demasiadamente. Muito ovo, tortillas, tomate e arroz. Ontem rolou Tuyuyo, uma tortilla recheda com feijao. No cafe da manha, mais uma vez. nao to aguentando. Acho que o Greenpeace, em breve, vai proibir a dieta guatemalteca. se as ovelhas australianas sao culpadas pelo buraco na camada de ozonio, a Guatemala deve ser duplamente. Na cozinha tambem estao penduradas varias espigas de milho. É o estoque para o ano. As galinhas que criam ficam num constante entra e saí da casa, pedindo comida. tsc, tsc, tsc...mal sabem elas o futuro que as espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alfonso é o único que fala espanhol na casa. Trabalha 12 horas pordia para produzir uma média de 600 paes. As irmas o ajudam e um vizinho (a casa dele fica a uns 500 metros de distancia e abriga a padaria) é sócio na empreitada. Os demais só se comunicam em keqchi, um idioma maia (aqui sempre é assim, o idioma maia - sao mais de 60 - predomina nas pequenas cidades). Assim, fica bem difícil a conversa e dependi muito do intérprete. Consegui aprender algumas palavrinhas. "Wamb´i" siginfica adeus. "Ani Lakaa´bá?" siginifica "como é seu nome?". "Twaj ilok il tz´il Quetzal" é "quero ver o pássaro Quetzal". "Twaj atink", "quero tomar banho". Aliás, nada de banho. depois de suar feito um porco, de atola rno barro, nem perto de um chuveiro. Ninguém toma banho, em razao do frio. Voltando a lingua, memorizei umas 20 palavras e expressoes. Mas a pronúncia é bastante complicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia-a-dia na casa é o seguinte: saem para trabalhar cedo, lá pelas 6h. A mae, Maria, colhe feijao durante o dia. Assim que regressa trata de selecioná-los e já inicia o preparo. O irmao e as irmas partem para a cidade, onde vendem os paes que Alfonso faz com a ajuda delas e trazem ingredientes, como banana, para fazer mais no dia seguinte. Lluvia, a cunhada, é quem passa o dia em casa, trata de cozinhar, de trabalhar no tear e de cuidar de Norma, a filha de apenas tres anos, que é um doce de criatura. Dá vontade de levar pra casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os outros regressam por volta de 18h. É quando contabilizam os ganhos. Ficam fazendo contas e distribuindo o dinheiro. Estao economizando pq pretendem, no ano que vem, abrir uma loja para vender roupas. Lá pelas 20h, todos para a cama. Nao há energia elétrica. No outro dia, o ciclo recomeca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os passeios pela mata foram bacanas ,mas nada de especial. Nao tive sorte e por isso nada de ver um Quetzal, a ave símbolo do país. Voltei ontem. Na parte da noite. E to meio mal. Passei a noite abracado no vaso sanitario e com uma dor de cabeca infernal. Tenho quase certeza que é da água que tomei em Chicacnab, que é de um pequeno corrego. Foi fervida, mas tava muito suja. Por isso adiei minha viagem a Flores. Nao to em condicoes de pegar seis horas de estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Un temporal de amor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Bem que se diz que o peixe morre pela boca. No furgao a caminho de Chicacnab comeca a tocar uma musica e penso: eu conheco esta voz. Ela continua e eu: eu conheco esta musica..."Y cuando llegues tú / Con la ropa mojada / Quiero ser la toalla / Que te cubra de amooooooorrrrr. Caralho, Leandro e Leonardo em espanhol. Ninguém merece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;beijos&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-8929764626749303584?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/8929764626749303584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=8929764626749303584' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/8929764626749303584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/8929764626749303584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/12/gustavo-link-ab.html' title='Gustavo link abá'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8eHRLsDDZNg/STlfRTY5twI/AAAAAAAAAAY/-r-6AWxTTcI/s72-c/028.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-2819680977771037205</id><published>2008-12-02T15:30:00.000-08:00</published><updated>2008-12-02T16:11:23.282-08:00</updated><title type='text'>A terra da garoa é Cobán!</title><content type='html'>Buenas, hoje rolou galinha no onibus (um micro-onibus na verdade). mas tava frita. Teve crianca mijando em garrafa de Pepsi e despachando pela janela, teve gente abrindo bergamota (ou mexirica, para os paulistas), enfim, de tudo um pouco. Madruguei pelo terceiro dia consecutivo, desta vez para sair de Santa Cruz del Quiché para Cobán. Depois escrevo sobre Santa Cruz. Primeiro, vamos à viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente, cardíacos nao devem optar pelo onibus guatemaltecos. Aas viagens sao cheias de adrenalina, ja que as estradas sao pessimas e os motoristas um tanto quanto pirados. Saimos de Santa Cruz mais tarde do que eu queira, lá pelas 8h. Foram duas horas e meia tranquilas de viagem até Uspantán, onde tive de trocar de  ônibus. Tranquila na medida do possível, já que estavamos socados. A partir de Uspantán é que o bicho pegou. Boa parte do trajeto é em estrada de chao. Uma buraqueira dos infernos. Daquelas de matéria espacial do Jornal Nacional. Muitos trechos tem deslizamentos ocupando metade da via. Em alguns momentos realmente acho que os motoristas se apegam a Jesus, respiram fundo e vao pro "seja o que deus quiser". Simplesmente nao tem visibilidade e, se vier alguem do outro lado, sei la como fazem para solucionar a situacao ja que soh ha espaco para um.  Foram mais tres horas. To moido. A paisagem ateh que eh legal, muitas montanhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior das viagens nao é nem o percurso e nem o aperto. O foda sao as musicas. Caralho, to com saudades de Leandro e Leonardo (kuakuakua). Aqui o padrao eh o seguinte: músuica melosa e péssima. Tudo é ruim. A voz é insuportavelmente chata. O cantor parece que esta tendo os bagos esmagados por tijolos enquanto solta o verbo. E os arranjos conseguem ser piores. Sempre há um orgaozinho destestável fazendo nheconheconheco. Raras vezes ha violao ou viola para tentar salvar a pátria. Só tentar, diga-se. Buenas,vamos prosseguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos a Coban e o ceu nos recepcionou da maneira que, pelas leituras que havia feito, era de se imaginar. Aqui, em media ha de 15 a 20 dias de sol por ano. Normalmente os dias sao cinzas e há uma garoa fina. A cidade eh um pouco maior e aqui as roupas típicas deram lugar ao jeans. Tem até shopping center. Cheguei, fui caminhar pelas calles, até a praca central. Depois fui procurar a Ecoquetzal, uma ONG que trabalha com índios da regiao. Amanha parto com um deles para uma jornada pelo meio do mato. Serao tres dias. Espero nao morrer de frio, principalmente na hora de tomar banho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenos, antes de me despedir, um pouco sobre a passagem por Sanbta Cruz del Quiché. A cidade nao é muito acostumada a receber turistas. Dava pra notar, pela cara de espanto de quem me via pelas ruas. Fui até lá para conhecer as ruinas de Kumarkaaj. Era onde ficava a tribo Quiché, a primeira a enfrentar os espanhóis na Guatemala. É uma cidade do período clássico tardio. A caminhada até as ruínas foi boa, numa estradinha praticamente deserta. Uns quatro quilometros para ir e outros quatro para voltar. Confesso que a atracao em si foi um pouco decepcionante. restam apenas monticulos com alguns vestígios dos prédios. O que há de mais interessante é que, por exemplo, no templo a Tohil, um deus do céu maia, até hoje os índios acendem velas e incensos e fazem homenagens e pedidos. Outra coisa bacana é La Cueva. É um túnel que vai por 100 metros terra adentro. Contam que foi escavado em 1523, pouco antes da chegada dos espanhóis, pelos índios Quichés, para que as mulheres e criancas fossem escondidas durante as batalhas. Confesso que quando estava uns 25 metros para dentro, desisiti de ir adiante, tamanha a escuridao. E olha que eu tava com uma lanterna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois voltei para a cidade. E lá ouvi  a voz do Rei. Sim! Havia uma van parada e o cidadao escutava Robertao. "Voce, meu amigo de fé, meu irmao, camarada". Em seguida, fui pro mercado e fiz o negócio do ano. Dez tamales (é uma pamonha, bem tradicional por aqui) por 2 quetzales (R$ 0,70). Enchi o panduio. Na sequencia, nao havia mais muito o que fazer. Fiquei na feira mais um pouco, tomei um sorvete Sarita e fui pro hotel. Ganhei d eminha professora de espanhol uma versao infantil do Popol Vuh, a bíblia maia, e comecei a ler. Depois faco um resumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenas, me voy. Tenho de ir buscar a roupa que deixei para lavar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Besos a todos,&lt;br /&gt;Gu&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-2819680977771037205?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/2819680977771037205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=2819680977771037205' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/2819680977771037205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/2819680977771037205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/12/terra-da-garoa-cobn.html' title='A terra da garoa é Cobán!'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-3258284380855353227</id><published>2008-11-30T12:07:00.000-08:00</published><updated>2008-11-30T12:47:02.400-08:00</updated><title type='text'>O comeco do fim (título alternativo: Só faltaram as galinhas)</title><content type='html'>Hola,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, hoje, domingao, resolvi botar o peh na estrada e ir conhecer a antiga cidadela maia de Iximché. E amigos, seu eu me queixara da tranquilidade dos chicken buses, hoje nao posso dizer o mesmo. Fui castiga. Acordei às 5h30 da matina e fui pra parada de onibus. Mais lotado impossivel. O cobrador ficou pendurado na porta. E para passar recolhendo o dinheiro, só com movimentos circenses pendurado no puta-merda. Ou seuja, só falataram as galinhas no onibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenas, peguei a buzanga e fui para Los Encuentros, lugar que recebe esse nome por ser a juncao de duas principais rodovias da Guatemala. E só por isso mesmo. Pq é um lugar desolador. Ali, os onibus cruzam constantemente e é normal fazer baldeacao para ir em direcao contraria. Foi o que eu tive de fazer. Peguei um outro onibus, tbem abarrotado e me mandei. Para vcs terem um aideia, os onibus tem bancos para duas pessoas cada. mas vai tres. Ai, meu, se um pára no corredor, tranca tudo. É um pó dos infernos a estrada. mas valeu, foi divertido pacas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu destino era Tecpán. as ruínas ficam pertinho. O destino ficou meio contramao no meu roteiro, mas as ruínas de Iximché, apesar de nao serem das mais emocionantes, tem um valor histórico: foi onde a história do povo maia comecou a ir pro saco. É uma das mais recentes cidades maias. Foi construída por volta de 1470.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi no final de 1523 que Pedro Alvarado iniciou sua marcha do México em direcao à Guatemala. Há dados históricos, que nao lembro de cabeca, sobre o número de soldados que o acompanharam. Buenas, chegaram por estas terras, na regiao de Chichicastenango no ano seguinte. Antes, passaram pela regiao Qiuché, onde iniciaram a guerra contra a tribo que tiha esse nome. Quando so índios Quiché viram os espanhóis chegando, mandaram um representante até Iximché, habitadada pelo Kakchiquels, seu antigos inimigos,propondo uma alianca contra os invasores. Mas os bestas nao mandaram resposta. deram uma banana pra outra tribo. Naos ó fizeram isso, como receberam os espanhóis de bracos abertos. Há uma carta de Alvarado que menciona que foram recebdiso de uma maneira tao gentil que pareciam estar "llegando a la casa de nuestros padres". bastou um ano para que a ficha do líder maia caísse. Percebeu que o furo era mais embaixo. Mas aí já era tarde. Combateram os espanhóis por cinco anos, mas foram massacrados. Isso é que dá ser pelego...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que restou sa cidade sao basicamente algumas paredes, que dao a nocao de como ela estava estruturada e funcionava. É interessante, sem dúvidas. Amanha devo ir a Santa cruz del Quiché, onde vivia a tribo Quiché. E depois devo ir a Nebaj, uma pequena cidadezinha que foi massacrada na guerra civil. Depois sigo para Coban. Tô vendo um programa de índio - literalmente - para fazer por lá. Estao com uma atividade com as comunidades que moram no meio da floresta. Sao dois dias de caminhada pela mata, dá para dormir na tribo, banho é no rio, aquelas coisas. Estoutentando agilizar, pq tem de marcar com antecedencia. mas achoque vai ser bacana. depois? Rumo a Tikal (ou melhor, El Remate,uma cidadezinha perto). E aí, México. Como sou meio confuso, nao consigo definir o melhor roteiro. Em principio, tenho de estar dia 28 de dezembro na cidade do México, para entrevistar a banda Transmetal...mas sei lá, de repente tento marcar para outro dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma curiosidade: se existisse um ranking mundial de mijar na rua, os guatemaltecos o encabecariam. É impressionante o índice! Outra: quando o onibus quer ultrapassar, na estradam nao ha o que faca o motorista mudar de ideia. E olha que ele fala no celular, com o cobrador, troca o cd no rádio...Se é uma curva, o cobrador se pendura pra fora do ônibus para consegui espiar melhor. É a tecologia para seguranca no transito mais legal que já vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos e abracos,&lt;br /&gt;Gustavitcho&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-3258284380855353227?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/3258284380855353227/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=3258284380855353227' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/3258284380855353227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/3258284380855353227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/11/o-comeco-do-fim-ttulo-alternativo-s.html' title='O comeco do fim (título alternativo: Só faltaram as galinhas)'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-3558363104356862444</id><published>2008-11-29T16:28:00.001-08:00</published><updated>2008-11-30T12:07:19.127-08:00</updated><title type='text'>Panajachel, a cidade para quem esta voltando de Woodstock a pé</title><content type='html'>Buenas amigos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acho que vcs já devem estar cansados dos relatos, mas cá estou eu para preservar a memória dos gloriosos - pelo menos para mim - dias de América Latina. Pois bem, hoje cheguei a Panajachel. Viagem curta, bestinha, só uma meia hora de barco. Pana, como é apelidada a cidade, atraiu uma leva de gente paz e amor nos anos 70. E ainda mantém uma atmosfera bicho-grilo, com aquele povo que faz artesanto (sem durepox, diga-se), umas mulherada bem cabeluda e de saiao...e muita oferta de maconha pelas ruas. Chega, já dá para vislumbrar o quadro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenas, confesso que apesar de ter sido uma experiência ótima a de estar coma família, em termos estomacais estou erguedo as maos pro céu por ter deixado San Pedro la Laguna para trás. Sério, nao dava mais. Meu café da manha hoje foi pao com feijao e ovo frito. Depois disso, nao precisa comer mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As aulas acabaram temporariamente, Estou pensando sobre onde prosseguir os estudos. Creio que vai ser na cidade de México, lá para o final de dezembro ou início de janeiro. Ontem minha professora marcou a aula para a parte da tarde pq tinha uma reuniao do sindicato. E as noticias foram boas. Aqui ha dois grupos de professores. Os p"resupuestados", ou seja, que estao na folha de pagamento do governo, e os contratados, que nao tem estabilidade (sao uns 20 mil). Esses que nao sao "oficializados" recebem salarios soh durante os 10 meses letivos. Nos outros dois, ficam procurando trabalho temporario. Porem, os recursos para os alários de boa parte dessa gente sao enviados por noruegueses. E descobriu-se que os nordicos estavam mandando a grana para 12 e nao 10 meses. Diante disso, agora o governo vai comecar a apagar tambem os contratados todo o ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra noticia que corre eh a de que o sindicato dos professores - parace que o tal do Azevedo, o presidente dos sindicato é foda mesmo - fez uma investigacao sobre sonegacao fiscal no país. E denunciou 12 familias importantes. Soh o dono da Pollo Campeiro - o MacDonalds da Guatemala - deve 35 milhoes de quetzales. Agora ha a apressao para que pague. Veremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje tá tudo meio confuso nos miolos, entao vou escrevendo o que dá na telha. Curiosidades: durante as refeicoes, uma unica mulher, normalmente a mae, serve todo mundo o tempo inteiro. Ninguem, levanta a bunda da cadeira pra nada. Quado terminam a refeicao, dizem "Muchas gracias", ao que se respode com "Bon provecho". Outra coisa: metem abacate na sopa. Sim, dizem que se parece com queijo. Entao o abrem e pimba. Tá lá o abacatao boiando (nao no preparo, soh na hora de comer). Claro que experimentei. Ta longe de ser um queijo...mas ateh que nao eh de todo ruim. O foda eh comer a carne da sopa com a mao. O negocio eh mais duro que pedra, mais borrachento que pneu e fica todo mundo ali, quase perdendo os dentes e fazendo o glorioso barulhinho de chupar o osso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho de ir. Amanha ou segunda, volto a escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;beijos e abracos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-3558363104356862444?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/3558363104356862444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=3558363104356862444' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/3558363104356862444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/3558363104356862444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/11/panajachel-cidade-de-quem-esta-voltando.html' title='Panajachel, a cidade para quem esta voltando de Woodstock a pé'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-3949467896798783487</id><published>2008-11-28T08:13:00.000-08:00</published><updated>2008-11-28T08:48:28.418-08:00</updated><title type='text'>Abencoado</title><content type='html'>Aleluia, irmaos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui ao culto ontem. Alias, quase toda a familia. Soh a Rosa filha teve de ficar cuidando da tienda. O Fredy Jr eh o baterista da igreja. Confessou que prefere o teclado, mas por enquanto tem outro no posto. Toca bem o guri. Faz umas passagens que dariam um bom rock' n' roll. A ambicao dele, agora, eh tocar o teclado e cantar ao mesmo tempo. Atualmente eh Ismael, o pastor que ja mencionei anterioremente - um fa declarado na novela Terra Nostra e dos atores brasileiros - quem solta a voz. Alias, a primeira hora - sao duas - da cerimonia eh cantoria atras de cantoria - com direito a palmas - e alguma oracoes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enfim, vamos a tematica abordada na cerimonia: o quao bem vc esta servindo ao senhor. A leitura da noite foi sobre a construcao de templos para deus e o quao bem isso deve ser feito. Que nao se deve usar materiais frageis ou simples, como madeira ou palha, mas sim recursos nobres e valiosos, como ouro, prata e joias. O motivo do discurso ficou claro. A igreja eh novinha em folha. Na verdade eh um enorme galpao. Tudo limpinho, branquinho, carinho... E grande, considerando o tamanho da cidade. Entao, o argumento era esse: construiram um baita templo pq assim devem ser feitas as coisas para deus. Ideia que foi repetida durante uma hora. Nesse tempo, eram feitas observacoes como as necessidades de prestigiar todos os cultos (sao tres por semana) e de usar a melhor roupa disponivel para ir a igreja. E ir bem penteado, eh claro. Acho que o povo nao tava nem ai para o que o pastor estava dizendo, pq na hora em que ele perguntou quem era servidor de deus, soh uns cinco levantaram a mao...foi meio constrangedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pastor a pate, a feh eh enorme. O povo realmente pede com devocao nas oracoes. Fecham os olhos com fervor, tem gente que chora...enfim, coisas que conhecemos em nossas terras tbem. O Ismael me viu no meio do publico e pediu pra eu me apresentar. Falou que eu sou um hermano brasileno e na oracao final la estava meu nome, com o pedido de que deus me acompanhe. Fiquei realmente agradecido, embora tenha achado o culto ruim. To abencoado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando volvimos a la casa, cenamos. Frijoles con uevos revueltos, tortillas y cafe. Todo muy bueno, pero la mejor parte fue hacer las fotos. Los ninos estaban encantados y las sacaran - estan en mi Orkut. Despues que comimos, nos quedamo en la sala para ver la television. Un canal biblico. Habia un predicador hablando sobre sexualidade. Aqui, hacer sexo antes del matrimonio es un pecado grave. Las ninas son muy recatadas. Y los varones tambien no pudenen ser infieles despues del matromonio. El programa seguiente fue unconcierto religioso. A la verga, ya estaba cansado de hablar con Dios. Pero elles no se cansam nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoy es mi ultimo dia en San Pedro. Tengo de caminar. Hoy he estudiado temprano porque la classe es solamente alas 15h. Mi maestra esta en una reunion del sindicato de los profesores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hasta luego.&lt;br /&gt;Gustavo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-3949467896798783487?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/3949467896798783487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=3949467896798783487' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/3949467896798783487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/3949467896798783487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/11/abencoado.html' title='Abencoado'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-2228131620279324419</id><published>2008-11-27T12:28:00.000-08:00</published><updated>2008-11-28T08:11:57.917-08:00</updated><title type='text'>o que quieres celeste, que lo custe</title><content type='html'>buenas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aqui estoy, una vez mas. Son mis ultimos dias en San Pedro. Sabado voy a ir a Panajachel, una cuidad muy cerca de aqui y despues sigo a las ciudades de Santa Cruz Quiche y Nebaj.&lt;br /&gt;Pois eh, esta chegando ao fim a segunda semana. Confesso que ta na hora de circular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, eh claro, vou ir a igreja kuakuakuakua. Eh hoje o grande dia. Duas horas de culto. Mas to curioso para ver como sao as pregacoes. A familia ficou bem satisfeita que aceitei participar. Ateh me ensinaram umas palavrinas no idioma maia, mas eh dificil pra caramba para pronuncia-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenas, ontem sairam no jornal alguma estatisticas sobre as condicoes de ensino na Guatemala. Um dos dados revela que 61% da populacao eh analfabeta. Desse total, cerca de 95% sao indios. O tempo medio de escolaridade da populacao eh de 1,3 anos. As meninas indias sao as mais excluidas das escolas. Enfim, eh de chorar e torna bastante compreensiveis algumas duvidas que eles tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem estavamos conversando eu, a dona Rosa e a filha dela, Helena, depois do jantar. Me perguntaram sobre onde ficava o Brasil - acho que ja escrevi que pensavam que eu falasse soh ingles. Imaginavam que fossemos vizinhos dos Estados Unidos. Tambem nao entra na cabeca deles que no Brasil ha miseria. Dizem que todos os brasileiros que conhecem sao brancos como os europeus. Expliquei que isso era uma triste heranca de nossa historia. Contei sobre os escravos, sobre o fato de a grande parte da populacao brasileira ser mestica ou negra e que estes sao so principalmente desfavorecidos. Nao acredito que teham entendido bem a relacao de uma coisa com a outra e tbem nao acho que tenham acreditado muito. Mas tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os guatemaltecos, assim como nos, brasileiros, nao sao chegados na leitura (tambem, sem saber ler, fica dificil). Volta e meia to com um livro na mao, pela casa. Hoje disseram que ouviram falar que ler eh muito importante. Passam todos os momentos em que nao estao comendo ou no culto diante da televisao. Deve ser por isso que comprei hoje o Cem anos de solidao, em espanol, pelo equivalente a RS 7,00. Achei numa paplaria, que me indicaram como livraria. Os livros eram praticamente soh didaticos. avia dois diferentes. Um do Garcia Marquez. O outro um conto indigena, que acabei comprando para conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na escola de espanol os professores ja tem um nivel melhor. Mas aparentemente a televisao eh o caminho tbem, apesar da critica que fazem as orientacoes politicas dos canais guatemaltecos. Hoje perguntei onde se compra jornal, pq nao consigo encontrar. Disseram que os poucos que chegam sao distribuidos pelos jornaleiros a pessoas que costumeiramente compram. Entao, nao se encontra mesmo. Alguns cafes os tem e recorro a eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o Vicente terminei a conversa que comecamos na terca. Na ocasiao ele me perguntou o que eu pensava de Chavez, Morales e Lula. Quem me conhece, sabe a resposta. Hoje inverti a pergunta. Me surpreendi. Vicente disse que achava bom que acontecessem reformas sociais, mas que nao deviam mexer com as empresas, pq elas trazem riquezas pro povo. Expliquei que o governo Chavez, por exemplo, tem em sua politica o incentivo aos pequenos e medios e como prioridade estatizar setores estrategicos. Ficou mais satisfeito. No entanto, reforcou que gostaria de ver uma fusao entre aspectos socialistas e capitalistas, e que fosse possivel surgir uma sociedade com o melhor dos dois. Fiquei meio decepcionado quando ele iniciou um discurso de que a competicao eh boa, pq ha muito spobres acomodados. Eu disse que conhecia essa ideia, mas que nao poderia concordar com ele, pq se o fizesse estaria acreditando em meritocracia, que nao funciona em sociedades nas quais as pessoas nascem em condicoes desguais. Vicente disse que San Pedro cresceu e tem melhores condicoes que as cidadezinhas vizinhas, pq foram capitalistas, individualistas. Mas que quando alguem precisa todos ajudam. Acredita que eh assim que as coisas deveriam ser. Discordo, mas respeito. Enfim, ficamos nessa papo, que foi bastante agradavel. Ele lamentou o fato de, ao contrario da Venezuela, a Guatemala nao ter petroleo ou outro produto demandado globalmente, para poder negociar usando isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na aula estavamos conversando, eu e minha professora, sobre as privatizacoes. Me contou que, apesar da pouca instrucao, ha dois anos o povo daqui impediu uma empresa americana de escavar minas. Para isso, queriam deslocar casas e plantacoes de familias que vivem aqui ha seculos. Nao aceitaram, partiram para o confronto e venceram. Outra disputa recente foi pelo lago Atitlan. O governo chegou a cogitar privatiza-lo para a exploracao tursistica. Ou seja, alguns gringos iam ter direito de cobrar de quem quisesse vir para ca e aproveitar o lugar. Mais uma vez conseguiram barrar. Felizmente, sem sangue. Contei sobre o caso da agua privatizada na Bolivia. Nao conheciam. Ficaram escandalizados. E tambem felizes pela vitoria do povo de Cochabamba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente o sonho bolivariano ta longe. Por enquanto, hermanos apenas no mapa. E na miseria. Mas ha de chegar o nosso dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hasta luego,&lt;br /&gt;Gustavo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-2228131620279324419?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/2228131620279324419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=2228131620279324419' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/2228131620279324419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/2228131620279324419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/11/o-que-quieres-celeste-que-lo-custe.html' title='o que quieres celeste, que lo custe'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-3323334834026165550</id><published>2008-11-25T18:10:00.000-08:00</published><updated>2008-11-26T13:51:24.079-08:00</updated><title type='text'>Maximon, o santo do mal</title><content type='html'>Buenas noches,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje cheguei mais tarde para escrever. Ja eh noite por aqui. As coisas estao legais na casa da familia. Estao mais abertos, conversando mais, ainda que para eles o Tsu'tujil saia com muito mais facilidade. Mas estao se esforcando para mandar bem no espanhol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenas, comeco explicando o titulo da postagem de hoje. Maximon eh um deus antigo dos maias. O deus das terras altas. O nome nao eh esse, mas mudou depois que os espanhois invadiram essas terras. O lance interessante eh o seguinte. O bendito eh um santo que faz coisas do mal tbem. Ele fica o ano inteiro peregrinando entre as casas de moradores de Santiago Atitlan, cidade proxima daqui a que se chega de barco. Recebe cigarros e cachaca como oferendas. Alem de dinheiro eh claro - morri com 10 quetales para ter o direito a fazer uma foto do raparigo. Dizem que ja teve gente que levou ateh o filho para entregar para Maximon. O que pedem em troca sao coisas variadas. Desde muito dinheiro, ateh o mal para algum desafeto. Incluindo a morte. Foi dificil encontra-lo, mas depois de varias perguntas cheguei a Maximon, numa ruela da cidade. Ha uma porrada de gente que fica soh tomando conta. Eh um boneco bem colorido, feito com panos. A cara eh de madeira. Fuma charuto. Ele recebe varios outros nomes, dentre os quais Judas. Sim, o proprio traidor de cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ha varias lendas sobre a sua origem. Uma delas eh a de que anciaos das antigas tribos quiseram criar um ser para combater as bruxas e maus espiritos. Mas o maldito, apesar de ter feito o servico, aprontava. Dizem que desvirginou todas as meninhas, travestindo-se de um homem lindo. E deu para todos os homens, aparecendo como uma mulher exuberante. Por isso, resolveram prende-lo e soh o soltam de vez em quando, para limpar a podridao. Bem, como eu disse, eh uma das versoes. Realmente sao varias. Todas as historias por aqui possuem mais de uma possibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, a criacao do lago Atitlan, para os catolicos, foi obra da Virgem Maria - o que a sujeita tava fazendo na Guatemala, eu nao sei. Dizem que ela carregava uma pequena cumbuca com agua, a pouca agua que ainda tinha, quando tropecou e deixou o recipiente cair. E ao contrario de ficar sedenta, pobrezinha, a agua foi avancando, avancando, avancando...e pronto. Aqui ta esse puta lago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aula hoje foi soh de conversacao. Minha professora, que pediu por favor para eu nao colocar o nome dela em lugar nenhum pq tem medo del gobierno, eh bem escarecida e tem muita coisa para contar. Esta sendo bem interessante. Adoro quando ela fala que a Guatemala nunca foi descoberta pelos espanhois, mas invadida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje conversamos sobre tanta coisa que eh ateh dificil lembrar. Uma delas foi sobre a merenda escolar. Estava me contando que o governo fazia uma enorme propaganda sobre o envio de alimentos que permitiam as criancas terem uma almentacao nutritiva e ampliarem seu desempenho escolar. Mas na verdade, a comida era de ultima qualidade. Nao tinha nem marca e nao divulgavam a procedencia. Contou que fizeram testes com cachorros, oferecendo a merenda. E ateh eles recusaram o rango. O que aconteceu, por fim, eh que ficou uma montanha de alimentos armazendos e a propria comunidade resolveu comprar coisas aqui mesmo para garantir a merenda escolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tambem falamos sobre a organiacao dos professores por aqui. Ha 90 mil sindicalizados na Guatemala e estao sempre fazendo protestos. Num deles, estavam em frente a um predio de ricos quado alguem atirou da sacada uma bomba caseira, que perfurou duas pessoas. Felizmente, sobreviveram. Contou, ainda, que a midia trabalha de forma violenta a favor do governo. Grupos de 20 mil manifestantes sao noticiados como 'alguns baderneiros'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alias, na Guatemala, o povo diz que o pais pertence a 17 familias. Sao os donos das grandes corporacoes, que controlam, evidentemene, governo e midia. O lider que mencionei ontem, o que foi atacado, trabalha ha anos em defea da educacao na Guatemala. Nas ultimas eleicoes, ofereceram alguns milhoes de Quetzales para que ele aceitasse concorrer para presidente. O cabra macho nao soh negou o convite, como foi para a frente do congresso e la fez um discurso e pregou um texto em que falava sobre ela. E disse que nao era homem de se vender, que jamais poderia concorrer pq isso significaria, necessariamente, abandonar uma causa pela qual esta disposto a dar a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenas, perguntei para a minha professora se toparaia gravar as nossas conversas. Negou. Mais uma vez disse que acha perigoso. Que nas ruas, as pessoas nao falam sobre esses assuntos, mas que os tratava comigo pq via minha curiosidade. Uma pena. Seria riquissimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenas, voltemos a casa da familia em que estou. Alguns detalhes que sao pitorescos. Eles nao usam facas. Alias, praticamente nao usam talheres. Carne, eh na mao. Cortar o queijo? Use os dedos. Arroz? Aproveite a tortilla para juntar. Sobre o banheiro, que nao tem porta, mas soh uma cortina, o que eh mais engracado eh que na casa funciona um mercado. Entao, quando o cara vai tomar banho, quem ta comprando tomate fica vendo os pes de quem ta na ducha - kuakukua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa. Aqui, feijao se come no cafe da manha e na janta. No almoco eh outra coisa - hoje foi peixe frito e couve refogada com tomate. Sim, de manha tem um feijaozinho com ovos...Coisa boa para o desjejum. E todo o santo dia fazem as tortillas, um pao redondinho que parece pao sirio. E nao eh pouca coisa. Pelo menos umas duzentas. Alias, a casa eh um entra e sai desgracado. tem parente de tudo quanto eh lado. Isso eh bom, pq rende papo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem tava falando com o Ismael, cunhado da dona Rosa, que eh pastor. Estava me explicando que 50% da populacao eh evangelica. E isso eh por conta da historia mesmo, o povo tem aversao aos catolicos. Claro que sobrou pra mim. Na quinta vou ir no culto com a familia. Nada menos do que duas horas! Mas vamos la, o importante eh fazer amizades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanha dou uma corrigida noque escrevi. Ta fechando o lugar. Beijos,&lt;br /&gt;Gu&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-3323334834026165550?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/3323334834026165550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=3323334834026165550' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/3323334834026165550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/3323334834026165550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/11/maximon-o-santo-do-mal.html' title='Maximon, o santo do mal'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-4633746067137824749</id><published>2008-11-24T12:52:00.000-08:00</published><updated>2008-11-25T18:09:40.051-08:00</updated><title type='text'>O curso e a casa de família</title><content type='html'>Hola,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje acordei cedinho pq o curso de espanho comecou. Vai das 8h às 12h, com um pequeno intervalo em que comemos umas frutas e proseamos entre professores e alunos. É um professor por aluno e atualmente sao quatro alunos. Uma das alunas mor ana Inglaterra e um casal que é do Alasca. Nao sabem quase nada de espanhol. Aí vai tudo no inglês com eles. Mas tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aula em si é aquela coisa chata. Estamos estudando as conjugacoes verbais. O mais legal foi a segunda metade, em que ficamos falando sobre a Guatemala. A minha professora dá aulas no ensino público guatemalteco. As queixas sao as mesmas que as feitas no Brasil, inclusive sobre a diferenca na qualidade do ensino nas diferentes regioes do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O legal é que ela me conta as historias que a avó dela passa adiante. É uma tradicao local, mesmo, a historia oral, o que acho interessante para caramba. Por exemplo, ha uma lenda que de 50 em 50 anos o lago Atitlas sobe de nivel expressivamente. E agora ha muita gente que contrui perto dele que esta com medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falou, tambem, sobre as curandeiras que existem na regiao e como trataram de uma lesao em sua coluna. Diz ela que com muita dor, com um mes de massagens com ossos e bebidas com ervas, mas que esta completamente curada, o que foi atestado pelo medico "oficial". Disse que aqui a maior parte das pessoas prefere a medicina alternativa, a natural, a ir aos hospitais. Eh tradicao e com isso nao se brinca. No entanto, ressaltou alguns avancos que foram proporcionados pelo afastamento em relacao aos habitos ancestarias, como o fato de as mulheres agora frequentarem as escolas. No entanto, fez uma resalva: isso soh em San pedro la Laguna, uma cidade mais avancada que as outras, ja que nas utras comunidades que rodeiam o lago, os antigos habitos ainda prevalecem (como o das meninas casarem ateh os 15 anos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tambem relatou o quao dificil eh conseguir falar com as pessoas. Disse para eu nao estranhar muito isso, pq ha muito trauma do tempo da guerrilha, dos massacres, dos desaparecimentos. Disse que a gente tem vergonha e medo. Ha cidades cemiterio, segundo ela, em que os governistas levavam corpos e mais corpos para serem depositados. E nessas cidades, o silencio eh absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reclamou, ainda, das perseguicoes. Disse que ontem a noite estavam na quadra de esportes da cidade, acompanhando o terneio de basquete local, quandoforam avisados de que o lider comunitario sofrera um atentado. Disse que eh uma coisa ciclica: quando alguem comeca a falar demais, falar as verdades sobre a pobreza e sobre a discriminacao dos maias, eh uma questao de tempo para aprecer morto. Mas que a associacao dos docentes eh muito organizada (tem 90 mil integrantes) e bastante combativa, tendo adotado como missao levar a verdade sobre a historia da Guatemala para sala de aula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenas, o papo foi longo e nao cabe relata-lo aqui. Amanha vou pedir para gravar as conversas. Tambem devo ir andar de caiaque e trocar umas ideias com o Vicente, gerente da escola, que se ofereceu para passear pelos povoados. Mas ainda vou ver, pq parece que ha festa de rua em Pnajachel, do outro lado do Atitlán, e to com vontade de ir conferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenas, hoje fui para acasa da familia. Eh um pequeno mercado. O banheiro nao tem porta (eh uma cortina), o chuveiro eh frio e a privada nao tem agua (tem de pegar com um balde num tanque e jogar nela). Cheguei na hora do almoco: moela cozida com muito molho (uma moela para cada um, diga-se), arroz e pao. E Tang. O tempero eh otimo. Nunca pensei que fosse dizer isso, mas to com uma saudade de uma alface!!! A dona da casa chama-se Rosa tambem. Seu marido é o Rafael. Eles tem tres filhos, mas apenas uma que mora aqui, Helena. É casada como Fredy, falastrao que soh. Perguntou tudo e mais um pouco sobre o Brasil em meia hora. O engracado eh que aqui ninguem sabe que falamos portugues. Todo mundo acha que o ingles eh a lingua natal dos brasileiros. Ai tem os netos: mais um Fredy (14 anos), a Rosa (12) e o Nic (3 anos). Nic vem de Benedicto. Tambem pouco sabe sobre o que acontece no mundo. Me perguntou o que me parecia o fato de Bush sair da presidencia. Eu disse que "muy bueno, Bush es un estúpido". Ele riu. E aí emendou: "quem é que foi eleito? É um negro, nao é?". Queria saber se nosso dinheiro vale mais que o deles. E disse que acha que deveriam cobrar mais dos gringos que vem para ca. Eu concordei. Vcs tinham de ver o susto que tomaram quando eu disse que tenho 30 anos e nenhum filho. Nao gostaram muito da ideia (risos). Disseram que eh um direito da mulher ter os filhos. Alias, o Freduy ta indo pro quarto...O ruimn é que eles falam mais Tzu'tujil, que é o dialeto maia do que espanhol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenas, por enquanto é isso. hasta luego.&lt;br /&gt;Gustavo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-4633746067137824749?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/4633746067137824749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=4633746067137824749' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/4633746067137824749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/4633746067137824749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/11/o-curso-e-casa-de-famlia.html' title='O curso e a casa de família'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-3824026387594968435</id><published>2008-11-23T12:22:00.000-08:00</published><updated>2008-11-23T12:51:43.935-08:00</updated><title type='text'>San Pedro, a cidade da lagoa</title><content type='html'>Ola camaradas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ja estou em San Pedro la Laguna. A viagem foi tranquila, numa van. A estrada eh que tava braba. Boa parte dos 150 km que separam Antigua daqui esta em obras. O trecho final da viagem eh o mais bonito, estradinha estreita, cheia de curvas e morro abaixo. E a partir de um certo ponto da para avistar o Lago Atitlan, que eh a grande atracao do lugar. Ele eh resultado de uma serie de erupcoes vulcanicas que aconteceram por aqui e formaram esse panelao em que a agua acabou ficando. Sao 300 metros de profundidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos as 17h30, hora em que ja esta bem escuro. Cheguei sem hotel, mas logo encontrei um, bom, bonito e barato. E o principal, com agua quente. Esqueci de dizer que, em Antigua, o albergue em que eu estava tinha aquecedores solares. Chegava a noite, hora em que todo mundo queria tomar banho, e o pobre do sistema nao dava mais conta do recado. Como a temperatura cai bruscamente aqui a noite - de uns 25 para uns 10 graus - o lance era tomar banho frio que, como podem imaginar, nao era nada agradavel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, a cidade de Sane Pedro eh realmente minuscula. Em cinco minutos a gente atravessa ela de ponta a ponta. As casas sao todas meio improvisadas, meio favelao, e ha trechos sem calcada. Alias, aqui passa um carro por vez, pq as ruas sao muito estreitas. O grande lance eh que existem umas 10 cidadezinhas ao redor do lago. Entao a diversao do povo eh pegar um barco e ir para elas. Hoje dois tiozinhos me pararam na rua. Um para oferecer maconha. O outro para pferecer as mantas que eles fazem. Disse que negocia a troca delas por roupas, principalmente calcas jeans. Vamos ver se rola escambo, apesar de eu nao ter muitas calcas aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui conhecer a escola de espanhol. O lugar eh super humilde, mas gostei do Vicente, que eh o gerente do negocio - e tambem o jardineiro. Amanha comeco as aulas, as 8h. Sao 4h por dia. E tambem saio do hotel para ir viver com uma familia local. Acho que ser ainteressante. O Vicent eme disse que pode me contar o que eu quiser sobre a cidade. Legal, vou aproveitar isso. O lugar em que esta a escola eh um sitio arqeologico. Estao reformando o predio justamente para fazer um museu com as pecas que encontram no terreno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;To numa cafeteria escrevendo. Ha um cheiro magnifico de cafe aqui, o que me convida a uma xicara. Entao, me despeco. Espero que estejam gostando dos textos - apesar do problema dos teclados, o que me impede de acentuar.... Se tiverem sugestoes ou quiserem saber alguma coisa especifica, perguntem, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Besos,&lt;br /&gt;Gustavo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-3824026387594968435?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/3824026387594968435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=3824026387594968435' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/3824026387594968435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/3824026387594968435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/11/san-pedro-de-la-laguna.html' title='San Pedro, a cidade da lagoa'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-7996464803312607625</id><published>2008-11-22T06:58:00.001-08:00</published><updated>2008-11-22T07:20:03.328-08:00</updated><title type='text'>Rumo a San Pedro</title><content type='html'>Buenos días!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje faz uma semana que sai do Brazuca. Porra, sinceramente parece que faz bem mais. A viagem tá legal, mas realmente nao gostei de Antigua. Mas teve uma coisa boa em vir pra cá. O Vulcao Pacaya. Caralho, nunca pensei que um monte de lava escorrendo fosse uma coisa tao bonita. A escalada foi fueda. Tres quilometros morro acima. E no finalzinho, quando o cara ja acha que ta chegando, eh que vem a pior parte. O solo parece areia, soh com pedrinhas minusculas de rocha vulcanica. Um atoleiro total. Mas vale o esforco. Acabei cortando a mao (coitado de quem cair naquelas pedras, pq elas cortam mesmo!) e meu sapato abriu um pouco, mas ta valendo. Pra completar, na volta ja tava escuro e foi foda descer o morro na lanterninha (bendita a hora que eu decidi trazer a lanterna). Depois eu mando algumas fotos para vcs. O legal eh que do vulcao Pacaya tu avista o Acatenango e o Agua, outros dois que existem por aqui. Rendeu umas putas de umas fotos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, ontem foi uma boa parte da galera do meu quarto embora. Coincidentemente, rumaram para San Pedro la Laguna, para onde tbem vou. La vou estudar espanhol. Nao sei muito bem como vai ser a hospedagem, mas devera ser com uma familia maia.  Dizem que muitos que chegam por la nao querem mais sair, de tao bonito que eh o Lago Atitlan. Veremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje to economico, entao vou ficar por aqui. Secando os bambi e torcendo pro tricolor dos pampas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos e abracos,&lt;br /&gt;Gustavo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-7996464803312607625?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/7996464803312607625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=7996464803312607625' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/7996464803312607625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/7996464803312607625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/11/rumo-san-pedro.html' title='Rumo a San Pedro'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-862358702388730053</id><published>2008-11-21T11:16:00.000-08:00</published><updated>2008-11-23T08:17:39.967-08:00</updated><title type='text'>En La Antigua</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_8eHRLsDDZNg/SSmBxMEq94I/AAAAAAAAAAQ/gZrWo6H12OQ/s1600-h/062.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271887520868267906" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 181px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_8eHRLsDDZNg/SSmBxMEq94I/AAAAAAAAAAQ/gZrWo6H12OQ/s320/062.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Están bien?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi sob a protecao de San Miguel Arcanjo que cheguei a Antigua. Pelo menos é o que dizia o adesivo colado no vidro, ao lado do motorista do ônibus "Esmeralda" que me trouxe até a antiga (daí o nome) capital da Guatemala. A viagem foi meio frustrante. Diante de tantos relatos do Lonely Planet sobre os chickenbuses, já tava preparado para carregar um leitao no colo, ou coisa parecida. Mas nada nem perto disso se passou. Aliás, tô achando que o Lonely PLanet mandou um frescao para essas terras. Tem umas dicas furadas e as coisas que o cara recomendou sao sempre as mais caras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o onibus, é um daqueles escolares americanos, mas com pinturas novas. Além do nome da companhia do veiculo (deve ter umas 30...) tem o nome do veiculo, sua identidade. Sim, como nos barcos. Ai tem o Rosita, o Alba Maria, o Vicki my love, etc...Muito bacanas e bem cuidados. A passagem tbém é barata. Custou o equivalente a 1 dólar (sao 45 km de distancia). O engracado eh que aquela historia de nao conversar com o motorista eh piada por aqui. O maior falastrao do onibus eh o cara. Outra curiosidade é que eles nao fazem muita questao de ir pro acostamento para parar. Fulano abanou, o onibus pára no meio da estrada mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, estou na Yellow House, um albergue. Divido o quarto uma americana, uma alema, duas holandesas e um inlges. Dá para ter uma ideia do quao tomada a cidade eh pelos branquelos europeus e suas bochechas queimadas de sol. Sao meio chatos. Sabe aquele povo descolado que vê passarinho verde em qualquer lugar e esta sempre animadinho? Deus do céu, to ficando velho, mesmo. Mas cá entre nós, gente feliz demais enche o saco...Bem, a verdade é que nao gostei da cidade. É uma gringolândia, tudo é limpinho, bonitinho. Realmente nao e sinto confortavel. O povo daqui eh gente boa, simpatico, mas parecem invisiveis. A gringada soh da atencao quando eh para coprar alguma coisa, mas bom dia que eh bom ninguem distribui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje caminhei por umas igrejas e ruínas que existem aqui. Bonitas. Mas nada de cair o queixo. Daqui a pouco vou subir o vulcao Pacaya, o unico que esta ativo na regiao. Dizem que eh bacana, vc chega perto da lava e tudo. Tomara que seja bom mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenas, como fodido é fodido mesmo, meu e-mail do Yahoo nao ta abrindo. Por favor, mandem tbem pro &lt;a href="mailto:gustavodhein@gmail.com"&gt;gustavodhein@gmail.com&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos e abracos,&lt;br /&gt;Gu&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-862358702388730053?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/862358702388730053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=862358702388730053' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/862358702388730053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/862358702388730053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/11/en-la-antigua.html' title='En La Antigua'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8eHRLsDDZNg/SSmBxMEq94I/AAAAAAAAAAQ/gZrWo6H12OQ/s72-c/062.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-491648095996817063</id><published>2008-11-20T07:09:00.000-08:00</published><updated>2008-11-22T07:24:10.147-08:00</updated><title type='text'>Hola, que tal...</title><content type='html'>Buneos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui sao 9h da matina, ou seja, 13h por ai. Ta tudo na paz. Hoje devo ir a Antigua, a antiga capital da Guatemala (mudou no século XVIII por conta de um terremoto). Mas ñ devo me deter por lá muito tempo. Até pq me disseram que é uma cidade de "fantasia", feita pra gringo ver, com tudo bonitinho, limpinho, sem pobres pelas calcadas. Mas vou ver se escalo pelo menos um dos vulcoes. Dizem que o que esta em atividade eh o mais legal. Mas precisa ter um guia fodón para levar pelos caminhos, pq o cara pode virar frango assado quando chega na boca da cratera. Para ir ateh la vou pegar um dos famosos chickenbuses, que recebem esse nome pq o povo entra com galinha mesmo. E me disseram que sempre cabe mais um. Deve render umas boas historias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem o dia foi sossegado, sem muito por fazer. Fui ao Museu de História Nacional. Bem decepcionante. O lugar tá largado e simplesmente pula todo o periodo da guerra civil...Buenas, pelo menos vi. Depois fui acompanhar uma manifestacao que ja dura dois dias em frente ao Congresso. Estao querendo barrar o projeto de orcamento do governo para o proximo ano. Os camponeses e indigenas eram a maioria dos protestantes, reclamando de cortes no orcamento, que afeteriam as verbas destinadas a eles. Ontem o governo anunciou que vai criar 905 postos de distribuicao de alimentos para familias vitimas da guerra civil. Esse tema é relamente recorrente por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitei para comer uns doces típicos. Quase todos sao frutas caramelizadas. Muito boas. A fruta da hora sao aquelas ameixas amarelinhas que a gente ve pelas ruas em cidades do Rio Grande do Sul. Se faz de tudo com elas: doce, suco, etc. E fui num lugar vegetariano para ver se rolava algo mais light...comi chuchu...empanado (kuakuakua).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;To tentando economizar ao maximo. As coisas sao bem acessiveis aqui. Soh os ingressos para os museus eh que estao pegando duramente no bolso. No final do ano passado o governo aumentou o valor de todos (tem um carimbinho avisando isso, pq as entradas sao antigas ainda). O de História Nacional, por exemplo, agora custa Q 50, enquanto antes saia por Q 15. Mas acho que ta certo. Tem de enfiar a faca nos gringos mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem rolou a segunda entrevista. esqueci de trazer as fotos para posta-las. Foi com o Guianni. O cara eh gente finissima. Tava me contando que mora num distrito da capital. Que nas ruas que circundam a casa dele, eh comum ver meninos de 8 ou 10 anos com armas e ateh granadas. Me avisou um monte sobre os roubos, mais uma vez (tanto que fui embora dobar mais cedo por conta disso). A entrevista foi muito boa. O cara tem bastante fundamentacao. E o melhor é que aparentemente ganhei um camarada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, a cerveja aqui nao eh das piores. Tomei uma tal de Golden Ice. Digamos que eh uma Kaiser. Tem a Gallo, que eh a mais tradicional, mas achei pior (uma Bavaria). Brahma aqui se chama Brahva (e estao sorteando passagens pro carnaval do Rio). Essa eu nao provei pq, afinal de contas, Brahma eu tomo em casa! Alias, tem um monte de promocoes cujo premio eh uma viagem ao Brasil. Ontem à noite tava zapeando a TV e dei de cara como Lázaro Ramos. Outra novela da Globo. Mas dessa vez num canal local. Dublagem engracadissima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenas, hoje me despedi da tia que faz o cafe da manha no hotel. Ela foi com a minha cara. Acho que eh pq conversei e elogiei tanto os ovos estrellados (fritos) como os revuletos (omelete) que ela faz - como podem perceber, ovo no cafe-da-manha, por aqui, eh sagrado. Agora vou ver se descubro qual a melhor parada de onibus para Antigua e me despedir da Martina, a camareira do hotel, que eh uma figurinha muito simpatica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;beijos e abracos,&lt;br /&gt;Gustavo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-491648095996817063?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/491648095996817063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=491648095996817063' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/491648095996817063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/491648095996817063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/11/hola-que-tal.html' title='Hola, que tal...'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-2664795221101641051</id><published>2008-11-19T07:12:00.000-08:00</published><updated>2008-11-20T07:08:11.843-08:00</updated><title type='text'>Mais notícias</title><content type='html'>Buenas, amigos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;continua tudo bem por aqui. Algumas coisas sobre o país: 90% da comida é frita. E o resto é porrada. Coisinhas leves como feijao com costela de boi...Buenas, a sorte é que fui conhecer o mercado público do centro e me atraquei numas fruas (santo canivete suico que o rivaldao me deu, que tá ajudandopra caramba). Aliás, o mercado é interessante. Tem de tudo, de roupa a galinha frita. Meio sujo, mas simpático. E tem umas trotillas ótimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras coisa: as noveleiras que quiserem vir pra Guatemala podem relaxar. Pega a Globo na TV a cabo. Ñ no meu hotel, pq eh fuleiro, mas pega. Aliás a programacao da tv a cabo eh exatamente a mesma que no Brasil. Como o fuso é diferente, o House, por exemplo, que passa quinta-feira às 23h no Brasil, aqui passa quinta às 19h. É essa maldita globalizacao, traduzida, por exemplo, nos MacDonalds e Burger Kings espalhados pela cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade de Guatemala ñ é famosa por ter muitos atrativos. Mas os poucos que existem estou tentando aproveitar. Fui no Palácio da Cultura, na Catedral Metropolitana, no Museu Etnológico e Antropológico (que é muito legal), no Museu de Arte Moderna, etc. Ontem me meti numas busangas públicas. Os ônbus aqui transitam com as portas abertas. A tarifa é 1,10 quetzales, mas os motoristas, que sao também os cobradores, pedem apenas QZ 1,00, pq nao têm troco. Isso equivale a pouco mais de 20 centavos de real. Os ônibus estao caindo aos pedacos. Mas o povo eh bem educado. Como as portas da frente e de trás ficam abertas, todo mundo pode entrar e sair quando quiser. Mas todo mundo vai até o motorista e paga. Em quase todos os ônibus ficam uns guris na porta berrando o titinerário. Outro detalhe é que o ônibus pára em qualquer lugar, mesmo. Vc pode subir e descer onde quiser. E é engracado pq às vezes tem uma pessoa numa esquina e dez metros depois tem outra, esperando o mesmo ônibus. E ele pára para as duas. Outra coisa parecida com nosso país tropical abencoado por Deus sao os ambulantes e gente pedindo nos ôibus. Nas ruas até que nao se vê muito disso. Normalmente quem pede sao pessoas mais velhas, com mutilacoes, provavelmente dos tempos de guerra. Já vi duas pessoas com maos amputadas, por exemplo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, peguei o busao para ir aos Museus de Etnologia e Antropologia e de Arte Moderna (cujo grande destaque sao as obras do Carlos Merida). Mas aí resolvi ir conhecer a perifa no ônibus. A cidade da Guatemala lembra muito o bairro da Vila Maria, porém muito mais pobre. Há áreas bem delimitadas de riqueza e pobreza. A cara da cidade muda de uma rua para outra. Parece o Morumbi e a sua favela vizinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os maias sao a maior parte da populacao, mas ainda assim sao discriminados. Hoje ha uma reuniao aqui de uma Secretaria Nacional contra o Racismo e Preconceito, que discutemedidas sobre o tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alias, aos criticos de Cuba, que ficam mandando fotos da precariedade da infra0estrutura da ILha, devia vir pra cá. Afinal aqui existe "competitividade", "liberdade" e, sem sombra de duvidas, o que vi lá em Havana é melhor do que vejo por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem fui fazer a entrevista com Ebvleb, da Abyssum. Foi num bar chamada La Cueva del Dragon, que fica bem no extremo na Zona 1, o centro da cidade. Confesso que nao sabia que era um bar e tava coma pulga atrás da orelha, mas deu tudo certo. As ruas é que sao muito escuras e à noite há muitos travestis. O boteco é do Guianni, baterista de outra banda, a Eterno Impeler. Ambiente legal, paredes tomadas de pôsteres e adesivos de bandas, gurizada tomando cerveja e falando de música - e ouvindo, é claro. A conversa foi boa e hoje volto lá para falar como Guianni. O Ebvleb mandou bem. Achei que ia ficar puto quando comecei a perguntar sobre algumas coisas que eu achava incoerentes na música e discurso dele...mas levou na boa. Vou ver se mando a foto das figuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto é isso. Hasta luego,&lt;br /&gt;Gustavo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-2664795221101641051?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/2664795221101641051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=2664795221101641051' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/2664795221101641051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/2664795221101641051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/11/mais-notcias.html' title='Mais notícias'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-4590019493530374535</id><published>2008-11-17T10:06:00.000-08:00</published><updated>2008-11-20T07:09:39.792-08:00</updated><title type='text'>Direto da Guatemala</title><content type='html'>Olá, amigos! Em primeiro lugar, peco desculpas pela falta de acentos. O teclado aqui é diferente. Para botar a porra do sinal de arroba eh preciso digitat ALT + 64. Só para terem uma idéia da chatice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei bem na Guatemala. Confesso que ainda com uma sensacao de fracasso por nao estar indo a Cuba, que mora no meu coracao. Mas paciencia. O Comandante deve ter la seus motivos e nao eh isso que vai me fazer desacreditar nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive o prazer de viajar em um aviao brazuca, da Embraer, no caminho até aqui e constatei que eles podem ensinar os gringos a fazerem uns bancos mais largos. Bem, o hotel em que estou fica na Zona 1, no centro da cidade. Banheiro compartilhado, mas limpinho, café da manha barato e reforcadissimo. Como em todas as outras capitais que conheco, o centro eh meio perigoso. Ja alertaram bastante sobre os roubos, mas até agora, tudo tranquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do pouco tempo, já deu para perceber que os guatemaltecos sao muito simpáticos. Eh só dar um buenos dias, buenas tardes ou buenas noches que abrem o sorriso e conversam. Sao timidos pra caramba também. Certamente heranca da ditadura e dos anos da guerra civil, uma das mais longas da america latina. Ha muita gente armada, principalmente nas lojas, protegidas por sagurancas. Nelas, os balcoes com equipamentos digitais sao fechados com correntes e cadeados. Dizem que a policia eh pouco confiavel. Ha tambem varios cartazes de desaparecidos politicos espalhados pela cidade. Aqui estao vivendo uma explosao de telefonia celular e lan houses. Onde tu olha tem uma dessas duas coisas. E de credito. Tudo em 12 vezes...parece que a historia em nosso continente soh muda de lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem fui num show de heavy metal por aqui (Black Metal, na verdade - aliás é o estilo preferido deles). Tocaram quatro bandas: Falso Profeta, Necropsia, Eterni Impeler e Abyssum. Essa última é a banda do Ebvleb, o cara que vou entrevistar e que é "o" líder da cena na cidade. O show foi num estacionamento, curiosamente ao lado de uma igreja. E dava para ouvir o povo cantando hinos religiosos nos intervalos entre os shows dedicados ao capeta (kuakuakua). A gurizada que estava presente era unanime em falar mal da religiao e do governo. O som podia estar melhor, já que as músicas sao boas, o público era de pouco mais de 100 pessoas, mas foi divertido. Bandas empolgadíssimas e headbangers também. Quando cheguei, nao sei quem estava mais acanhado, eu ou os guatemaltecos. Muitos chegavam para falar comigo, curioso e ficavam bem mais a vontade quando sabiam que eu era brasileiro (todo mundo achava que eu era americano). Bati uns bons papos. Legal é que além de Sepultura, Sarcófago e Krisiun, os caras conheciam mais uma referencia brasileira, e nao era o Pelé. Era Lula da Silva. Virei celebridade e até teve gurizada tirando foto comigo (kuakuakuakua). Um dizia que achava que eu era o vocalista do Burzum. Eu disse que se o cara nao estivesse preso eu ficaria mais lisonjeado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenas, hoje vou ateh o museu antropologico. Aprender um pouco mais sobre os maias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos a todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-4590019493530374535?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/4590019493530374535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=4590019493530374535' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/4590019493530374535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/4590019493530374535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/11/direto-da-guatemala.html' title='Direto da Guatemala'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2229672055948135373.post-5197422647628631267</id><published>2008-09-01T14:25:00.000-07:00</published><updated>2008-11-15T03:07:29.738-08:00</updated><title type='text'>Empezar</title><content type='html'>Começou! Dia 15 de novembro, rumo à Guatemala. Hasta luego! Hasta siempre!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2229672055948135373-5197422647628631267?l=gustavopelaamericalatina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/feeds/5197422647628631267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2229672055948135373&amp;postID=5197422647628631267' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/5197422647628631267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2229672055948135373/posts/default/5197422647628631267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gustavopelaamericalatina.blogspot.com/2008/09/empezar.html' title='Empezar'/><author><name>Gustavo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05346911701414082274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
